Rosemary Fonseca: “A mulher tem condições de assumir qualquer papel na sociedade”


Evento que acontece nesta sexta-feira, dia 08, homenageará mulheres em vários segmentos

Presidente do Conselho da Mulher Empresária fala sobre o Dia Internacional da Mulher

A presidente do Conselho da Mulher Empresária (CME), da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (Aces), Rosemary Fonseca, esteve em nossa redação, ocasião em que concedeu entrevista exclusiva para falar sobre as atividades da mulher em Santarém, aproveitando o Dia Internacional da Mulher que ocorre nesta sexta-feira, 08 de março. Veja a entrevista:

Jornal O Impacto: A senhora tem uma história que serve de exemplo para outras mulheres, ocupando um cargo de direção de uma multinacional que se instalou em Santarém. Fale um pouquinho dessa história.

Rosemary Fonseca: Eu trabalhei 25 anos no Sistema Coca-Cola e foi um grande aprendizado na época. Em 1978 entrei na fábrica do Rio Branco, no Acre. Realmente foi um desafio muito grande, porque não existia nenhuma mulher na fábrica, a não ser eu, nem na área administrativa. Os profissionais, muitos deles vinham naquela época dos seringais, eram homens muito machistas, que não aceitavam o domínio e comando de uma mulher. Mas, eu comecei a trabalhar com eles na linha de futebol, na linha de família, e com isso eu fui conquistando essa gestão e me aceitaram. Com isso, eu vim transferida para a fábrica de Santarém, onde tive o espaço de ser gerente industrial e ser a primeira mulher do Sistema Coca-Cola no Brasil a assumir um cargo na área industrial. A Coca-Cola foi um ensinamento muito grande, porque você consegue trabalhar com homens e mulheres e, ao mesmo tempo, você aprende uma questão de aprendizado não só no sistema comportamental, como também na questão de gestão, seja de aprendizado, mecânica, elétrica, hidráulico, eletrônico. Tudo isso eu passei para poder conhecer e gerenciar uma indústria. Então, um pouquinho de cada coisa eu entendo. Depois assumi a gerência geral. Esse foi o caminho dentro do Sistema Coca-Cola. Aí a Coca-Cola precisou fechar o sistema Fabril e eu fui para a UFOPA, onde passei no concurso e fiquei lá; depois passei para a Prefeitura na gestão do ex-prefeito Alexandre Von; continuo na gestão do prefeito Nélio Aguiar a convite do secretário Rui Corrêa; e estou também em uma empresa de consultoria, que foi uma das coisas que eu achei que poderia passar com o meu aprendizado, porque a gente fez muitos cursos dentro do sistema e eu passei também para algumas empresas aqui em Santarém. Depois eu assumi cargos na Associação Comercial e Empresarial de Santarém, desde a época do presidente Milson Pereira. Acredito que devo ter uns 25 anos só de Associação Comercial.

Jornal O Impacto: Aproveitando o espaço, fale sobre a sua passagem e a sua permanência na Associação Comercial e Empresarial de Santarém, onde ocupou vários cargos, entre os quais a de presidente do Conselho da Mulher Empresária.

Rosemary Fonseca: As mulheres quando querem, conseguem seu espaço. É uma coisa que é eu acho que é da mulher, de ser determinada, de fazer acontecer. Quando eu fui convidada para participar da diretoria da Associação Comercial ainda era do Sistema Coca-Cola. O Milson me convidou para participar da gestão dele, e eu fazia parte da diretoria social, depois patrimonial e foi mudando em cada gestão. Eu acho que essa forma de você ter um olhar empresarial, por eu ter sido executiva de uma grande multinacional, me trouxe um ganho dentro do processo de associativismo, porque o associativismo está buscando cada vez mais associados. Como eu já tinha feito várias consultorias dentro das empresas, o caminho se tornou mais fácil para mim de estar junto com a diretoria executiva que tem hoje 74 anos e, na época eram poucas as mulheres que realmente fazem parte do sistema. Tanto é que o Conselho da Mulher Empresária tem 20 anos, foi fundado pelo seu Ivair Chaves em 1999, mas também era uma vontade do presidente Milson, que faleceu e não conseguiu na gestão dele. O seu Ivair Chaves, com toda sua visão, abraçou a ideia e foi o fundador do nosso Conselho da Mulher Empresária, mostrando realmente que a mulher podia contribuir com a Associação Comercial, não na questão só de responsabilidade social muito mais na questão de empreendedorismo, que você pudesse incentivar as mulheres abrindo empresas, assumindo cargos de gestão ou cargos executivos, que antes isso era um pouco difícil, as mulheres realmente não tinham muito esse espaço dentro do mercado de trabalho nos cargos mais elevados. Isso para mim foi muito bom, de fazer parte, porque eu tive oportunidade de ver a Associação Comercial abraçando várias mulheres, até que abriu o Conselho da Mulher Empresária, sendo um braço muito importante e também abriu o CONJOVE (Conselho de Jovens Empresários). É uma forma moderna, eu acredito assim, de você realmente estar junto com a sociedade como um todo, buscando o melhor para uma entidade. Isso foi um grande aprendizado.

