Artigo – Todo cuidado com Gringo é pouco

A palavra “gringo” é referenciada a uma história ligada aos mexicanos que pediam para os soldados americanos invasores, que usavam fardas na cor verde, ir embora de sue país. Arrastando um inglês eles diziam: Green, go! Queriam dizer: Ei de verde, vá embora!

Com o tempo as duas palavras foram aglutinadas e se tornaram referência aos americanos, em toda a América Latina, como “Gringo”. O Brasil hoje está totalmente alinhado com os EUA, somos o “capitão do mato” dos EUA da América do Sul. Assim temos a permissão dos gringos, que ainda teimam invadir os países  ao sul da sua fronteira.

O Governo brasileiro, que já toma forma de um Estado absolutista imposto pelo GSI, ataca jornalista, autoridades jurídicas, policiais e funcionários públicos. Faz o mesmo com governos de outros países não alinhados, com ameaças e infâmias, violando os elementos normativos diplomáticos. Três dados centrais permitem concluir esta premissa.

O primeiro é a reação do presidente Bolsonaro ao triunfo eleitoral do peronismo na Argentina. O segundo é querer aprovar acordos para o futuro do Mercosul. Por fim, no giro da Ásia e no Oriente Médio, mostrou afinidade com a Arábia Saudita, o principal aliado de Washington no mundo.

Bolsonaro aplica mínimas normas diplomáticas e critica frontalmente a vitória de Alberto Fernández. Já o chanceler brasileiro foi mais longe. Afirmou que as forças do mal venceram na Argentina. Fernández, por isso, não foi mais diplomático, no seu discurso inicial da vitória nas eleições pediu Lula Livre! Este choque de presidentes não reflete nada positivo para as relações bilaterais e para o Mercosul. Carlos Bolsonaro, que é uma espécie de comunicador informal do governo, afirmou da possibilidade de retirar a Argentina do Mercosul. É pior para a indústria brasileira.

O governo brasileiro adota uma ação anormal na região, inclusive para os mais conservadores.  Segundo o jornal El País, o chanceler enviou instruções diplomáticas para promover uma reunião das Nações Unidas para atacar Cuba, e contra a opinião de seus diplomatas.

É uma profunda hipocrisia dizer que Maduro é um ditador, mas abrace o príncipe saudita e dizer que tem afinidade com ele. O príncipe ordenou a morte e o esquartejamento de um jornalista. Talvez foi devido à promessa de investimento de 10 bilhões de dólares.

É bom lembrar que os Gringos sempre se opuseram a aliança entre países sul americanos. Só admitiram o Mercosul, mas muito a contra gosto, por se tratar de uma aliança apenas comercial. Sempre estiveram de olho em uma possível aliança entre o Brasil e Argentina para bloqueá-la de imediato. Deste modo, com os presidentes mais submissos que a América Latina já produziu Macri e Bolsonaro trataram de destruir a UNASUL. Agora os gringos estão contentes com o estremecimento do Mercosul.

O Brasil se voltou ao oriente já que se tornou atrativo para investimento, desde a medida que derruba as barreiras ambientais e trabalhistas, e facilitou a entrada na sensível questão do óleo e gás, e pelas inúmeras privatizações no Brasil. Só com petróleo pretende arrecadar 350 bilhões de dólares. É o plano da profunda desnacionalização do país, para obter os fundos necessários para superar uma crise econômica que se arrasta há cinco anos. Contudo, é com os EUA que se pretende fazer a maioria dos negócios, já que a visita à China não se mencionou investimentos.

Por último, o Governo do Brasil está se preparando para um segundo encontro com o presidente Donald Trump, em novembro. A ideia é discutir as relações diplomáticas e consolidar o Palácio do Planalto como o “Capitão do Mato” da América do Sul, diante de processos complicados nos vizinhos sul americanos: Chile, Bolívia e Venezuela.

A nova visita de Bolsonaro aos EUA, é iniciativa dos senadores republicanos Marco Rubio e Rick Scott. Eles querem recuperar o terreno perdido na década progressista da América do Sul, entre 2003 e 2015, para isso precisa de aliados fortes.

O Chile, que durante décadas foi o aliado mais estável de Washington na região, está em guerra contra o neoliberalismo, é um sinal de alerta para a diplomacia da Casa Branca. Nesta nova opção, Brasília aparece como um aliado mais confiável para impor os interesses do capital financeiro dos gringos.

Em troca da entrada na OCDE, o Brasil se ofereceu o papel de “Capitão do Mato” da América do Sul. Ofereceu cotas para o trigo americano, que foi um golpe baixo com a Argentina, nosso tradicional vendedor. Ofereceu cota para o etanol americano, que desagradou produtores do Nordeste brasileiro, que consideram desleal a competição com os americanos. Ofereceu a base de alcântara. Ofereceu isenção de visto para turistas. Ofereceu abdicar do status de país em desenvolvimento nas negociações junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além do impacto direto nas futuras negociações comerciais brasileiras, essa decisão afetou a relação com países do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul. Isso porque essas nações vão acabar sendo mais pressionadas a abrir, também, mão do tratamento diferenciado. E a Índia já está retaliando o Brasil. Na OMC, a Índia já vetou a nomeação de um embaixador brasileiro para negociar questões na área de pesca. Foi um veto ligado exatamente a essa negociação entre os Estados Unidos e Brasil pela entrada na OCDE.

Em contrapartida, ganhamos em troca dos gringos, a não entrada na OCDE, não retirada das Leis protecionistas do aço americano, que afeta diretamente o Brasil, a não retirada dos subsídios da soja americana que afeta nosso agronegócio. Como disse Putin, “Nas relações de países não existe amizade, sim interesses”. Ontem o Brasil foi surpreendido por mais uma medida protecionista americana, nos negaram a abertura para a nossa carne bovina in natura, comércio este que Bolsonaro achava que já estava acertado com Trump.

RG 15 / O Impacto

Um comentário em “Artigo – Todo cuidado com Gringo é pouco

  • 5 de novembro de 2019 em 12:28
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    Bozonaro aprendeu que não se pode dizer I Love you pra qualquer um….kkkkk

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