Artigo: Para que não sejamos mais como meninos

Por Oswaldo Bezerra

É inadmissível que homens se comportem como meninos. Pior ainda, quando estes se tornam dirigentes. Neles reflete a inconstância personalizada. Nada mais decepcionante de ver homens com atitudes imaturas, pois sabemos que ali se encontra alguém confuso. Não poderemos confiar a estes tipos de líderes projetos grandiosos, muito menos potências mundiais. Ontem, com a presença dos líderes mundiais de 4, das 5 maiores potências do mundo, ocorreu o encontro dos BRICS.

Entidade esta criada por Vladimir Putin, como uma maneira de contrapor o poderio militar, econômico, financeiro, comercial e político dos EUA. Putin, que pegou uma Rússia destroçada, levantou a nação e se tornou o homem mais poderoso do mundo, segundo a FORBES. Caso você analise friamente o discurso de Vladimir Putin, geralmente espontâneos, com o discurso de Bolsonaro, você entenderá a linha que separa homens de meninos.

O Brasil, por ser uma potência mundial foi inserido neste grupo. Na estratégia montada pelos russos, as 4 maiores potências mundiais mais a África do Sul se complementam. Assim, os BRICS se tornam auto-suficientes. Com bases socialistas, o grupo conta com a China que entram com tecnologia, a África do Sul entra com recursos minerais estratégicos, a Índia com tecnologias na área da saúde e da Física, a Rússia com energia e, o Brasil como a matriz de alimentos, independente de que tipo de governo interno estaria no poder.

O que chamou muito a atenção, no discurso do presidente Jair Bolsonaro, foi o fato de ser um discurso irreconhecível. Muito diferente do que ele costuma fazer. Por exemplo, não fez nenhuma referência em combater comunistas, usual em suas falas. Talvez agora ele tenha descoberto que a China, com a economia mais consolidada do mundo e, nosso maior parceiro, seja comunista.

A China é um país que se auto concebe como comunista, com suas 150 mil estatais, e com comitês do partido comunista instalados dentro das empresas privadas. Na China, que possui partido único, o comunista, não há despreparados na administração do país. Lá não entra o neoliberalismo imputado pelos EUA, nem suas redes sociais, ferramentas de lavagem cerebral. A China é fechada para muitas coisas, por questões estratégicas. A China investiu maciçamente em infraestrutura e educação. Lá são formados milhões de doutores todos os anos.

Por outro lado, a Rússia possui uma dívida externa muito pequena em relação ao PIB, apenas 13%. Por isso, o país tem muito mais dinheiro para investimento dentro do país do que o Brasil. Ao contrário do Brasil, que tenta acabar com cursos superiores da área de humanas, a Rússia investe muito neste campo do conhecimento. É para tornar sua população com mais elevado pensamento crítico. A Rússia possui mais recursos também para investir em defesa militar, e junto com a China e a Índia são as maiores potências nucleares do mundo.

Tão usual em seus discursos a citação ao foro de São Paulo, desta vez sumiu. Talvez alguém tenha falado que o foro de São Paulo é fichinha, em relação ao foro de Pequim. Bolsonaro suprimiu do discurso o de não fazer o politicamente correto, não falou mal de Cuba.

Contudo, o Brasil segue fazendo parte do vergonhoso bloqueio de Cuba, devido a “vassalgem” pessoal e política do presidente. Ano que vem, o Brasil ficará em posição delicada com os EUA por negócios com a China. O ministro Paulo Guedes pretende criar área de livre comércio com a China.

O ministro, em sua fome entreguista, parece que ainda não percebeu o perigo de fazer livre comércio com a China. Entregaremos todas nossas estatais a eles e iremos falir o que resta das nossas indústrias nacionais. A China é aparelhada tecnologicamente e com infraestrutura, assim irá competir com nossas empresas de forma desigual.

Importamos tecnologia da China em 97% do total do comércio. Exportamos apenas commodities. Ano que vem o Brasil fará o leilão da tecnologia 5G, vetado nos EUA, por eles não dominam esta tecnologia. Com certeza, a China ganhará este leilão e criará um problema a mais de relacionamento entre o Brasil e EUA.

Em reunião fechada com o mandatário chinês, o presidente Jair Bolsonaro de joelhos se retratou de todas as besteiras que falou do país asiático. O pedido de desculpa visava os investimentos chineses. Depois disso, a China aprovou investimentos no Brasil na ordem de 100 bilhões de dólares, do seu fundo estatal para infraestrutura no país. Bolsonaro prometeu não entrar na guerra comercial entre os EUA e China.

O discurso irreconhecível de Bolsonaro também refletiu nas 71 resoluções da nota final do BRICS. Parece que acabou a arrogância juvenil do presidente do Brasil. Não sendo mais como os meninos, esperamos que nosso presidente faça valer nossa condição de potência mundial e, traga bem estar e prosperidade ao povo brasileiro.

RG 15/O Impacto

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