Artigo – A próxima recessão econômica não será tão ruim quanto 2008?

Por Oswaldo Bezerra

A grande mídia de massa, e seus analistas, garantem que não há com que se preocupar e que haverá um final feliz para a economia global. A CNN publicou recentemente o artigo intitulado “nem todas as recessões são uma crise e a próxima não será tão ruim quanto 2008”. Eles têm uma bola de cristal ou enxergam o mundo através de lentes coloridas?

Afinal, nos EUA não havia um presidente que corresse o risco de impeachment em 2008. Na Europa, eles estão lidando com o drama interminável do Brexit. Na China, a guerra de impostos corrói sua economia além dos protestos de Hong Kong criando instabilidade. O Oriente Médio se tornou terra da guerra sem fim. A América Latina está em convulsão, em uma trajetória forçosa de presidentes fantoches e até sofrendo embargos econômicos.

Para piorar as coisas, os padrões climáticos globais estão se tornando cada vez mais instáveis. As colheitas estão tendo problemas na maior parte do mundo. No Brasil, por exemplo, a aprovação do uso de agrotóxicos, proibidos no resto do mundo, trará graves consequências com custos com saúde e de embargos.

Nem todo crescimento econômico gera desenvolvimento econômico. Também, às vezes, a economia pode crescer durante uma recessão. De fato, alguns economistas acreditam que o mundo já está em recessão agora, mas a maioria das pessoas nem percebe. Não seria ótimo se pudéssemos passar pela próxima recessão sem sequer perceber, como ocorreu no Brasil em 2008. Segundo a CNN, é provável que estejamos caminhando para uma “recessão de crescimento” em vez de uma recessão na qual teríamos milhões de empregos perdidos como a última recessão.

A CNN prega que, nos Estados Unidos, uma recessão de crescimento global, provavelmente, se traduzirá só num crescimento lento. Isso em nada se parecerá com a crise de 2008 quando os Estados Unidos entraram na chamada recessão técnica. A mídia de massa podem ser otimista, mas as coisas podem ser bem diferentes.

A realidade está dando provas de que o mundo está muito mais vulnerável economicamente que em 2008. O Dow Jones Industrial Average é quase o dobro, como foi no auge da bolha que estourou durante a última crise financeira. Ou seja, os preços das ações estão absurdamente inflados demais e, em algum momento, haverá uma implosão drástica.

O crescimento dos preços das ações foi impulsionada por empresas que, supostamente, valem bilhões de dólares, mas que, na verdade nem dão lucro. É o caso da UBER, que também lembra o caso da superestimada, mas deficitária, OGX de Eike Batista.

Segundo Michael Snyder, autor do Livro “End Of The American Dream” o grande exemplo da atualidade é a empresa WeWork. Empresa constantemente com hemorragia, mas que supostamente valeria 47 bilhões de dólares. Recentemente, está sendo relatado que o WeWork valeria apenas 8 bilhões de dólares. Como o WeWork está ficando sem dinheiro, o SoftBank Group orquestra um plano de resgate para a empresa, que pode ser avaliado abaixo de US $ 8 bilhões, informou a Bloomberg.

Para se entender, o valor de US $ 8 bilhões é uma fração pequena da avaliação de US $ 47 bilhões que a WeWork coletou do SoftBank. O plano de resgate também ocorre depois que os negócios de compartilhamento de escritórios acionaram o IPO, causando a queda dos títulos da empresa. Como uma empresa perde 39 bilhões de dólares em valor em menos de um ano? Na verdade, nunca valeu 47 bilhões de dólares, em primeiro lugar, e é bem provável que seu valor real seja próximo de zero.

Bolsas de valores como Wall Street se tornaram um teatro para o absurdo e deve desmoronar espetacularmente. Portanto, é melhor esperar que as coisas não se materializem tão ruins como se parece. Imagine tudo isso somado a crise em que o Brasil se encontra. Estaríamos em uma desgraça colossal, diferente de tudo que o mundo já viu antes.

A verdade é que o ambiente em que a economia global opera é muito mais instável, hoje, do que em 2008. Não será preciso muito para nos levar ao pesadelo econômico. Os temores da recessão estão aumentando. Só as lembranças de americanos e europeus da última crise criam pânico. Naquela ocasião, milhões de pessoas perderam o emprego, o crescimento do PIB despencou e muitas empresas fecharam.

RG 15 / O Impacto

 

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