Milton Corrêa Ed. 1248

INADIMPLÊNCIA DAS EMPRESAS CRESCE 3,30% EM MARÇO, A MENOR ALTA EM 18 MESES, APONTAM CNDL/SPC BRASIL 

Aumento de empresas inadimplentes é o mais moderado desde setembro de 2017; já o volume de dívidas em nome de pessoas jurídicas cai pela primeira vez desde 2011. Cenário de baixa atividade econômica tem limitado capacidade de endividamento das empresas

O número de empresas com contas em atraso e registradas nos cadastros de devedores cresceu 3,30% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado – trata-se da menor variação desde setembro de 2017, quando a alta fora de 2,62%. Na passagem de fevereiro para março de 2019, sem ajuste sazonal, a alta foi de 0,69%. Os dados foram calculados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, a inadimplência das empresas tem crescido de forma mais moderada do que no auge da crise e sinaliza um cenário de acomodação para os próximos meses de 2019. “Mesmo com a lenta retomada da confiança, os empresários seguem cautelosos para investir. Com isso, há menos custos e menos tomada de crédito, consequentemente, há menos endividamento. Além disso, o crescimento econômico segue em ritmo abaixo do que era esperado do início do ano, com o mercado de trabalho demorando para reagir e a capacidade ociosa das indústrias em níveis elevados”, afirma Pelliz zaro Junior.

INADIMPLÊNCIA DAS EMPRESAS CRESCE MAIS NA REGIÃO SUDESTE; DÍVIDAS DE PESSOAS JURÍDICAS CAEM PELA PRIMEIRA VEZ DESDE 2011

Os dados regionais mostram que o Sudeste lidera o crescimento da inadimplência entre as empresas. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o número de pessoas jurídicas negativadas na região cresceu 4,60%, a maior alta entre as regiões pesquisadas. Em seguida aparecem, na ordem, as regiões Sul, que registrou avanço de 3,29% na mesma base de comparação, Centro-Oeste (1,99%), Nordeste (1,53%) e Norte (0,47%). Entre os segmentos devedores, destacam-se as altas apresentadas pelos ramos de serviços (5,74%) e comércio (1,55%), seguidos pelas empresas que atuam no setor das indústrias (0,93%). Entre os setores credores, ou seja, os que deixaram de receber valores de terceiros, o setor de serviços, que engloba bancos e financeiras, responde por 70%. Em seguida aparecem estabelecimentos comerciais (17%) e indústrias (12%). Outro indicador também mensurado pelo SPC Brasil e pela CNDL é o de dívidas em atraso. Neste caso, houve a primeira retração desde janeiro de 2011, início da série histórica, com uma queda de -0,11% na comparação com março do ano passado. Na comparação mensal, na passagem de fevereiro para março, a variação foi positiva, de 0,44%, um resultado que denota estabilidade. “Para os próximos meses, espera-se a atividade econômica ainda se mantenha pouco aquecida, o que deve manter o crescimento da inadimplência das empresas em patamares ainda discretos”, afirma Pellizzaro Junior.

 EM MEIO À INSTABILIDADES POLÍTICAS, CONFIANÇA DOS MICRO E PEQUENOS EMPRESÁRIOS RECUA 1,4 PONTOS EM MARÇO, APONTAM CNDL/SPC BRASIL

