Artigo – A bolha soberana, inevitavelmente, estourará

Por Oswaldo Bezerra

A Dívida Pública Federal romperá a barreira de R$ 4 trilhões pela primeira vez na história. Não há alarde, não há atos políticos discursando sobre responsabilidade fiscal e houve pouca indignação nacional. Simplesmente, aceitamos que é normal que nossa dívida nacional cresça a uma taxa exponencial, mas a verdade é que estamos literalmente cometendo suicídio nacional.

 

Com o tempo suficiente, não há dúvida de que essa colossal montanha de dívidas matará nossa República e a responsabilidade fiscal não é mais uma questão nacional importante. Todo mundo parece estar bem com o fato de estarmos roubando mais de 54 milhões de reais a cada hora das futuras gerações de brasileiros, e destruindo o futuro brilhante que eles deveriam ter. O que estamos fazendo com nossos filhos e netos é ato criminoso, e ninguém parece se importar.

 

Durante este ano, até hoje, o governo já gastou mais de 470 bilhões de reais só com o juros da dívida. Com este valor se poderia, por exemplo, construir 500 mil escolas. Poderíamos criar mais de 7 milhões de casas populares. Também poderíamos pagar mais de 650 milhões de salários mínimos, ou conceder 1,7 bilhões de bolsas famílias. Também poderíamos criar 290 mil km de rodovias.

 

O orçamento de 2019 revela que o rombo está no gasto com a dívida pública. Mas na falta de recursos para o pagamento de juros (despesa Corrente), os rentistas não ficam prejudicados pois, estão sendo emitidos e vendidos novos títulos da dívida e, para driblar a proibição constitucional (Art. 167, III), grande parte dos juros é contabilizada como se fosse amortização.

 

Desde 2016 foram feitos 12 cortes da taxa de juros (SELIC), deixando ao banco menos espaço para baixar, ainda mais, as taxas em caso da recessão mundial que se avizinha. Quando uma grande desaceleração econômica atingir o mundo, a quantidade de intervenção possível será mais limitada.

 

Desde 2016, mais de 250 bilhões de reais são incrementados a dívida nacional todos os anos. Isso é insanidade absoluta. Quando o governo federal empresta dinheiro que não possui e gasta na economia, isso aumenta a atividade econômica. Mas, ao mesmo tempo, torna nossos problemas financeiros de longo prazo ainda piores.

 

Caso voltássemos no tempo e retirássemos da economia 1 trilhão de dólares. que o governo federal adicionou, à nossa dívida nacional, desde o golpe de 2016, estaríamos na mais profunda depressão econômica brasileira. Portanto, todo esse gasto imprudente nos impediu de sofrer um desastre econômico ainda maior, com a desastrosa Operação Lava Jato, mas preparou o cenário para algo ainda pior, quando essa bolha finalmente explodir. No acumulado dos últimos 12 meses, o deficit orçamentário do governo federal foi de R$ 125 bilhões.

 

E este é apenas o começo dos nossos problemas. À medida que nossa população envelhece, o SUS e outros programas sociais tornar-se-ão rapidamente mais opressivos. Os consumidores também têm enfrentado tremendo endividamento nos últimos anos, e acabamos de saber que era de 59%, em 2018, subiu este ano para 64%. Sendo que do total, 61% é irrecuperável. A dívida das famílias está prestes a ultrapassar a marca de 3,2 trilhões de reais.

 

Estamos nos estágios finais da maior bolha de dívida da história do mundo. Sabemos que este capítulo de nossa história vai terminar muito mal. Então, por que continuamos piorando as coisas? Claro que não é apenas o Brasil que está se afogando em dívidas. Segundo o FMI, a crise da dívida global atingiu proporções épicas e históricas. Agora são R$ 752 trilhões, o que representa mais do que o dobro de toda a produção econômica de todo o planeta.

 

A carga da dívida global subiu para um novo recorde de cerca de 230% da produção mundial, disse a chefe do FMI, Kristalina Georgieva, de acordo com um relatório do Daily Mail. Toda a estabilidade econômica do mundo está pendurada por um fio. A maioria das pessoas não entende que o sistema financeiro global foi literalmente projetado para criar o máximo de dívida possível e assim criou a maior bolha de dívida que o mundo já viu.

 

Os EUA também chegaram, hoje, na marca da impagável dívida de 23 trilhões de dólares. Joseph Zidle, estrategista da Investimentos Blackstone, chamou a “dívida soberana” do governo americano de “mãe de todas as bolhas”. No Brasil, a nova PEC do governo pretende derrubar gastos com saúde e educação para direcionar o dinheiro para pagamento de juros da dívida. Parece que a única preocupação do governo é pagá-la. Mesmo assim, é certo que a bolha da dívida soberana vai explodir, inevitavelmente, e causará um colapso muito maior que o de 2008.

RG5/O Impacto

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