Jornal O Impacto: Só para matar a curiosidade de muita gente. A senhora é santarena?

Rosemary Fonseca: Eu sou engenheira química, eu tenho MBA em Gestão Empresarial, eu sou de Belém, sou paraense. Só que eu torço pelo Estado do Tapajós. Eu assino embaixo pelo Estado Tapajós, pois o Tapajós precisa ser Estado.

Jornal O Impacto: Você tem uma visão muito ampla, em relação a essa questão econômica, tanto que participa dessas conquistas, de trazer mais investimentos para Santarém. Como você vê hoje a chegada desses empreendimentos em nosso Município?

Rosemary Fonseca: Olha, é muito positiva a Santarém, que geograficamente é uma cidade muito estratégia, e na questão logística para o Brasil, Santarém é a número um do arco Norte, os custos reduzem muito na questão rodoviária, ferroviária ou hidroviária. Não só em grãos, nós precisamos desenvolver a nossa fruticultura, a nossa hortaliça, para que possamos aproveitar essa estratégia que nós temos para exportar. Por exemplo, a nossa madeira deixou de ser exportada pelo Porto de Santarém desde 2014, porque nós não temos o plano de cabotagem; nós precisamos e estamos lutando para trazer o plano de cabotagem para Santarém; nós temos investidores de castanha que querem exportar por aqui; nós temos em Uruará a rainha do cacau que quer também se instalar em Santarém, porque ela circula mais de 2.500 km para chegar em Ilhéus, na Bahia para exportar; eu não falo só de Santarém, eu falo da nossa região Oeste, nós temos aqui Monte Alegre que exporta o limão Taiti e tem de ir para Belém e São Paulo; temos a castanha em Oriximiná; açaí em Óbidos. Tudo vai por lá, que poderia reduzir todos esses fretes para o produtor e para o empresário. Se exportação se fosse por aqui, o ganho seria muito maior para a região. A notícia do Ministro da Infraestrutura de colocar que a rodovia de Miritituba até Santarém vai ser asfaltada neste ano de 2019 – eu acredito que possa passar para 2020 – trouxe um ânimo muito grande não só no Brasil, mas no exterior, de olhar para Santarém, porque você sabe que as multinacionais trabalham muito com a questão de grãos; sem falar que temos também outros investidores que querem vir para cá, como a indústria de castanha, nós temos a indústria de recuperação e reaproveitamento de óleo de carretas e de navios, temos empresas que vão se instalar como distribuidoras de combustível; tem a Raízen que vai investir 175 milhões de reais e já vamos iniciar no segundo semestre a operação que vai trabalhar com uma prestação de serviço imensa, porque eles precisam de várias áreas para prestar serviço, o foco deles é combustível, mas precisam de prestadores de serviços e isso vai alavancar Santarém de uma forma muito positiva. Tem, também, o turismo, que a gente não pode deixar de falar que é a nossa vocação natural. Eu acredito que esses grandes empreendimentos vão ajudar exatamente na questão da infraestrutura para o nosso Município, em função da arrecadação de ISS, pois hoje Santarém tem essa deficiência, por não ter empresa suficiente para arrecadar; mas, no momento que você arrecada, tem como você investir na infraestrutura da cidade, na questão social, na saúde. Então, eu vejo um caminho promissor para Santarém, eu sempre acreditei e não desisto de lutar por Santarém e pela região, de trazer investidores, junto com nossa equipe da Secretaria de Planejamento, junto com a Associação Comercial. Eu acho que a integração do setor público e do privado é que faz acontecer as melhores coisas para o Município.

