Artigo – Quanto tempo demorará o pesadelo econômico pós pandemia?

Por Oswaldo Bezerra

Segundo a OIT, no mundo mais de quatro em cada cinco pessoas (81%), das (3,3) bilhões da força de trabalho, estão sendo afetadas pelo fechamento total ou parcial do local de trabalho. Do total, cerca de 1,25 bilhão de pessoas estão empregadas em setores considerados de alto risco de aumentos de demissões e de reduções de salários. Além dessas mais 2 bilhões de pessoas trabalham no setor informal (o mais afetado) e estão particularmente em risco de perda de sua renda.

Só nos EUA, em 7 semanas, foram perdidos 33,5 milhões de empregos, algo inédito na história dos gringos. O Departamento do Trabalho norte-americano contabilizou 3,17 milhões de empregos perdidos só na semana passada. A imprensa estadunidense já admite que milhões desses empregos não voltarão.

Uma das norte-americanas desempregada é moradora da Flórida. Seu nome é Roselande Guerrier. Ele informou que fica deitada na cama todas as noites, esperando o horário, pontualmente, de 7:30 da manhã. Este horário é quando o Escritório de Desemprego da Flórida abre. Então ela liga rapidamente para o departamento, procurando se inscrever para receber o auxílio-desemprego. Não adianta, o telefone com milhões de ligações ao mesmo tempo, dá sempre ocupado. Ela tenta dia após dia e ainda não obteve sucesso.

Então, por enquanto, ela ainda não entrou na estatística oficial dos desempregados. Ela também não tem mais nenhum tostão para dar de comer para os três filhos famintos. A senhora Guerrier, de 36 anos, passou 13 anos trabalhando em dois empregos. Trabalhava para dois hotéis.Perdeu ambos os empregos em 23 de março, quando os hotéis foram forçados a fechar por causa da pandemia do COVID-19. Com três filhos para cuidar, ela não viu um níquel do auxílio desemprego ou dinheiro da ajuda federal até hoje.Infelizmente, as perdas de empregos teimam em continuar. Esta semana, várias outras grandes empresas anunciaram demissões nos EUA. Ontem, a Uber, que obtém maioria do faturamento vindo do Brasil, demitiu 3.700 pessoas. A maior empresa de serviços de petróleo dos EUA, a Halliburton, demitiu mil pessoas. O Museu de História Natural de Nova York demitiu 450 empregados. O pior é que milhares de pequenas empresas estão demitem sem nenhuma atenção da mídia.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) realiza pesquisas para medir o impacto da pandemia de corona vírus (COVID-19) sobre as fábricas brasileiras de eletroeletrônicos. A pesquisa apontou que 30% das indústrias já fizeram demissões em abril.

A economia demonstra mais evidências de que estamos no meio de uma implosão econômica completa e absoluta a cada dia que passa. Por exemplo, a produção de carros no Brasil caiu 99%, o pior mês da história. As exportações caíram 76%. Enquanto o poder executivo discute o aumento do funcionalismo público.

Praticamente todos os setores da economia estão desacelerando drasticamente e isso forçará mais demissões nos próximos meses. Só nos EUA 52% de todos os proprietários de pequenas empresas esperam falir antes do fim do ano. As pequenas empresas são o principal mecanismo de crescimento de empregos, mas agora elas vão falir a um ritmo sem precedentes.

É um pesadelo mundial que nos traz muitas incertezas e uma pergunta é crucial para sabermos o que vem pela frente. Quanto tempo demorará o pesadelo econômico pós pandemia? Você assumia que a economia voltaria a estar onde estava antes com o fim dos lockdown? Pode esquecer isso agora, pelo menos segundo um representante da JP Morgan.

Segundo Bob Michele, diretor-executivo e de investimento da JP Morgan, o maior banco privado do mundo, o retorno não levará menos que uma década. O representante da J.P. Morgan previu que demorará, pelo menos, de 10 a 12 anos após a pandemia para normalização do número de empregos. Ele afirmou que não será tão simples como acender as luzes. A depressão econômica estará conosco por um futuro próximo.

Tudo isso poderia ter sido evitado se tivéssemos feito escolhas diferentes antes da chegada da pandemia. Este também será o maior teste para a cooperação internacional em mais de 75 anos. Devido à globalização se um país fracassar, todos fracassarão. Precisamos encontrar soluções que ajudem todos os segmentos da nossa sociedade global, particularmente, os mais vulneráveis, os menos capazes de ajudar a si próprios.

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