Perigo – Falsas crenças levam a menor cobertura vacinal no País desde 2007

Uma parceria entre a ONG Avaaz e a Sociedade Brasileira de Imunizações mostra que 67% dos brasileiros acreditam em alguma fake news sobre vacinação. Foram 2 mil pessoas entrevistadas pelo Ibope e 48% delas afirmaram ter como principal fonte de informação as redes sociais. As fake news, maioria de origem estadunidense, têm impacto relevante sobre a saúde pública, contando que 57% dos entrevistados deixaram de se vacinar por conta de informações incorretas.

Em 2007, foi detectada, pela primeira vez, a queda da cobertura vacinal. Na época, dez das 27 capitais apresentavam o problema. Em 2016, observaram a diminuição de todos os tipos de vacinação para a população em seu primeiro ano de vida. Ana Marli Sartori, professora do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP, explica ao Jornal da USP do Ar que não era um problema de acesso, já que a classe A, economicamente privilegiada e com maior nível educacional, estava sendo a mais negligente.

Observando o contexto histórico, em 1982 a cobertura vacinal no Brasil era de 80%, aumentando para 97% em crianças de até 12 meses em 1993. No entanto, no ano de 2015, caiu para 77%. É um fenômeno mundial que tem sido observado em toda a América, porém, que apresenta riscos para a saúde global e para a eliminação de doenças, como é o caso do sarampo.

O sarampo havia sido eliminado na América, o Brasil inclusive foi certificado como país livre da doença em 2016. No entanto, como ainda circula em outras regiões, sempre há possibilidade de reintrodução, ainda mais com baixa cobertura vacinal, foi o que ocorreu nos últimos tempos. Foram 12 mil casos confirmados no Estado de São Paulo e 50 mil em todo o País.

Muitas pessoas têm medo de tomar a vacina devido a notícias falsas e mitos criados sobre ela. Ana Marli Sartori explica que há dois tipos de vacina: inativadas e atenuadas. A primeira é constituída por pedaços de vírus ou pelo vírus morto, como as de tétano e HPV, incapazes de causar a doença que previnem. A outra utiliza o vírus vivo de baixa patogenicidade, como do sarampo e febre amarela. Ela pode causar doença semelhante a que deve proteger, porém, de maneira leve. Todavia, são casos raros, o que torna a vacinação mais segura que a falta dela.

Diversas doenças foram erradicadas ou diminuídas ao longo dos anos, como a varíola e a poliomielite. Por tal motivo, algumas pessoas pensam ser desnecessário se imunizar. Na pesquisa, 31% dos entrevistados não se vacinaram por considerar desnecessário. A manutenção das vacinas é essencial para manter o controle das doenças infecciosas e, além disso, é preciso sempre checar as informações recebidas em sites confiáveis, como o do Ministério da Saúde ou de universidades que realizam pesquisas sobre o assunto.

Fonte: Jornal da Usp

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