ARTIGO – PARA REFLEXÃO DOS MEUS AMIGOS VIRTUAIS

Por Ubirajara Bentes Filho

De tanto ouvir o meu amigo Carlos Alberto Bastos Meschede contar causos de outrora ocorridos na nossa cidade, nas incontáveis e prazerosas reuniões no “senadinho” do Bar Mascote (Mascotão), peço licença para arriscar aqui algumas linhas sobre uma das histórias que guardo na memória, ligando-a a fatos contemporâneos da atual (indi)gestão e aos presentes políticos que Santarém recebeu do governo do Estado nos festejos dos seus 359 anos.

Há algumas décadas atrás, lá pelos idos dos anos 60, viveu em Santarém um cidadão de nome Viel, mas conhecido por “Suíço” em virtude de sua nacionalidade, que casou com uma brasileira, e com ela teve dois filhos. Um dos filhos, conhecido do Carlos Meschede chamava-se Hugo Viel, que mais tarde foi prefeito do município de Senador José Porfírio.

“Suíço” era proprietário de uma oficina na Travessa 15 de Novembro, atual Travessa Joaquim da Costa Pereira, às proximidades da Rua senador Lameira Bitencourt. Lá consertava máquinas de escrever, equipamento de primeiríssima utilidade muito usado pelas empresas e por escritórios particulares. Nessa época ainda não havia computador.

Relatou Carlos que gostava muito de conversar com Viel. Numa dessas conversas, véspera de uma disputada eleição municipal para escolha de prefeito e vereadores, e no meio dos candidatos, havia um que tentava a reeleição, destacando que depois de 4 (quatro) anos afastado do mandato, porque não havia reeleição. Comentando sobre essa dita candidatura, segundo afirmou repetidamente Carlos Meschede, fato que nunca esqueceu: “Carlos, café requentado não presta”, explicando cheio de razão que “as segundas administrações, nunca são iguais as primeiras”.

Pois bem, este ano – provavelmente entre novembro e dezembro – teremos eleições para escolha do prefeito e dos vereadores pelos próximos 4 (quatro) anos, razão porque peço aos ilustres eleitores que se lembrem dessa frase do Suíço, relembrado pelo Meschede: CAFÉ REQUENTADO NÃO PRESTA.

No caso dos Vereadores santarenos, com honrosas exceções daqueles que exercem seus mandatos na oposição à atual (indi)gestão administrativa, e que não foram seduzidos pelo poder econômico dos amigos do rei da comuna, pergunto aos amigos se alguém conhece algum projeto realmente relevante, de qualquer dos Edis que dão sustentação a esse desgoverno, que não sejam mudanças polêmicas de nomes de rua, ou que exerçam mandatos posar ao lado de ônibus escolares, ou na inauguração de 300 metros de asfalto, ou para colocar os delicados pés na lama (literalmente) da várzea para distribuir tardiamente remédios contra o Covid-19 para a população ribeirinha (que não é nenhum favor), ou de numa demão de cal na parede de uma escola pública, ou, ainda, para apoiar a destruição da praia do Maracanã?

Peço que mostrem aqui nos comentários, até para que se faça justiça ao Vereador candidato à reeleição que seja autor de algum projeto que realmente traga desenvolvimento social, cultural, ou qualquer outro que mereça que requentemos o café para os eleitores votem nele, se não, RENOVAÇÃO TOTAL TANTO PARA PREFEITO COMO PARA OS LEGISLADORES QUE GAZETEARAM DURANTE SEUS MANDATOS, OU FICARAM CHAMANDO A POPULAÇÃO DE IMBECIL!

Agora mais uma das historinhas contadas pelo Carlos Meschede para ilustrar essa publicação e amarrar o elo com os dias atuais. Era prefeito de Santarém o Dr. Santino Sirotheau Corrêa (PSD, do general Magalhães Barata), que recebeu uma polpuda verba para fazer obras de urbanização na cidade, porém, como as ditas obras de urbanização não apareceram, frustrando as expectativas da população, a oposição da época, muito ativa, criou uma frase: “ONDE ESTÁ O DINHEIRO SEU SANTINO?”.

Como não havia redes sociais, televisão e nem rádio, com uma comunicação precária, a divulgação das noticias, especialmente da oposição (Lembram do antigo Lamparina) era feita por meio de cartazes colados nas paredes das casas e espalhados na cidade. Nessa época havia sido inaugurado o telefone na cidade, pela Empresa Telefônica de Santarém, e como toda novidade a população se divertia com os trotes telefônicos que corriam soltos.

