Artigo – Doutora Ctr+C Ctrl+V é o máximo que nossa Educação pode produzir?

Por Oswaldo Bezerra

O episódio coma a juíza Gabriela Hardt põe em dúvida a nossa Educação. É tão ruim assim, não conseguimos gerar nem Juiz Federal capaz de produzir peça processual? A Doutora, como gosta de ser chamada, teve sentença anulada por, descaradamente, copiar trechos de outra peça processual, sem fazer referência. Além disso, cometeu erros primários ao citar duas testemunhas que eram a mesma pessoa. Em 1995, enquanto eu fazia Mestrado na UNICAMP, testemunhei dois professores da USP demitidos por plágios de teses de Doutorado. Recentemente, a jornalista Joice Hasselmann foi punida por plagiar 65 reportagens, só em um mês.

Será se tudo isso é culpa da nossa Educação. Elas são as culpadas de produzirmos tão maus profissionais assim? E, se verificarmos nossa Educação básica o que os números nos dirão? Na avaliação do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que mediu 70 países, somos um dos últimos colocados.

Nem o dever de casa estamos cumprindo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) não cumprimos nem nossas metas mais básicas. Pra falar a verdade, só Cuba em toda América Latina cumpre todas os seis objetivos da Educação.

Vendo estes dados nos vem aquela velha síndrome de vira-lata. Aquela mesma que a imprensa corporativa adora que sintamos. Então é bom refletir através de nossas próprias experiências para entender a nossa realidade. Trabalhei por duas décadas em empresas multinacionais da indústria do petróleo.

Estas empresas possuem programas para pegar os melhores alunos das melhores universidades. Eu entrei no ramo por estar uma base da Petrobras em Belém, e a empresa Baker Huges Inteq precisava de alguém com conhecimento em Geologia, Geofísica e Agrimensura. Por isso, que é bom que tenhamos boas estatais no Brasil, principalmente, no Pará.

Nestas empresas, todo ano nós precisávamos ir até Houston no Texas, geralmente, para fazer cursos de atualização ou para aprender novas tecnologias que, nunca param de surgir. Na entrada dos cursos em Houston, todos os Engenheiros, Geofísicos e Geólogos já assinávamos o termo de demissão, caso ficássemos reprovados. A nota mínima para passar era 8. Não era incomum ver pessoas muito tristes saírem demitidas ao final do curso, a maioria era de americanos e mexicanos.

Nas salas de aula você encontrava uma torre de babel. Os funcionários eram de diversas nacionalidades como árabes, russos, chineses, norte americanos, ingleses, franceses, mexicanos, escoceses, venezuelanos, alemães, noruegueses, nigerianos e claro, brasileiros. O que sempre me chamou a atenção nestes cursos é que, por via de regra, nós os brasileiros sempre tirávamos as melhores notas.

Claro, todos nós os Engenheiros, Geofísicos e Geólogos brasileiros tínhamos uma coisa em comum. Nossas formações foram em instituições de ensino federal. Felizmente, eu tive uma excelente Educação básica. Estudei em uma Escola que obtinha ajuda financeira do consulado francês e pertencia ao Ministério da Aeronáutica, na época. Então recurso financeiro não faltava.

Depois tive um excelente ensino médio também. Estudei em uma escola Federal que, na época, se chamava Escola Técnica Federal do Pará. Quando fiz a ponte direta para a Universidade um professor me chamou a atenção, ali se estabelecia um problema. Eu, como aluno da Escola Técnica, representava um custo igual a 19 alunos da rede do ensino público municipal ou estadual.

Caso você busque referências sobre escolas federais você se surpreenderá. Os estudantes das escolas federais tem o mesmo desempenho que estudantes coreanos, finlandeses ou chineses. Aqueles estudantes que estão no topo do ranking da PISA. Opa! Nossa síndrome de vira lata já começa a se dissipar, mas nem tanto assim. Sabemos que em torno de 70%, dos alunos no Brasil, estão nas escolas municipais e estaduais aquelas sem estrutura adequada.

De tudo isso, uma coisa temos certeza, não é por causa de nossa Educação que temos maus profissionais. Os maus profissionais no fundo, são picaretas. Certo, a nossa Educação Básica vai mesmo mal. Falta estrutura em nossas Escolas das redes municipais e estaduais, pra que elas se equiparem as nossas poderosas Escolas Federais. Mesmo com todos estes problemas, nas redes públicas não federais existem escolas como a Escola Municipal Maria de Lourdes Almeida de Santarém que ganhou medalhas em olimpíadas internacionais de Matemática.

Talvez sejamos o povo mais inteligente do planeta. Para concretizar isso nossa Educação precisa ser reformulada. Precismos lembrar que existe uma correlação entre crescimento de PIB e colocação do país ao ranking do PISA. Só com saber poderemos sair da situação em que vivemos hoje, de baixo crescimento econômico, desemprego absurdo, com 13,5 milhões de pessoas na miséria e, muita criminalidade. Discordar disso é continuar no mau tom de congelar recursos para a educação. E, se ficar neste tom, a gente vai ter problema

RG 15/O Impacto

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