ARTIGO – UM ATRAPALHADO PROJETO PARA O DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA

Por Oswaldo Bezerra

Uma região tão rica que suas descobertas quebram mercados, abriga a maior província mineral, contém a maior bacia hidrográfica e maior aquífero do mundo, possui a maior e mais densa floresta do planeta. Por outro lado, é o exemplo de subdesenvolvimento e de péssimas condições de vida para seus habitantes. Há muito tempo é um descaso de governo. Como deve ser planejado o desenvolvimento para a região amazônica, é a grande questão que desafia o governo brasileiro.

Finalmente surgiu um plano de desenvolvimento amazônico. O plano estratégico era também confidencial, até o vazamento na imprensa, nesta semana. Neste plano está um passo a passo de como dobrar o PIB da região e atrair capital. O denominado “Plano Rio Branco” que demonstra radicalidade, por isso sofreria uma enorme pressão dentro do Brasil e na política externa.

Foi assim que a Amazônia protagonizou a maior crise internacional no governo Bolsonaro até agora. Por causa do desmatamento recorde e das queimadas de grandes proporções, autoridades estrangeiras têm mostrado preocupação sobre a eficiência do Brasil em cuidar da maior floresta tropical do mundo.

Porém, este Plano nos faz pensar sobre a realidade da Amazônia e a necessidade de desenvolvimento sustentável. No Plano Rio Branco é inevitável a destruição de grande parte da floresta para explorar riquezas, extrair minério e implantar o agronegócio.

Para ter aporte de capital o plano prevê a facilitação da intervenção de megas corporações, fazer grandes obras, ocupar terrenos cultiváveis e atrair novos habitantes. É o projeto mais ousado para a região que se tem notícia, no entanto, a ação de “preservação” não faz parte do projeto.

Mais de 80.000 incêndios foram registrados no Brasil, cobrindo 1,8 milhão de quilômetros quadrados, o que significa a destruição de 24,3% da área que absorve 1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono. A causa foi o avanço da fronteira agrícola, autorizada por seus governos.

A floresta tropical deixará de ser o obstáculo ao desenvolvimento agroindustrial. O governo tratou de enfraquecer o sistema de controle do desmatamento e incentivou os interesses agroindustriais a expandir-se em áreas protegidas da floresta amazônica.

Menos de 40% da Amazônia brasileira é propriedade privada ou território não designado. Os 60% restantes são terras protegidas pelo Estado, constitucionalmente proibidas para venda. Dentro dela (14%) são destinadas reservas onde vivem um milhão de indígenas. Os interesses das transnacionais da soja, como Bunge, Cargill, Dreyfus e Archer Daniel Midland junto com proprietários de terras, empresários e grileiros, focaram nas terras dos povos indígenas, que possuem grandes recursos naturais.

Em agosto, o presidente Bolsonaro disse à publicação da Bloomberg que “há terra demais para tão poucos índios”. Emendou dizendo que “em algum momento no passado, a cavalaria americana foi competente porque conseguiu dizimar a população indígena, para que os americanos não tivessem esse problema em seu país”.

Bolsonaro talvez não saiba que a característica da floresta Amazônia não permite recuperação como os bosques dos EUA. Sua declaração sobre a cavalaria americana foi tomada como a senha para que grileiros desmatassem 4.200 hectares na reserva de Karipuna.

Na reserva do Vale Javari, onde vivem os indígenas que evitam o contato, foi morto a tiros o chefe da proteção ambiental da agência do Governo (Fundação Nacional Indígena, a FUNAI). De acordo com a internacional Global Witness 20 ativistas ambientais foram mortos no Brasil no último ano e mais quatro ataques foram realizados contra grupos de vigilância de desmatamento na floresta amazônica. Na última década foram mortas 300 pessoas ligadas as questões ambientais.

Para o governo brasileiro, todos os relatórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Serviço Nacional de Florestas são exageros e todos os incêndios estão sob controle. O governo também puniu com demissões quem divulgasse dados sobre o desmatamento da Amazônia.

Tudo isso se repetiu na Bolívia depois que do governo Evo Morales ter criado o plano de avanço da fronteira agrícola. O governo boliviano se esforçou bastante no combate ao incêndio. É claro que o fogo será extinto, mas os danos, devido ao plano de desenvolvimento dos governos brasileiro e boliviano à política extrativista já causaram sérios danos a Amazônia.

Há 150 anos, Touro Sentado da tribo Sioux, alertou: “Quando cortarem a última árvore, envenenarem o último rio e pescarem o último peixe, as pessoas perceberão que o dinheiro não pode ser comido”. O nosso grande desafio hoje é desenvolver a Amazônia sem matarmos todos os peixes, derrubarmos todas as árvores e o cidadão, ainda assim, ter dinheiro no bolso.

RG 15 / O Impacto

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