Artigo – Quando o implante artificial de “raízes étnicas” serve à agenda de políticas segregacionistas – Parte II

Por Edward Luz

A temporada de festividades juninas de 2019 explode em todo país, promovendo um reencontro do Brasil com suas diferentes raízes culturais. Mas atenção: nem tudo é festa! Alguns destes eventos, escondem perigosas estratégias etnicizantes e segregacionistas servindo para reforçar reivindicações ilegítimas.

Junho é mês de Festa e não é de hoje que esse período do ano é sinônimo de festejo e animação no Brasil.  Desde pelo menos o século XVII, que no em junho, comemoram-se as chamadas “Festas Juninas”. Além dos trajes específicos, comidas e bebidas, fogueiras, fogos de artifício e outros artefatos típicos da cultura material do interior do brasil reconectam o país com suas raízes culturais mais profundas. O período serve também para religar o povo com marcos da cristandade mais histórica, já que as festividades juninas são marcadas por importantes datas religiosas como o Pentecostes e a homenagem à três santos católicos, notadamente: São João, Santo Antônio e São Pedro.

No entanto, como de costume, as verdadeiras origens das comemorações nessa época do ano são anteriores à era cristã. No hemisfério norte, várias celebrações pagãs aconteciam durante o solstício de verão. Essa importante data astronômica marca o dia mais longo e a noite mais curta do ano, o que ocorre nos dias 21 a 23 de junho no hemisfério norte. Diversos povos da Antiguidade, como os celtas, os bascos, os egípcios e os sumérios aproveitavam a ocasião para organizar rituais que invocavam a fertilidade e pediam fartura nas colheitas. Na Europa, os cultos à fertilidade em junho foram reproduzidos até por volta do século X. De Roma, o culto à deusa Juno deu origem às festas “junônias”, que se espalharam para os regiões que depois foram conhecidas como Itália, Espanha, França e Portugal. Como a igreja católica não conseguia combatê-los, decidiu cristianizá-los, instituindo dias de homenagens aos três santos no mesmo mês.

Por uma feliz coincidência, os colonos asiáticos que formaram as populações ameríndias que primeiro colonizaram o Brasil, faziam importantes rituais durante o mês de junho, uma vez que, mesmo sendo início do inverno por aqui, possuíam várias celebrações ligadas à agricultura, com cantos, danças e muita comida. Com a chegada dos jesuítas e o início da colonização europeia portuguesa, os costumes indígenas e o caráter religioso dos festejos juninos proporcionaram uma fantástica fusão numa crença sincrética única. É por isso que as festas hoje, tanto celebram santos católicos como oferecem uma variedade de pratos feitos com alimentos típicos dos ameríndios. Já a valorização dasraízes caipiras(palavra do tupi para quem é “morador das matas”) nessas comemorações,é um reflexo da organização da sociedade brasileira até meados do século XX, quando mais de 70% da população vivia no campo.

Hoje, as maiores festas juninas se concentram no Nordeste, com destaque para as cidades de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB).Mas manifestações da cultura tradicional brasileira também acontecem em todos os outros estados. Em Goiás, acontecem as tradicionais cavalhadas em cidades como Pirenópolis, Jaraguá que chegam a receber 10 mil visitantes por dia de espetáculo em seu “cavalhódromo”.

Durantes esses três dias de resgate do passado, homens e mulheres resgatam a história, fantasiando-se de imperadores, rainhas, princesas e sobretudo corajosos guerreiros cristãos e mouros que enfrentam-se no campo de batalha.  Estas por sua vez, simulam a história da disputa entre cristãos e mouros pela península ibérica, hoje Portugal e Espanha, encerram a Festa do Divino. Na ocasião, figurantes fantasiam-se de um cortejo real pelas ruas de Pirenópolis segue até a matriz, repetindo a celebração nas cortes ibéricas. São dois meses de eventos, realizados na cidade e no campo, desde a quaresma. O conjunto de elementos religiosos e profanos da festa foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Imaterial do Brasil.A encenação medieval termina com a conversão dos mulçumanos ao cristianismo e foi introduzida no Brasil pelos colonizadores para facilitar a catequese dos índios, escravos e gentios. Como acontece com as festividades populares, as cavalhadas estão associadas a uma celebração religiosa ou cívica. Em Goiás, as simulações das batalhas medievais sucedem o Pentecostes, ou a Semana da Pátria, ou a festa da Nossa Senhora da Penha, celebrada no dia 8 de setembro. Mas em alguns casos as simulações de realidade étnica têm objetivos escusos.