Nessa direção, o prefeito Santino que sofreu um acidente, fraturando a perna, teve que ser internado no Hospital do SESP (Serviço Especial de Saúde Pública), hoje um arremedo denominado de Hospital Municipal de Santarém, uma instituição que já foi de referência em saúde e hoje é muito mal administrada por uma Organização Social (IPG) de estimação do atual (indi)gestor. Aproveitando a onda das ‘brincadeiras’, um cidadão passou-lhe o seguinte trote: ligou para o SESP e pediu para falar com o prefeito, no que foi atendido. Ao falar com Sirotheau Corrêa, mostrou preocupação com a saúde do prefeito, perguntando-lhe sobre seu estado, etc., etc. Depois de uma conversa cordial que durou aproximadamente 5 (cinco) minutos, tacou-lhe a seguinte pergunta: Prefeito, não me leve a mal, MAS ONDE ESTÁ O DINHEIRO?, desligou o telefone em seguida.

Como bom observador, ontem no início da tarde ao passar em frente ao esqueleto do Hospital Materno Infantil, após o sinal fechar na esquina da Avenida Presidente Vargas, com a Travessa Silvino Pinto, fixei o olhar para o lado deparando com 2 (duas) placas da obra (principio da publicidade) ali existente a respeito do nosocômio, ressurgindo imediatamente na memória a frase: MAS ONDE ESTÁ O DINHEIRO?

A curiosidade aumentou quando prestei atenção na placa da direita, que contém a logomarca da Caixa Econômica Federal, como financiadora da obra no himalaico valor de R$ 29.432.067,13, com prazo para a execução entre 20 de agosto de 2019 e 20 de junho de 2020. Observem que pelas datas, não tem nada a ver com as administrações do Von nem com a da Maria, mas com a inadiministração. Aí me perguntei: como a Caixa financia somente um pedaço da obra, uma vez que ela não está pronta nem tem prazo para acabar e o dinheiro do financiamento evaporou, ou talvez tenham consumido esses milhões pintando as paredes externas de cal?

Olho para a placa do lado esquerdo, com a marca do governo do Estado e vejo o seguinte: (i) Valor Total do convênio: R$ 19.463.445,83; (ii) Valor da contrapartida Municipal: R$ 3.089.893,33; e, Valor da contrapartida Estadual: R$ 16.373.552,50. O prazo para realização e de desembolso é o mesmo da placa da Caixa e do Ministério da Saúde: 20 de agosto de 2019 a 20 de junho de 2020.

Antes disso, fiz uma postagem nas minhas redes sociais chamando atenção dos amigos virtuais sobre a “renovação” das promessas eleitoreiras do governo do Estado e do prefeito de Santarém, e do descaso com a coisa pública praticada pela amadora e incompetente “gestão”.

Concomitantemente meu compadre José Ronaldo Dias Campos – assíduo frequentador do “senadinho” do Bar Mascote – também reclama sobre a obra da orla e a falta de vontade política de realizar alguma coisa que preste e seja útil à população.

Novamente a curiosidade aguçou e durante a minha corrida e caminhada na abandonada e fétida orla, no final da tarde de segunda, parei para olhar a placa da obra, e li no indigitado tabuleiro de números o seguinte: (i) Valor total da obra: R$ 72.103.595,26, (ii) Início da obra: 05 de setembro de 2017. (iii) Término da obra: 05 de setembro de 2018. Ou seja, a orla deveria ter sido inaugurada definitivamente no ano passado, mas não foi. ONDE FOI PARAR O DINHEIRO?

Caminhando para o final, ontem a velha política anunciou com estardalhaço um NOVO INVESTIMENTO DE MAIS R$ 11.000.000,00 (LEMBRAM DOS R$ 72.103.595,26) para obras de embelezamento e de urbanização da orla e de pavimentação. Será que, realmente, depois de três anos e meio gazeteando a (Indi) gestão vai concluir a orla, ou no meio da obra vai anunciar que o dinheiro não deu, ou empurrar com barriga até às próximas eleições?

Ressalto que não estou acusando ninguém de pratica de crimes, em tese, de improbidade ou de apropriação indevida de dinheiro público, mas apenas destacando o que os políticos mandaram escrever nas placas, com curiosidade porque os valores e os prazos não foram cumpridos nessas (2) duas intermináveis obras paradas ou tocadas a passos de cagados com o fito de mais uma vez iludir a população com a renovação das promessas das velhas práticas que os 2 (dois) atores interpretam muito bem.

Garanto aqui que eu e muitos amigos vamos esquentar nosso café votando nos vereadores que verdadeiramente trabalharam nos últimos três anos e meio em prol da população. Mas até o dia da eleição, vamos investigar e expor aos eleitores santareno o que aconteceu durante essa gestão que enganou a população com “ônibus chineses” e que destruiu a praia do Maracanã, lembrando e perguntando a quem de direito: ONDE ESTÁ O DINHEIRO, PREFEITO? SE VEIO, POR QUE AS OBRAS NÃO FORAM TERMINADAS? E SE NÃO VEIO, QUAL A RAZÃO?

 

RG 15 / O Impacto

Um comentário em “ARTIGO – PARA REFLEXÃO DOS MEUS AMIGOS VIRTUAIS

  • 24 de junho de 2020 em 15:46
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    Realmente, é um caso para atuação do fiscal da Lei, com a palavra o Ministério Público.

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