Rainha do Cacau – Empresária dinamiza economia em município da Transamazônica

Segundo a empreendedora, o Pará é o Estado mais rico em matéria prima, e se nós não cuidarmos do que é nosso, estrangeiros tomarão posse

Elcy Gutzeit investe na lavoura do fruto base do chocolate

Ela não deixou passar a oportunidade. Residindo na Europa retornou ao Brasil, especificamente ao interior do Pará, e com dedicação e persistência tem se destacado na produção de amêndoa de cacau.

Nesta edição do semanário mais lido do Oeste paraense, trazemos um pouco da história da empresária Elcy Gutzeit. Acompanhe a entrevista que ele concedeu ao Jornalista Osvaldo de Andrade, âncora da TV Impacto:

Jornal O Impacto: Hoje vamos conversar com a Rainha do Cacau. Estamos próximo à Semana Santa, época de Páscoa, de muito consumo de ovo de páscoa, cacau, chocolate. Estamos recebendo e dando boas-vindas a ela que é uma vitoriosa e vencedora, vamos conversar um pouco sobre essa produção de cacau na Amazônia. Primeiro, falar da fazenda Panorama que fica no município de Uruará.

Elcy Gutzeit: Isso, fica a 40 km da cidade de Uruará, sentindo Altamira. Minha família está lá desde os anos 70, aguardando o famoso asfalto passar na Transamazônica que até hoje nunca aconteceu. Mesmo assim eu digo para quem mora lá, são guerreiros como nós, que estamos a cada dia trabalhando, mesmo com dificuldade de estradas, atoleiros enormes, que dificulta muito o transporte das amêndoas da produção da região.

Jornal O Impacto: Vamos falar do começo, com seu pai em 1976. Mas, antes vocês estavam aonde?

Elcy Gutzeit: Eu sou paraense, fui pra São Paulo estudar, fazer faculdade e depois fomos morar na Europa, na Suíça. Eu sempre soube que um dia teríamos de voltar para a Transamazônica e esse dia chegou. Eu estou muito feliz por estar de volta, desenvolvendo esse trabalho com o agro e o cacau principalmente.

Jornal O Impacto: Era um pouco difícil imaginar a produção de cacau na Amazônia, uma tradição do Centro-oeste e Sul, mas parece que lá apareceu a praga vassoura-de-bruxa que acabou trazendo alguns produtores para nossa região. Como é o nosso solo hoje para a produção do cacau?

Elcy Gutzeit: O solo é de extrema importância para a produção do cacau, porque áreas arenosas não produzem tanto, mas, produzem. E a nossa área é de terra-roxa, terra rara que é própria realmente para o cacau, com uma produção assim maravilhosa para o pé de planta, proporcionando cada vez mais qualidade ao cacau.

Jornal O Impacto: Em termos de área e de produção, qual é a de vocês?

Elcy Gutzeit: Aproximadamente trezentas mil plantas e existe projeto para a expansão. Nosso objetivo, dependendo de alguns projetos a serem aprovados, será de um milhão de plantas. Na nossa região, mais precisamente no nosso Município, já temos uma capacidade enorme, só na região da Vila Alvorada, do Km 140, já tem uns três milhões de plantas; temos uma associação lá também de agricultores que se chama Agroada e eu faço parte dela, sendo que o objetivo é plantar e cultivar sempre boa semente.

Jornal O Impacto: Em relação ao mercado, qual é o rumo que toma o cacau produzido pela fazenda Panorama, ou seja, para onde vocês exportam esse produto?

Elcy Gutzeit: Então, esse é objetivo, começar a exportar e também agregar valores com industrialização. No momento estamos ainda vendendo na região. Em Altamira existem várias multinacionais, como a Cargill e a Olam, outros pequenos atravessadores também. Em Uruará existe a Cerealista Cearense, que é uma grande potência que compra e vende cacau. Nós estamos negociando ainda na região e o objetivo futuramente realmente é fazer lotes de cacau, porque existe a questão da fermentação, que dá a qualidade ao cacau, foi esse prêmio que nós ganhamos recentemente em Ilhéus na Bahia, primeiro e segundo lugar como melhor cacau do Brasil. Estou muito feliz!

Jornal O Impacto: Vamos falar também de estrutura, que já é difícil, para escoar a produção. Quais as dificuldades que vocês enfrentam, em relação ao transporte?

Elcy Gutzeit: A gente, todo ano, fica orando para que a safra chegue no verão, porque no inverno é catástrofe, caminhões atravessados, difícil acesso. Nós estamos sempre falando com os governadores, fazendo apelo para que governo asfalte esses trechos da Transamazônica, principalmente essa estrada que vai do famoso Chapadão para Santarém. Isso vai ajudar bastante, porque aqui em Santarém nós temos o porto e será super eficaz para trazer a produção para cá. Isso aí seria ótimo.

Jornal O Impacto: Como você tocou na questão do porto e sabemos que uma empresa, aliás, não só uma, tem outras mais, principalmente uma que é aqui da região, está tentando a implantação do porto na área do Maicá e naturalmente que os ambientalistas têm feito uma série de justificativas dizendo que não pode ser implantado, mas a gente sente a necessidade disso. Você como produtora e que necessita naturalmente escoar sua produção, qual é a mensagem que você dá em relação a essa falta de logística, para a sociedade que muitas vezes é informada de que isso vai atrapalhar, que vai mexer com o meio ambiente?

