Violência toma conta do Pará e Governo não reage

Henrique Sauma afirma que o Governo do Estado tem mapeadas as áreas vermelhas na RMB

Os números não mentem. O Fórum de Segurança Pública Brasileiro (FSPB), uma das instituições mais respeitadas do Brasil, que reúne e faz a tabulação dos dados da segurança pública em todo o País mostrou em seu 11º Anuário, divulgado no final do ano passado, que a violência no Pará só cresce.

Foram 4.209 mortes violentas intencionais no ano de 2016, com o Estado apresentando uma das mais altas taxas de crimes do País com o maior número de homicídios já registrados em toda sua história. Belém, segundo o FSPB, foi a segunda capital brasileira em número de assassinatos, com 51 crimes desse tipo por cada grupo de 100 mil habitantes.

No ano passado, apesar de uma pequena baixa, os números continuaram muito altos, com 3.742 assassinatos, com uma taxa de homicídios de 45,11 pessoas para cada grupo de 100 mil habitantes, de acordo com estatísticas da própria Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) que, num evento realizado na primeira semana de abril, da Escola de Governança Pública do Estado do Pará (EGPA), mostrou os números catastróficos da violência no terceiro governo
de Simão Jatene.

O Núcleo de Gestão por Resultados da Secretaria revelou no evento que num período de 4 anos (de 2014 a 2017) foram assassinadas 13.938 pessoas em todo o Estado, número que supera a população de cidades inteiras no Pará como São João do Araguaia (com pouco mais de 13 mil habitantes), ou Colares (com cerca de 11 mil), segundo o Censo mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

VÍTIMAS

É como se uma população inteira de uma dessas cidades fosse dizimada. E foi justamente a partir de 2015, quando Jatene iniciou sua terceira gestão que a criminalidade mais cresceu, com a capital e a Região Metropolitana de Belém (RMB) batendo recordes de assassinatos. O evento do próprio Governo mostra claramente que o Estado detém os dados, os números, as estatísticas.

Mas, parece não saber o que fazer. Henrique Sauma, especialista em segurança pública, afirma que o Governo do Estado tem mapeadas as chamadas áreas vermelhas não apenas de Belém, mas de toda a Região Metropolitana e sabe onde se pratica mais crimes e que tipo de crimes ocorrem em cada uma dessas áreas.

“Existe um setor de inteligência nas polícias Civil e Militar e, na minha avaliação, o problema não está em quem executa esse trabalho mas, sobretudo, no ordenador de despesas que não dá a estrutura necessária para que essa área desempenhe seu trabalho”, aponta.

As polícias sabem onde os crimes ocorrem, mas não dispõem de estrutura, instrumentos e pessoal para ir para campo fazer seu trabalho. “Nas zonas vermelhas não adianta apenas parecer com o policial para fazer ronda a pé ou de viatura. Junto o Estado precisa resgatar esse território com uma rede de proteção social, com políticas públicas efetivas”, pondera.

Rio de Janeiro

Sauma compara a situação do Pará com a do Rio de Janeiro: o Estado instala as Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas e, por um tempo controla a criminalidade. Mas, por falta de recursos e estrutura, as unidades vão se desestruturando e a bandidagem volta a tomar conta. “Aqui, de que adianta encher de policiais e viaturas nas ruas se não há estrutura, uma política pública de resgate e de inserção social das famílias e dos infratores?”

Fonte: Luiz Flávio/Diário do Pará

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