Artigo – O recado quase certeiro de Merkel

Por Oswaldo Bezerra

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu uma reflexão séria para a Europa sobre uma nova realidade na qual os Estados Unidos não serão mais o líder mundial. Ela disse que desde a infância os europeus cresceram com um certo entendimento de que os Estados Unidos queriam ser uma potência mundial.

Caso os Estados Unidos quiserem abandonar esse papel por vontade própria, teremos que refletir seriamente sobre isso, afirmou Merkel. Em entrevista a seis jornais europeus, incluindo o The Guardian, e o Chanceler Alemão, também esclareceu que as tropas norte-americanas não apenas ajudam a proteger os países europeus membros da Otan, mas também os interesses de Washington.

Além disso, a chanceler acrescentou que existem “boas razões” para manter o compromisso com a OTAN e o “escudo” protetor comum nuclear. Mas, é claro, a Europa precisa contribuir mais do que na Guerra Fria.

Depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que reduziria o número de suas tropas porque “a Alemanha está atrasada em seus pagamentos à OTAN”, mas “paga à Rússia pelo gás”, a embaixadora alemã nos EUA, Emily Haber, respondeu que as tropas norte-americanas estão na Alemanha não para proteger o país, mas para manter a segurança transatlântica.

Em setembro de 2019, Merkel disse que a Europa precisa pensar em sua própria segurança, porque os EUA não a protegerão “automaticamente”, como fizeram durante a Guerra Fria. A verdade é que a Europa não precisa de proteção nenhuma. Os países asiáticos querem é expandir os negócios com a Europa. Os países árabes querem é vender petróleo a Europa em euro. Coisas que os EUA tentam evitar.

Certamente, os EUA vão perder a hegemonia mundial, mas não por vontade própria. Também não será por que Trump, como disse Bolton em seu livro de difamação para campanha presidencial, de que o presidente estadunidense é um hippie pacifista. Perderá por motivos econômicos.

Os EUA vivem os piores dias de sua história. No momento já era para os EUA já respirarem uma recuperação econômica. Contudo, as más notícias continuam chegando. Tanto é que a grande mídia usa cada vez mais a palavra “depressão” para descrever o que está acontecendo com os EUA.

Por exemplo, o novo modelo de PIB do Fed de Atlanta projeta que haverá uma queda de 46,6% durante o segundo trimestre de 2020. Esta queda proporcionou que 47 milhões de cidadãos perdessem os empregos, gerou o número recorde de quebras de empresa (140 mil).

Outros números bizarros também surgiram. Um aumento de 2,7 milhões de adultos que voltaram a morar nas casas dos pais ou avós. A maioria deles entre 18 e 25 anos, também conhecida como Geração Z.

Por outro lado, a economia planifica da China, pelo Partido Comunista, fará expandir seu imenso mercado interno para fazer frente à desaceleração econômica global, que reduziu a demanda internacional por seus produtos. O objetivo é pelo menos dobrar a receita do setor rural em 2020.

O resultado disso é que as projeções do Fundo Monetário Internacional é de que a economia mundial cairá 4,9% em 2020. Os economistas acham este número muito otimista. Os economistas apostam que a queda será de 10%. Nestas mesmas previsões do FMI quedas impressionantes serão observadas no Reino Unido com -13%, Espanha e Itália (-12,5), Brasil -9%, EUA -8%.

Por outro lado, a China deverá crescer +1% este ano. A previsão de crescimento para o ano que vem para os EUA será de +4%, e a da China será de +14%. Estas reviravoltas de PIB farão com que a previsão de que a China só se tornaria líder mundial da economia em 2050 seja acelerada já para 2022.

RG 15 / O Impacto

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