Festival pretensamente “étnico” esconde fraude e manipulação identitária em Santarém.

Enquanto no resto do Brasil, o resgate das raízes culturais não gera senão diversão e entretenimento, em Santarém e em outros municípios do Norte e Nordeste, iniciativas de verdadeira reengenharia social, utilizam agora as festividades juninas para, detrás da tão afamada bandeira do “resgate das raízes culturais” esconderem uma condenável iniciativa de implantar e disseminar supostas “tradições étnicas”pretensamente “quilombolas e indígenas”, até então inexistentes nas comunidades da região do Planalto Santareno e do Lago Maicá, na tentativa de criar fronteiras étnicas artificiais com a intenção espúria de legitimar uma agenda de reivindicações e demarcações territoriais ilegais.

O evento fraudulento ao qual me refiro aqui foi o “Primeiro Festival Afroindígena do Planalto”, promovido por esforço conjunto de ONGs e associações do aparato indigenista no sábado dia 15.06 na comunidade não-indígena de Ipaupixuna. O evento foi projetado por engenheiros sociais para esconder uma estratégia etnicizante que tem por objetivo final atacar as propriedades privadas no Planalto paracriar pretensos territórios “étnicos” e assim impedir o plantio da soja e as iniciativas de desenvolvimento na região.

O fato de ter sido o primeiro “Festival Afroindígena do Planalto” comprova que não se trata de uma tradição, nem mesmo de um festividade cultural. A verdade é bem mais dura: o evento foi puramente um ato de propaganda etnicizante para conformar uma opinião pública favorável à suposta identidade “afroindígena”. Fazem isto por meio de armadilhas emocionais e sensoriais: a pretensa cordialidade, o tom descontraído do festejo, a musicalidade, o movimento colorido das danças ditas “afroindígenas”, as lindas fantasias indígenas, as pinturas corporais, a encenação do ritual e até a sonoridade das palavras tupi mais evidentes na culinária e no nome da comunidade Ipaupixuna (não por acaso escolhida para acolher o festejo) conferem alguma áurea ou percepção de aparente alteridade ou diferença cultural. Mas é uma encenação fake. É um festival fake. É uma peçade engenharia social criada para enganar e dissimular por isto, foi pensado para ser belo, agradável e atrativo, justamente porque a beleza e a amabilidade são os instrumentos de distração para a propagação da estratégia de engodo pretendido: o Festival pretensamente “étnico” é artimanha que integra a estratégia de manipulação identitária visando angariar suporte e legitimidade social para dar continuidade ao processo de fraude étnica que tanto já avançou, chegando até os últimos estágios da identificação territorial.

A estratégia é muito engenhosa e nas últimas três décadas foi eficazmente aplicada em outras regiões do país com louvor. Até pouco tempo, mesmo havendo consenso popular acerca da fraude, não havia quem denunciasse a prática expondo-a devidamente como fraude, condenando publicamente a iniciativa. Grande parte da população santarena sempre soube que esta e outras encenações escondiam fraudes. As fantasias, pinturas, coreografia e rituais encenados neste caso são peças de propaganda étnica planejadas, com a intenção de enganar os santarenos mais inocentes e desavisados que alinham-se à estratégia indigenista. Todos os santarenos bem informados, sabem da fraude e compartilham o pensamento para seus familiares e amigos mais íntimos. Até agora, poucos cientistas sociais tinham condições reais de saber e os ditames do pensamento politicamente correto criaram contudo um impedimento real para que poucos desconfiassem e ninguém o fizesse. Em 2019, este cenário mudou.

Este antropólogo e consultor auxiliará a comissão especial da Câmara Municipal a investigaros agentes, os financiadores, as verbas e os perigos escondidos por detrás desta peça de propaganda etnicizante e sua agenda oculta para a região. A população santarena, que já paga milhões de Reai$ com o financiamento público desta fraude, terá reforço, informações e instruções para não continuar mais sendo vitimada por mais este golpe.

Um comentário em “Artigo – Quando o implante artificial de “raízes étnicas” serve à agenda de políticas segregacionistas – Parte II

  • 28 de junho de 2019 em 07:06
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    Matéria mal formulada sem associação com a história Santarena …pesquise mais pra fazer um trabalho que adequado a sua postura…E pare de perseguir esse povo a população Santarena tá cheia de sua mentirosas convicções …

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