“PELO AMOR DE DEUS – NÃO ABANDONEM AS CRIANÇAS” (PELÉ -19.11.1969)

Hoje, 19.11.2019, cinquenta anos depois do 100º gol do Rei do futebol. Ou como disse Nelson Rodrigues, “O melhor do futebol do passado, do presente e do futuro”, Vou tentar reproduzir como ouvi, sim, ouvi, o milésimo gol do Pelé. Pois foi através das ondas do rádio, nessa data, o Jogo Santos e Vasco da Gama, o estádio do maracanã, (na sua forma original) pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa (antecessor destes montes de campeonato brasileiro).

Nessa noite eu me encontrava no trapiche de Santarém, (hoje apelidado de terminal turístico, que serve para atracar, como em toda orla santarena, barcos desses “armadores” que não querem pagar o serviço de capatazia). O rádio a pilha era o companheiro de catraieiros, carregadores, pescadores artesanais, artesões e passageiros, que aguardavam como eu, a chegada donavio da frota branca da SNAPP, (depois- ENASA) que estava “apontando” na “boca do Urubu”.

Isto porque naquela época não havia essas facilidades de comunicação que temos hoje, para registrar o horárioda chegadas dos navios, como nos dias de hoje. A chegada era calculado após, através da Rádio Rio Mar de Manaus, pela manhã, diariamente esta “dava”, “a Posição dos Navios da SNAPP”, e logicamente os catraieiros, pelas suas experiências, calculavam, empiricamente, e quase sempre acertavam, sempre com uma pequeníssima margem de diferença, para antes ou depois, a hora da chegada.

Pois bem! Eu estava lá com minha mala de couro, com poucos possuídos, para ir para Belém me apresentar na Marinha de Guerra do Brasil, e com as pessoas que citei acima, ouvimos o saudoso locutor Waldir Amaral, narrar o pênalti sofrido por Pelé. Houve uma paralisação do jogo. Até o árbitro (sem VAR) reorganizar para a cobrança do penal. O posicionamento do goleiro do Vasco, o argentino Andrada (falecido neste ano de 2019) narrar a ida do Rei Pelé para a Bola, fazer a sua famosa “paradinha”,bater e fazer o seu milésimo gol, a bola entrou lá no cantinho, e Waldir na narrativa eloqüente, falou entre outras frase disse: “ Tem peixe na rede do Andrada”, “Andrada o homem dos mil do rei Pelé”.

Pelé foi até o fundo das redes pegar a bola dos mil e carregado pelos braços de torcedores, radialistas, jornalistas, jogadores dos dois clubes, Pelé usou frases, pedindo apoio para as pessoas pobres, e uma que ficou marcada, foi esta que emprestei para o título deste texto. “PELO AMOR DE DEUS – NÃO ABANDONEM AS CRIANÇAS”

 Eu só fui ver essas imagens uma semana depois em Belém, onde havia televisão e as reportagens, ainda fresquinha sobre o gol 1000.

Mas, diga-me caro leitor, cinqüenta anos depois, o governo e o povo, deve ouvir, sonoramente, as palavras do Rei, como atuais? Pois ainda temos crianças, carentes, abandonadas, que antes trabalhavam como Pelé que foi engraxate, dentre outras atividades, aprendiam uma a profissão nas oficinas, hoje, por força de lei, ficam “vadiando”, e nas esquinas, periferias, nas praças, geralmente, ou quase sempre, praticando atos que a boa moral e a boa conduta humana condena. //// Dia 20.11.2019 – O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, ferido em alguns estados, precisa isso? Ou precisamos ter uma consciência só, de respeito a todos os seres humanos. Outra que me admiro é que os que lutam para acabar com uma discriminação, não lembram outros baluartes na luta pelos negros. Só o ZUMBI, por quê? Esquecem todos os anos do LUIZ GAMA, Nascido de mãe negra livre e pai branco, foi contudo feito escravo aos 10 anos, e permaneceu analfabeto até os 17 anos de idade. Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos cativos, sendo já aos 29 anos autor consagrado e considerado “o maior abolicionista do Brasil”. Nascido de mãe negra livre e pai branco,> 133 anos após sua morte, em 3 de novembro de 2015 a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo, concedeu-lhe o título de “advogado”, uma vez que não era formado e atuava como “provisionado” ou rábula. Então não só valeu ZUMBI, mas valeu também, LUIZ GAMA.////E a “cidade outra vez de embandeira” é a Círio da Padroeira dos católicos santarenos, Nossa Senhora da Conceição, que ela interceda junto ao nosso Pai Celeste e derrame sobre todos os santarenos, nascidos aqui, ou por adoção, as bênçãos, para uma vida feliz, de paz e bem.

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