Após prisões de acusados de matar por lotes do Incra, delegado diz sofrer perseguição

“Quem teme é porque deve. Se você deve, não tenha somente respeito por mim, tenha medo, porque ainda vou te pegar” assim o delegado de Polícia Civil, Francimar desabafou em trecho de um vídeo publicado na internet.

Titular da Unidade Integrada Pro Paz (UIPP) do distrito de Castelo dos Sonhos, município de Altamira, a autoridade policial diz, que devidos aos trabalhos de combate aos crimes relacionados à grilagem de terras, entre outros, sofre retaliações, segundo ele, orquestradas por aqueles contrários às investigações de grilagem terras, crimes ambientais e mortes relacionadas a conflitos agrários.

No dia 10 de outubro, o delegado deflagrou operação que culminou na prisão de três pessoas. Entre os presos, Raimundo Barros Cardoso, conhecido pela alcunha de “Dico”, que atualmente é presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (SINTRAF) e Roberto Aparecido de Passos, que exerce a função de chefe do Departamento de Regularização Fundiária do Município de Novo Progresso. As prisões aconteceram no bojo do inquérito policial que apura a morte do colono Antônio Rodrigues dos Santos, conhecido popularmente por “Bigode”, que encontra-se desaparecido desde o mês de maio de 2018, quando saiu para trabalhar em uma fazenda, e não retornou a residência. Segundo testemunhas, antes de desaparecer, Antonio teria realizado denúncias sobre a invasão do seu lote por terceiros, que estavam desmatando a área situada dentro do Assentamento Terra Nossa, oeste do Pará.

De acordo com o delegado, as situações de perseguições e ameaças, ficaram mais latentes no ano de 2018, devido às investigações sobre o homicídio que vitimou o líder sindical conhecido por “Alenquer”.

“Foi desenvolvida investigação que chegou aos autores, sendo que alguns foram presos em flagrante na data do fato. Posteriormente descobrimos que não era um caso à parte. Tratava de um grupo que agenciava pistolagem na região. Primeiro fato ocorreu na fazenda Serra Azul, onde por determinação da Justiça, houve reintegração de posse, no entanto, algumas pessoas recrutadas por uma líder sindical, chamada Silvanira, mesmo sabendo da determinação judicial, desobedeceram. Entraram, lotearam, efetuaram derrubadas e queimadas, e depois venderam os lotes. Tudo foi formalizada e comunicado à Justiça, inclusive foi efetuada a prisão da Silvanira, do Goiano e do Tonhão, que monitorava a entrada dos caminhões responsáveis pela retirada de madeira na região. Já no ano de 2019, neste mês de outubro, desenvolvemos outra investigação, de um caso de desaparecimento, do senhor Antonio Rodrigues Santos, conhecido como Bigode, que já está desaparecido há mais de um ano. Entramos com o pedido de prisão temporária de alguns indivíduos, e foi decretada pelo judiciário. No entanto, devido a toda essa situação, esse delegado vem sofrendo algumas retaliações” informou Francimar.

Para o delegado, as pessoas que conhecem seu trabalho, sabem que sempre busca pela justiça, e por isso esteja indo de encontro aos interesses de terceiros.

“Alguns políticos que incentivam esse tipo de crime na região tentam difamar a minha imagem. Já tentaram me remover algumas vezes. Graças a algumas pessoas do bem, eu consegui ficar na região. Mas eu tenho certeza de uma coisa. O governador Helder, o delegado de Polícia do Interior, o delegado geral, e nosso Superintendente, sabem do meu trabalho, sabem que sou uma pessoa correta, e toda população da região sabe que não busco prejudicar. Então, vai o meu recado para as pessoas que estão querendo me prejudicar. Todos aqueles que tentam me difamar. Se eu cometi alguma coisa. Se eu me corrompi, me denuncie! Eu não tenho medo de ameaças. Não tenho medo desses tipos de condutas. Então, esse recado vai para as pessoas que tentam de alguma forma me ameaçar, me intimidar. Não tenho medo de intimidação. Sou delegado de polícia. Faço o que é certo. Então, se alguém usar meu nome, se eu fizer alguma coisa irregular, denuncie! E quem souber de pessoas que usam meu nome, denuncie também. Porque eu não tenho medo de procedimento. Eu tenho certeza do que eu faço, e do que eu fiz. Esse recado vai para as pessoas que tentam me prejudicar”, finalizou o delegado.

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