Na comparação anual, indicador registra avanço de 16%. Para 75% dos entrevistados, expectativa é de melhora da economia para os próximos seis meses e 66% esperam faturamento maior dos negócios. O atual cenário de instabilidades políticas e incertezas frente à aprovação de reformas consideradas essenciais para reequilibrar as contas públicas e destravar a economia já reflete na confiança do micro e pequeno empresário. Dados do levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito mostram que o Indicador de Confiança marcou 64,1 pontos em março, uma queda de 1,4 pontos ante fevereiro — embora ainda se mantenha acima do nível neutro. Na comparação com março de 2018, quando o indicador estava em 55,3 pontos, houve um avanço de 16%. Pela metodologia, o indicador varia de zero a 100, sendo que, acima de 50 pontos, reflete confiança desses empresários e, abaixo dos 50 pontos, reflete desconfiança com os negócios e com a economia. Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, o recuo da confiança pode ser explicado em grande parte pelas incertezas políticas, principalmente quanto à aprovação da reforma da previdência. “É preciso que as intenções da nova equipe econômica se traduzam em medidas concretas, que mesmo não surtindo tantos efeitos no curto prazo terão grande peso sobre as expectativas. A reversão desse quadro de baixa confiança exige ações que tragam estabilidade macroeconômica e estimulem o crescimento do PIB, o que deve encorajar os micro e pequenos empresários a investirem e, por consequência, incentivar a geração de empregos”, explica o presidente. O Indicador de Confiança é composto pelo Indicador de Condições Gerais e pelo Indicador de Expectativas. Por meio da avaliação das condições gerais, busca-se medir a percepção dos micro e pequenos empresários sobre os últimos seis meses. Já através das expectativas, busca-se medir o que se espera para os próximos seis meses.

PERCENTUAL DE OTIMISTAS COM ECONOMIA CAI PARA 75%, EMBORA CONFIANÇA SIGA PERMANEÇA EM PATAMARES ELEVADOS ANTE ANO PASSADO

O componente do indicador que mede as expectativas para o futuro também apresentou leve retração, marcando 74,2 pontos em março de 2019, ante 77,8 pontos no início do ano. Em termos percentuais, representa uma queda de 3%. A queda observada entre fevereiro e março reflete o fato de os entrevistados estarem menos confiantes com o futuro da economia do que no mês anterior — o percentual de otimistas caiu de 80% para 75%—  e com os próprios negócios — que passou de 84% para 78%. Mesmo com uma retração mensal na expectativa de retomada econômica, a confiança com o futuro da economia dos micro e pequenos empresários permanece em patamares elevados. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve um avanço de 16% no componente das expectativas. O otimismo vem da percepção de que o cenário político está mais favorável (38%) e da aceitação das medidas econômicas do governo (32%). Outros 34% dos entrevistados não sabem dizer uma razão específica para essa confiança e 29% mencionaram a melhora de indicadores econômicos. Já os principais fatores citados para o otimismo com os negócios são o fato de a economia mostrar sinais de melhora (30%) e a boa gestão dos negócios (29%). Além desses, 29% afirmaram estar investindo nos negócios de olho em um cenário melhor, 24% não sabem ao certo as razões e 16% disseram vivenciar um período do ano favorável para as vendas.

66% DOS ENTREVISTADOS ESPERAM FATURAMENTO MAIOR COM OS NEGÓCIOS

Considerando a avaliação do momento presente, o Indicador de Condições Gerais registrou leve queda, ao passar de 51,2 pontos em fevereiro para 50,6 pontos em março. Em termos percentuais, 32% dos micro e pequenos empresários acreditam que as condições da economia melhoraram nos últimos seis meses. Quanto aos negócios, 36% também consideram que houve uma reação positiva. Além desses, 35% disseram que não houve nem melhora nem piora nas condições econômicas, enquanto 36% não perceberam alteração nos negócios. “Não se formou, portanto, nenhuma ampla maioria que considera os últimos meses como bom ou ruim. O que se percebe é uma situação equilibrada e não mais negativa, como se observava no mesmo mês do ano anterior”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior. Já o número de micro e pequenos empresários dos setores de varejo e serviços que notou um aumento nas vendas caiu de 49% em fevereiro para 43% em março de 2019. Essa é a segunda queda consecutiva, também observada no primeiro trimestre de 2018. Ainda assim, o percentual dos que tiveram um bom desempenho das vendas em março de 2019 (43%) ficou acima do registrado no mesmo mês de 2018 (35%). Por outro lado, 21% consideraram o desempenho das vendas como ruim ou péssimo e 36% como regular. Com relação aos próximos seis meses, sete em cada dez (66%) entrevistados esperam um faturamento maior, ante 27% que projetam estabilidade e apenas 4% que acreditam em uma queda. Para os que estão otimistas com as vendas, 34% garantem estar buscando novas estratégias comerciais e 28% consideram o período favorável para as vendas.

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