Elcy Gutzeit: Eu acredito assim, que todo desenvolvimento tem um impacto, mas, desde que seja trabalhado com o pessoal do governo, que faça todo estudo prévio para que esse impacto não aconteça. O País para crescer, tem de ter desenvolvimento. Nosso Estado também. Eu conheço muitos lugares, já morei fora do Brasil, o Pará para mim é o Estado mais rico em matéria prima, e se nós não cuidarmos do que é nosso vai vir um estrangeiro e tomará posse, como eu já escutei muitas ONGs falarem “Amazônia é nossa”. Quer dizer, nossa é de quem está aqui, de quem lutou, de quem veio para cá, que vestiu a camisa, que está aqui no sol quente trabalhando, gerando emprego, colocando alimento na mesa e é de extrema importância sim o porto aqui na região.

Jornal O Impacto: A senhora falou de emprego, vamos aproveitar e voltar à questão da fazenda que produz o cacau. A estrutura da fazendo em termo de funcionários, como é?

Elcy Gutzeit: Nós trabalhamos com a parceria rural, isso eu acho interessante, porque a pessoa tem um contrato anual e se ela estiver contente pode continuar. Nós temos pessoas lá, com 10, 12 anos conosco, eles ganham 45% da produção e trabalham, plantam e cultivam. Também temos pessoas registradas que trabalham com a gente no desenvolvimento da secagem do cacau, e estão felizes, graças a Deus.

“Com relação à praga da ‘vassoura-de-bruxa’, graças a Deus, hoje aqui na região só tem a Rainha do Cacau, não tem mais bruxa. Essa doença foi embora”

Jornal O Impacto: Nós vamos falar sobre a praga da “vassoura-de-bruxa”, que é uma doença que apareceu lá na Bahia atingindo fortemente a produção de cacau. Em temos de Amazônia, mais especificamente aqui na região, vocês enfrentam esse problema?

Elcy Gutzeit: Graças a Deus não. Só tem Rainha do Cacau, não tem mais bruxa. A doença foi embora, pouquíssimo aparece em algum pé, mas é dificilmente, porque o nosso clima é atípico, chove, faz sol, calor e isso não favorece a doença. A gente cuida da planta direitinho, não tem problema nenhum, graças a Deus. Nós estamos isentos dessas doenças.

Jornal O Impacto: Com o recebimento desses prêmios, o trabalho na região é reconhecido?

Elcy Gutzeit: Estou muito feliz, porque o nosso trabalho vem sendo reconhecido. Não só meu, como de toda propriedade, da minha família, da nossa equipe que está conosco há muitos anos. Temos empregados lá que nunca faltaram um dia, estão sempre lá na frente e atendendo nossos pedidos. Isso é muito bacana, e nesses prêmios a gente sempre ressalta não só a nossa propriedade, mas toda a região da Transamazônica, porque até então muita gente não sabia nem onde ficava a Transamazônica. Isso daí é muito bom, porque a gente acaba nesses eventos conhecendo pessoas, trocando informações, favorecendo um crescimento maior para o desenvolvimento do agro.

Jornal O Impacto: Para terminar, fale sobre sua família.

Elcy Gutzeit: Eu tenho um filho maravilhoso que está comigo, o Elton, que me ajuda bastante, o futuro é dele. Eu estou muito feliz, a gente lá na propriedade acorda cedo, fala com os passarinhos, caminha na floresta e isso faz muito bem para saúde e você está em harmonia com a natureza, isso é ótimo. Ficamos 12 anos na Suíça e aqui já temos 08 anos. Já lançando chocolate, agora convido a todos, tem um salão de chocolate em São Paulo que vai ocorrer, é internacional, com muita gente participando com várias marcas de chocolate, inclusive o nosso chocolate Gutzeit Amazônico, porque é o meu sobrenome – em alemão significa “bom tempo”. Meus pais são heróis, Hervino Gutzeit e Herna Gutzeit, descendentes de alemães, mas são do Espírito Santo, e vieram para o Pará muito cedo, meu pai com 25 anos e minha mãe 17 anos, fixaram residência em Paragominas e depois vieram para cá. São dois anjinhos na face da terra que só pensam em plantar e cultivar. Meu pai com 87 anos quer plantar e todo dia me pergunta: Quantas mudas vocês plantaram hoje, minha filha?

Por: Edmundo Baía Junior

Fonte: RG 15/O Impacto

3 comentários em “Rainha do Cacau – Empresária dinamiza economia em município da Transamazônica

  • 13 de abril de 2019 em 12:12
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    A HISTÓRIA DESTA GUERREIRA DEVERIA ESTAR UM LIVRO COMO EXEMPLO DE SUPERAÇÃO E COMPETÊNCIA NUM PAIS AONDE TANTOS ESTÃO saqueando a nação e ela como Brasileira honesta e digna horando a região com um projeto magnifico desses,Parabéns, com mais pessoas assim teríamos um pais bem melhor

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  • 11 de abril de 2019 em 19:05
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    Parabéns Elcy Gutzeit, vc é demais.
    Sempre seja empreendedora e determinada

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  • 11 de abril de 2019 em 17:19
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    Parabéns, pela coragem de seus pais e sua senhora Gitzeit, por acredita em nossa região e fazer da história de vida de sua família emprego pra muitas pessoas, e não podemos essas ongs dizerem que a Amazônia e deles, pois ela nunca derramaram uma gota de suor em nosso solo paraense.

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