Artigo – Campos de concentração também são uma página infeliz da nossa história

Por Oswaldo Bezerra

Quando se pensa em campos de concentração lembramos das construções desenvolvidas durante a Alemanha nazista, para aprisionar e promover o extermínio de judeus, ciganos e russos durante a Segunda Guerra Mundial.

Infelizmente, os campos de concentração existiram em todas as partes do mundo como Camboja, Estados Unidos e até no Brasil.
Os campos de concentração no Brasil eram áreas policiadas enclausuradas com dezenas de famílias estrangeiras. Durante a segunda guerra mundial, falar seu idioma natal já era garantia da punição. Reuniões eram proibidas, e as correspondências censuradas. Havia toque de recolher, racionamento de energia. Esse era o dia a dia dos supostos espiões de países inimigos.

No Pará também tivemos um campo de concentração, entre 1943 e 1945. No total foram 480 famílias japonesas, 32 alemãs e algumas italianas que foram levadas de toda Amazônia para Tomé-Açu. Para muitos imigrantes era até um alívio ir para o campo de concentração, assim se livravam de ter suas casas incendiadas e suas lojas saqueadas, principalmente em Belém. Além do Pará, milhares de pessoas de origem alemã, italiana e japonesa foram encarceradas em campos de concentração criados em mais seis estados brasileiros (PE, RJ, MG, SP, SC e RS).

Os campos de concentração brasileiros, da segunda guerra mundial, não foram, no entanto, os mais cruéis que tivemos no Brasil. Antes deles, no anos 30 do século passado, no estado do Ceará, existiram os campos de concentração para miseráveis.
A causa foi que em 1932, a situação da seca piorou e os retirantes chegavam a Fortaleza na esperança de dias melhores. Os jornais da época chamavam a atenção para o alarmante desembarque de flagelados.

Revoltas dos flagelados criou a imagem de pessoas ameaçadoras. As classes dominantes passaram a ter cada vez mais preconceito contra os migrantes.

A construção dos campos foi inserida na política de obras contra a seca. A proposta era salvar flagelados, oferecendo comida e assistência médica. O problema é que no Brasil, mesmo há cem anos , nada acontece como está no papel. Assim pessoas foram amontoadas sem a liberdade do ir e vir.

Ao todo, foram construídos sete campos de concentração no Ceará, lugares estratégicos para garantir o encurralamento do maior número de retirantes, (dois em Fortaleza e os outros em Ipu, Quixeramobim, Senador Pompeu, São Mateus e Crato). A população aprisionada foi de 73.918 pessoas. Lá foram confinados, vigiados e não podiam sair.

Como nas prisões atuais, havia um grande número de pessoas confinadas em um espaço que não comportava tanta gente. Aconteceu o inevitável, fome, multiplicação do número de doenças, epidemias e muitas mortes diárias. Em 1933, foram registrados mais de mil mortos, somente no Campo de Concentração de Ipu.

Em 1933, vieram chuvas junto com uma forte pressão da imprensa para o fim dos campos de concentração. Foram fechados os campos de concentração do Ceará, uma das páginas mais vergonhosas da nossa história.

RG 15 / O Impacto

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