Denúncia – Sítios arqueológicos em Santarém são depredados

Edvaldo Pereira diz que Santarém está plantada sobre uma rica e extensa malha de sítios arqueológicos pré-históricos

A destruição desenfreada dos sítios arqueológicos formados por terra preta e ricos de fragmentos pré-históricos na cidade de Santarém, no oeste do Pará, removidas sem o devido acompanhamento e revendidas para jardinagem, é denunciada no livro “Terra Preta – Passado, Presente e Futuro”, do arqueólogo, jornalista e fotógrafo Edvaldo Pereira. A obra editada pela Imprensa Oficial do Estado (IOE) foi lançada no sábado (15), durante a realização do XI Salão do Livro do Baixo Amazonas, que terminou no domingo (16) em Santarém.

A preocupação com essa exploração se dá, segundo o autor, pela necessidade de desenvolvimento de mais estudos com esse tipo de solo amazônico, bem como com os incontáveis artefatos arqueológicos nele encontrados, mesmo que tais recursos tenham sido registrados por cronistas e viajantes desde o século XVI.  A chamada Terra Preta Arqueológica (TPA) foi formada por sociedades indígenas pré-coloniais, e apresenta coloração escura, fragmentos de material cerâmico, artefatos líticos, carvão, elevados teores de como cálcio, magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono.

Segundo Edvaldo Pereira, o interesse pelo tema se deu a partir percepção quanto à identificação da população santarena com o seu patrimônio arqueológico e a ausência de políticas públicas municipais sobre o assunto. “Se você fizer um levantamento da legislação santarena ao longo de sua história, é como se a Terra Preta e os demais recursos arqueológicos milenares presentes no município não existissem, e isso é assustador”, pontua Pereira.

O autor reforça que Santarém está plantada sobre uma rica e extensa malha de sítios arqueológicos pré-históricos que guardam vestígios de ocupações pretéritas milenares ainda pouco estudados. “Sem falar no patrimônio arquitetural histórico, que conta um pouco do nascimento e crescimento da cidade que conhecemos hoje, que também sofre com o descaso, o abandono e demolições”, denuncia.

“É preciso buscar a participação de toda a sociedade na proteção da terra preta, enquanto componente imprescindível da biodiversidade regional. O que está em jogo não é apenas a compreensão do passado, mas a construção de um futuro melhor, ecologicamente equilibrado e sustentável”, reforça Pereira. A proposta do livro, fruto de uma pesquisa inédita, é apontar caminhos para criação e aperfeiçoamento de instrumentos de gestão, sejam eles urbanísticos, jurídicos e/ou tributários, que sejam capazes de reconhecer o patrimônio histórico e arqueológico de Santarém dentro de suas reais dimensões.

A geoarqueóloga Dirse Clara Kern, do Museu Paraense Emilio Goeldi, que assina o prefácio do livro, narra que em diversos locais da Amazônia, sociedades indígenas formaram extensos depósitos de material de origem vegetal e animal, que potencializaram a fertilidade dos solos, alterando as suas propriedades.

XI SALÃO DO LIVRO: O XI Salão do Livro da Região do Baixo Amazonas promovido pelo Governo Estadual, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), em parceria com a Prefeitura de Santarém, por meio das Secretarias Municipais e demais parceiros, como a Imprensa Oficial do Estado (IOE), encerrou no domingo (16). Foram 10 dias de programação e novamente o público foi recíproco. Cerca de 70 mil pessoas participaram do evento. Na noite de encerramento a população pode prestigiar o Concerto “Harmonias da Floresta”, teve a participação especial da cantora lírica internacional Carmen Monarcha e a Orquestra Sinfônica Maestro Wilson Fonseca, sob a regência do Maestro Agostinho Fonseca Júnior. A apresentação emocionou o público presente.

Carmen Monarcha é cantora lírica brasileira belenense (PA), com trabalhos nacionais e internacionais. Ela reside em São Paulo (SP). Nasceu em uma família de artistas, seu pai é escritor e a mãe, Marina Monarcha, também cantora. Carmen ainda muito jovem aprendeu a tocar violoncelo e piano, tendo voltado seus estudos objetivando tornar-se violoncelista de concerto. No entanto buscou aperfeiçoar sua voz e receber lições de canto, tornando-se cantora lírica. Pela primeira vez veio a Santarém e relata sobre a valiosa experiência.

“É fantástico estar em Santarém e no meio da Amazônia encontrar músicos preparados para tocar a música erudita e num evento literário desse porte. A existência desse evento aqui já é fantástico. Eu já abri Feira do Livro, na capital paraense e hoje estou aqui encerrando o Salão do Livro. É magnífico o incentivo à cultura da leitura ainda mais no período que vivemos no país, às vésperas das eleições, sempre temos a perspectivas de melhoras. Estou eliz pela companhia dos músicos da Instituição que leva o nome do Maestro Wilson Fonseca, que tanto batalhou pela música em Santarém e fico muito orgulhosa de ter sido chamada para estar com eles neste evento”, enfatizou.

O regente santareno José Agostinho da Fonseca Júnior reside na capital paraense e foi convidado a partilhar o palco com a cantora lírica, Carmen Monarcha. “Atualmente trabalho na capital paraense com a música, mas a base de estudo musical que tive foi aqui em Santarém, do meu pai [Agostinho da Fonseca, o Tinho] e do meu avô [saudoso Maestro Wilson Dias da Fonseca]. Sempre venho fazer essa troca de experiências junto com músicos do Instituto Maestro Wilson Fonseca, partilhar um pouco dos tantos estudos que já tive em Belém e fora do Brasil. Agora estar nessa apresentação com a Carmem na minha terra é maravilhoso. Já temos experiências profissionais juntos no Festival de Ópera em Belém. Ela é um grande nome nacional e internacional. É maravilho Santarém receber um artista de alto nível”, destacou.

O resultado do XI Salão do Livro foi Avaliado como positivo pelos organizadores. A participação foi intensa nas apresentações culturais, as de cunho acadêmico, papo-cabeça, encontro literário, oficinas, as visitas e vendas nos 32 estandes. “O Governo do Estado do Pará, promotora do evento, esteve com a participação efetiva da Prefeitura Municipal. Nós tivemos aqui com 150 editoras representadas, distribuídas em 32 estandes e aproximadamente 61 mil títulos vendidos. A movimentação financeira estimada de R$ 1 milhão e 100 mil. E a média de 150 empregos gerados indiretamente. A população do Baixo Amazonas correspondeu à procura da cultura da leitura. Uma das novidades deste ano foi o estande conjunto da Câmara e Senado Federal que foi sucesso de vendas e os profissionais que estiveram aqui vão com uma excelente impressão do Salão do Livro”, detalhou, o secretário municipal de cultura, Luis Alberto Figueira.

Fonte: RG 15/O Impacto

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