Artigo – A criptopolítica pode ser o golpe de misericórdia na debilitada economia norte-americana

Por Oswaldo Bezerra

Durante muitos meses os economistas alertavam, sobre a bolha econômica estadunidense que estouraria e mergulharia o país no colapso econômico, inclusive aqui no Jornal o Impacto. O catalisador foi o covid-19. O irônico é que o vírus não está nem perto da pior coisa que vai acontecer aos gringos.

O vírus foi suficiente para derrubar o sistema econômico incrivelmente frágil. Na sexta-feira, o relatório de empregos de abril foi divulgado como o pior  da história dos EUA. Segundo os números oficiais, 20,5 milhões de americanos perderam o emprego durante o mês, e a taxa de desemprego disparou para 14,7%. Maior do que na última recessão, quando a taxa atingiu 10%. Foram números terríveis, porém o mais assustador é que o número estava errado.

Na sexta-feira, o Departamento do Trabalho dos EUA admitiu publicamente que a taxa de desemprego em abril estava próxima ao invés de 14,7% estaria em torno de 20%. Milhões norte-americanos foram contados como empregados em abril, apesar de não terem emprego.

O Departamento do Trabalho foi honesto em admitir abertamente que “7,5 milhões de trabalhadores” adicionais deveriam ser classificados como desempregados. Caso esses trabalhadores tivessem sido classificados corretamente, a taxa de desemprego oficial seria de cerca de 19,5%.

O que realmente impressiona é que outras instituições analisaram os números e calcularam que a verdadeira taxa de desemprego deveria ser ainda maior do que isso. Por exemplo, a Standard Chartered calculou que a verdadeira taxa de desemprego seria de 25,5%, com o número efetivo de desempregados de 42 milhões.

E a Standard Chartered não é a única que apresentou um número tão alto. De fato, John Williams, do shadowstats.com, diz que, se números honestos fossem usados, a taxa de desemprego nos EUA seria agora de 35,4%. O Brasil segue o mesmo caminho e a Fundação Getúlio Vargas já prevê um desemprego na ordem de 25%.

Mesmo depois dessa pandemia desaparecer, muitos desses empregos não voltarão. Inicialmente, muitos empregadores previram que eles trariam todos os seus funcionários de volta após uma crise curta mas severa. A realidade está começando a se estabelecer para muitos deles.

Por exemplo, uma dona de restaurante em Kentucky chamada Britney Ruby Miller teve que diminuir suas expectativas, pois esta pandemia se arrastava. No final de março, Britney Ruby Miller proclamou com confiança que uma vez que o surto viral cessasse, sua empresa planejava recuperar todos os seus funcionários demitidos. Hoje Miller citou que ficaria satisfeita em restaurar, até o final do ano, 70% dos seus 600 trabalhadores que sua empresa teve que demitir.

O estado de Kentucky está começando a “reabrir os negócios”, mas por enquanto seus restaurantes serão limitados a 33% da capacidade. Os negócios não voltarão ao que era antes. Eles estão colocando 2 metros entre as mesas em todos os seus restaurantes, limitando assim os assentos. Miller estima que a receita da empresa cairá pela metade este ano. As despesas aumentam porque a empresa devem comprar máscaras faciais e outros equipamentos. Com isso Miller já vislumbra a perda de todos seus restaurantes.

Anúncios de demissões continuam aparecendo de toda a América do Norte como a General Electric Co., a Uber Technologies Inc. UBER, a Airbnb Inc., a MGM Resorts International, a Raytheon Technologies Corp., o site RTX, Glassdoor, e a United Airlines Holdings Inc. também disseram na semana passada que haviam reduzido empregos ou planejavam reduzir ainda mais.

Com uma dívida que já ultrapassa 25 trilhões de dólares, os EUA deverão abrir uma metralhadora de dinheiro FIAT. Ao mesmo tempo, observa a China por em prática a sua criptodivisa. Nesse sistema financeiro cada vez mais multipolar, a digitalização da moeda será talvez o fator mais importante no sucesso de uma economia.

No momento a China mais uma vez está liderando o desenvolvimento da moeda digital e, se os Estados Unidos e a Europa não agirem em conjunto, poderão em breve estar fora do jogo, como o 5G já o fez. A moeda digital chinesa chamada e-RMB será uma alternativa funcional ao sistema de liquidez ao nível internacional, cuja base é o dólar norte-americano. Enquanto isso, muitos americanos ouviram pela primeira vez, há alguns dias, a ideia de uma moeda digital soberana: o dólar digital, mas será tarde demais?

RG 15 / O Impacto

 

 

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