Jornal O Impacto: Vamos falar sobre o Conselho da Mulher Empresária, que todos os anos, no Dia Internacional da Mulher, realiza um evento que destaca algumas mulheres de segmentos diferentes.

Rosemary Fonseca: Sim, neste dia 8 de março, o evento será no salão do Barrudada Tropical hotel, onde nós vamos homenagear quatro mulheres: uma no segmento da saúde que é a médica Andréia Carneiro; no setor social será doutora Diany Castro; no setor jurídico, a homenageada será a advogada Gabriela Cabral; e no setor empresarial a homenageada será Conceição Vasconcelos. São quatro mulheres que vêm fazendo um trabalho fantástico dentro do meio empresarial, meio social e de saúde. A Dra. Andréia está no Hospital Regional, Hospital Municipal e tem clínica; a Dra. Diany é assistente social e faz um trabalho belíssimo no Maria do Pará com as mulheres, é fantástico o trabalho dela; a Dra. Gabriela Cabral hoje é vice-presidente da OAB; e a nossa querida Conceição Vasconcelos tem 32 anos de empresa e é a primeira mulher a ser presidente da CDL. São mulheres assim, que fazem trabalhos que a gente tem como referência, que a gente só tem que homenagear. Além dessa homenagem que vai ser feita no Barrudada Tropical Hotel, nós temos a promoção vinculada ao Dia Internacional da Mulher, que é Amo Promo, pois mulher gosta muito de promoção e esse evento acontece de quinta-feira (07) a domingo (10).

Jornal O Impacto: Como é que funciona a Amo Promo?

Rosemary Fonseca: As empresas estão voltadas para o público feminino, restaurantes, pizzarias, confecções, estética, docerias, postos de gasolina, sapatarias, etc. São mais de 50 empresas que aderiram à campanha e cada empresa vai ter um adesivo nas lojas colocado lá “Amo Promo”, período de 7 a 10, com descontos que cada lojista vai dar. Tem lojistas que vão dar desconto de 70%, outros 40%, 50%; vão ser promoções combinadas. Outro, é um tipo de prato no restaurante; outro vai fazer uma um design de sobrancelha ganha uma limpeza de pele, ou faz uma massagem e ganha outra, etc… São promoções diversificadas. A gente viu que as promoções são muito direcionadas no Natal, Dia dos Namorados, Dia das Mães, Dia dos Pais, Páscoa, mas não tinha do Dia Internacional da Mulher. Nós vamos fazer um teste e verificar como é que vai funcionar, pois nossa intenção é incentivar o comércio, incentivar os estabelecimentos para que faturem mais. Esse é um momento, para você comprar o presente da sua mulher em uma dessas lojas, ou então, participar do nosso jantar e homenageá-la. No site da Associação Comercial aparecem todas as empresas.

Jornal O Impacto: Antes de encerrar, queremos que você aproveitasse o espaço, como uma mulher vitoriosa, para mandar uma mensagem às mulheres.

Rosemary Fonseca: Eu diria o seguinte: que nós mulheres precisamos ter uma representatividade melhor na política, dentro da classe empresarial isso já vem crescendo. No segmento feminino, como estética e saúde vem crescendo, a mulher já vem ocupando realmente esse espaço. Dentro das universidades a maioria é mulher. Então, eu vejo que as mulheres estão realmente se colocando numa posição de destaque. A mulher garante, sabe, tem habilidade e sensibilidade, para poder estar em qualquer papel. A mulher tem condições, assim como o homem. É uma coisa que o ser humano tem que acreditar em si, é o primeiro passo e outro é ter a sua espiritualidade com Deus. Eu vejo que nessas condições elas trilham um caminho de sucesso, de galgar cada vez mais espaço, acreditar. Eu digo que a mulher é capaz de fazer acontecer e ser muito feliz. Não esquecendo que a família está acima de tudo.

Por: Jefferson Miranda

Fonte: RG 15/O Impacto

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