Artigo – Estados reabrem, mas o pesadelo econômico norte-americano se aprofunda

Por Oswaldo Bezerra

Poucas pessoas deram conta da gravidade desta crise econômica. Muitos ainda acham que cessando o “lockdown” ou o isolamento social tudo vai voltar ao normal. Ainda não se deram conta de que a “Economia de Boneco Inflável” foi quem fez desembocar a crise, e que a pandemia foi apenas uma centelha da explosão de terror econômico.

Mesmo que, a maioria dos estados norte-americanos já tenham reaberto suas economias, uma pororoca sem precedentes de perdas de empregos e fechamento de empresas continuam em ritmo frenético. Toda quinta-feira, a secretaria de trabalho dos EUA informa o balanço de empregos. Hoje informou que mais 2,4 milhões de norte-americanos perderam seus empregos.

O número total de desempregados nos EUA subiu para 38,6 milhões. O número de perda de empregos durante a maior crise econômica do século, a de 2008/2009, foi de 7 milhões de norte-americanos, quase 6 vezes menos. Na crise atual, é o maior aumento do desemprego da história norte-americana.

Durante o mês de fevereiro, o número de gringos empregados chegou a 152.463.000. Dividindo 38,6 milhões de trabalhadores, que solicitaram auxílio-desemprego durante esta crise por 152.463.000, isso dá mais de 25%. Mais de um em cada quatro empregos nos Estados Unidos se foram. Mais perdas de empregos ocorrerão semana após semana.

Nem todos que perdem o emprego faz pedido do auxílio-desemprego. Portanto, a verdadeira porcentagem de norte-americanos que perderam o emprego seria ainda maior. Esperava-se que o desemprego começasse a normalizar assim que os estados “reabrissem” suas economias.

A Geórgia foi um dos primeiros estados a levantar restrições, mas o estado lidera o país em termos da proporção da força de trabalho que solicita auxílio-desemprego. A iniciativa da Geórgia de diminuir as restrições já conta um mês. Contudo, o número crescente do desemprego não parou. Isso ilustra o quanto é difícil trazer empregos de volta. Dois em cada cinco trabalhadores do estado da Geórgia (40,3%) perderam o emprego, desde o início da pandemia de corona vírus, mostra o Departamento do Trabalho.

A economia norte-americana estava em um estado extremamente frágil e já estava se movendo rapidamente em direção a recessão. O COVID-19 estourou todas as bolhas econômicas mantidas por dinheiro do Federal Reserva usado para falsa impressão de demanda, a chamada “Economia de Boneco Inflável”. Hoje a economia dos gringos ingressou numa espiral mortal.

Quase metade dos norte-americanos tiveram suas rendas diminuídas ou que vivem com outro adulto que perdeu o salário devido por perda de emprego, ou redução do horário de trabalho, disse o Census Bureau em dados divulgados nesta quarta-feira. Mais de um quinto dos americanos tem pouca ou nenhuma confiança em sua capacidade de pagar o aluguel, ou a hipoteca do mês que vem a tempo, segundo a pesquisa.

A inadimplência das hipotecas subiu 1,6 milhão em abril nos EUA, o maior salto mensal da história, de acordo com um relatório da Black Knight. A taxa de inadimplência dobrou em março, o maior aumento registrado em um mês e quase três vezes o recorde anterior de um único mês durante o auge da crise financeira no final de 2008.

A verdade é que vai piorar. O “auxílio-desemprego” aprovado pelo Congresso norte-americano têm ajudado aos desempregados a pagar suas hipotecas, mas hoje o presidente Trump e o líder do Senado, Mitch McConnell, revelaram que não pretendem estender esses benefícios até o prazo final que seria julho.

O maior shopping center do país, The Mall of America, perdeu dois meses de pagamentos de aluguel de US$ 1,4 bilhão, um sinal de quanto os proprietários de imóveis estão sofrendo durante a pandemia de corona vírus.

O shopping, operado pelos desenvolvedores privados Triple Five Group, pulou os pagamentos de aluguel em abril e maio, segundo a Trepp, uma empresa de pesquisa sediada em Nova York. A menos que o Congresso intervenha e jogue no setor imobiliário comercial montanhas de dinheiro, o colapso será inevitável.

O problema é que as empresas estão falindo aos montes. Vejamos alguns exemplos. A Victoria’s Secret planeja fechar, permanentemente, 250 lojas nos EUA e Canadá em 2020, anunciou sua empresa-mãe L Brands, na quarta-feira .

Outro grande varejista que está fechando lojas é o Pier 1 Imports. Foi relatado que nenhuma de suas lojas sobreviverá. O Pier 1 Imports, que anunciou fechamento da metade de sua frota de suas lojas, agora já planeja fechar todas.

A gigante Hertz está à beira da falência. No final de abril divulgou que havia perdido muito mercado de carros alugados. Desde então, firmou acordos de tolerância e renúncia com seus credores, que concederam até 22 de maio o pagamento em dinheiro. Seus carros, em vários estacionamentos em toda América do Norte, são a garantia da dívida.

Apenas alguns dias após a reabertura de suas fábricas norte-americanas, a Ford fechou temporariamente duas porque os funcionários deram positivo para o Covid-19.

A tentação em reabrir a economia de qualquer maneira é tanta que o turismo foi reaberto desordenadamente. Uma blogueira russa mostrou como os EUA estão abertos ao turismo estrangeiro novamente, apesar da pandemia, de acordo com o vídeo obtido pelo DailyMail.com. No vídeo, é mostrado um avião saindo do epicentro do corona vírus na Rússia, com 500 turistas, indo direto para Nova York.

O Bank of America projetou que o PIB norte-americano cairá 40% anualmente, durante o segundo trimestre deste ano. Contudo, uma nova rodada de revisões da previsão do PIB está chegando, e é um desânimo. Quando o Bank of America começa a ter uma leitura igual ao pessimismo dos artigos de Oswaldo Bezerra no “Jornal O Impacto”, é sinal de que as coisas estão realmente desmoronando.

Outro grave problema nas terras gringas é que depois que os estados começaram a reabrir em todo o país, o número de casos confirmados de COVID-19 começaram a aumentar de novo . O medo paralisa a economia e parece que o pesadelo norte-americano está só no começo.

RG 15/O Impacto

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