Participação de religiosos da região Oeste do Pará é destaque no Sínodo da Amazônia

Desde o domingo, dia 6, a Igreja Católica está realizando o “Sínodo da Amazônia”, evento que reúne no Vaticano aproximadamente 250 participantes – 184 bispos e 35 mulheres, sendo alguns destes da região Oeste do Pará. O evento deste ano visa discutir a situação da igreja na região amazônica, além de debater sobre meio ambiente e os povos indígenas – tudo relacionado aos nove países que compreendem territórios da região amazônica: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela e Suriname.

Além da Amazônia, serão discutidos outros temas, como a liderança das mulheres nas comunidades cristãs, a falta de padres, o diálogo com evangélicos e outros grupos religiosos.

Um dos participantes do Sínodo é padre José Boeing, da Sociedade do Verbo Divino. O verbita trabalha há 28 anos acompanhando os defensores dos direitos humanos e está atualmente trabalhando na Prelazia de Itaituba. Segundo ele, o evento tem transcorrido de forma tranquila e o Papa Francisco definiu bem o que deve ser abordado ao longo do encontro.

“O Papa levantou quatro grandes temas que estão sendo trabalhados nesse sínodo. Primeiro a Pastoral: quando ele fala em ‘coração cristão’, está se referindo à pastoral, é a missão, a evangelização, ser discípulo e missionários na escuta do clamor dos povos e na evangelização. O segundo grande tema que ele destaca é a questão social, com a sua realidade desigual onde existe tantas injustiças e impunidades. O terceiro é a questão cultural, porque é em respeito aos povos. E o quarto é o ambiental. Isso mostra que o Sínodo trabalha da igreja para a Igreja, é interno, mas é um trabalho social, cultural e ambiental”, comenta padre José Boeing.

Como a maior parte da floresta está no Brasil, o sínodo terá muitos participantes brasileiros. O mais importante deles é o relator-geral, responsável pela redação dos documentos, o cardeal Dom Claudio Hummes. De acordo com a Igreja Católica, faltam padres, as distâncias entre as comunidades são longas e a carência de serviços públicos acaba fazendo com que a Igreja assuma papéis de assistência social.

A função do Sínodo dos Bispos não é propor soluções técnicas. A ideia é apresentar princípios para que os envolvidos busquem as soluções. O principal alvo das propostas do Sínodo são os próprios participantes, líderes da Igreja na região amazônica.

 “Existe um temor interno que muitas coisas não possam avançar, mas o Papa disse por isso necessitamos de muita oração, reflexão e discernimento, além de acima de tudo espírito de fraternidade. Esse é um clima saudável entre todos, e estamos muito confiantes de um grande trabalho, mas precisamos de muita profundidade e oração”.

Outro que participa do evento é padre Odirley Maia, administrador da Diocese de Santarém. Segundo ele, este é um momento singular, que deve refletir completamente no modo como a igreja atual dentro da Amazônia.

“Participar do Sínodo é um momento de diálogo, de unidade, de comunhão com toda a Igreja. Mesmo sendo um evento para padres da Pan-Amazônia, aqui toda a igreja está reunida para refletir sobre a região, devido a importância de encontrar novos caminhos para dar continuidade à evangelização na Pan-Amazônia”, contou.

SOBRE O SÍNODO: O evento, na verdade, serve para que o Vaticano possa ouvir a opinião dos fiéis sobre assuntos específicos, através de questionários conduzidos pelos 250 bispos participantes, e tomar decisões a partir desses consensos.

Em 2014 e 2015, o Sínodo teve como tema “Os desafios Pastorais no contexto da Evangelização”, e abordou temas como divórcio, contracepção e a união entre casais homoafetivos na Igreja. No ano passado, os cardeais discutiram “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

O objetivo de um Sínodo é discutir como a Igreja Católica pode intervir em determinados conflitos, assim como adequar suas diretrizes em lugares onde haja dificuldade de converter novos fiéis e disseminar os ideais católicos. Entre os pontos a serem debatidos estão:

  • A complexa situação das comunidades indígenas e ribeirinhas, em especial os povos isolados;
  • A exploração internacional dos recursos naturais da Amazônia;
  • A violência, o narcotráfico e a exploração sexual dos povos locais;
  • O extrativismo ilegal e/ou insustentável;
  • O desmatamento, o acesso à água limpa e ameaças à biodiversidade;
  • O aquecimento global e possíveis danos irreversíveis na Amazônia;
  • A conivência de governos com projetos econômicos que prejudicam o meio ambiente.

CRÍTICAS AO SÍNODO: Autoridades do governo federal brasileiro se manifestaram contrarias à realização do Sínodo. Segundo o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, uma possível interferência de estrangeiros nas questões amazônicas incomoda a administração presidencial.

Em fevereiro deste ano, o GSI admitiu preocupação funcional com alguns pontos da pauta do sínodo sobre a Amazônia. Segundo o órgão governamental, Partes dos temas do evento tratam de aspectos que afetam a soberania nacional Brasileira. O GSI negou, no entanto, que a Igreja seja alvo de investigações da inteligência.

“Sabemos que tem muitas pessoas que tentam se opor a esse espírito missionário, que é o novo caminho. A periferia chegou ao centro, ou seja, a Amazônia está no centro da igreja, em Roma, refletindo sobre o que é ser missionário na zona panamericana”, finaliza o padre José Boeing.

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