Artigo – Desmatamento, queimada, aquecimento global e extinção em massa, do Brasil ao mundo

Por Oswaldo Bezerra

O emocionante discurso de Greta Thumberg, na Cimeira do Clima, citou a possibilidade de estarmos no início de uma extinção em massa. O mundo já enfrentou cinco delas. Na próxima, a espécie humana poderá ser a bola da vez. O Brasil passou a ser um grande contribuinte do que poderia desencadear a próxima: o aquecimento global.

O Prelúdio

Em abril de 2019, o mandatário brasileiro esteve em reunião com Donald Trump. Nosso presidente, que bateu continência a Bolton, hoje maior inimigo de Trump, ofereceu a Amazônia aos EUA, Segundo suas próprias palavras ele disse “Quando estive agora com Trump, conversei com ele que quero abrir para ele explorar a região amazônica em parceria”.

A articulação

Na reunião com o presidente norte americano, nosso governo esteve em contato com um dos maiores doadores da campanha de Donald Trump e do líder do Senado americano, Mitch McConnell. Este investidor é Stephen Schwarzman, co-fundador e CEO da empresa norte americana Blackstone. No Brasil tem nomes sugestivos em duas de suas subsidiárias: Hidrovias do Brasil e Pátria Amada. Estas duas empresas, juntas com outras grandes empresas europeias e chinesas, têm papel fundamental no desmatamento da Amazônia, segundo o relatório da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

Figura de destaque neste imbróglio está o ministro Salles do Meio Ambiente. A imprensa já o classificou como o pior Ministro do Meio Ambiente do mundo. Na famosa reunião ministerial de 22 de abril, Salles mostrou todo seu oportunismo. Ele sugeriu que o governo aproveitasse que as atenções da imprensa estavam voltadas para a epidemia de Corona vírus para “passar a boiada” e desregulamentar o Meio Ambiente.

As consequências para a Amazônia.

O “passar a boiada” provocou um desmatamento da Amazônia de 9.762 km², entre agosto de 2018 e julho de 2019. Foi um aumento de 30% em relação ao período anterior, segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Um ano depois, os alertas de desmatamento na floresta amazônica, monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já haviam 63,75% em abril, se comparado ao mesmo mês de 2019. Segundo o sistema Deter, foram emitidos alertas para 405,6 km² este ano, enquanto no ano passado, no mesmo período, foram 247,7 km².

A área de floresta destruída equivale a 1,4 milhão de campos de futebol ou seis vezes a cidade de São Paulo.  Os estados de Roraima (216%), Acre (55%) e Pará (41%) registraram os maiores percentuais de aumento, e o Pará liderou com a maior área desmatada (3.862 km²) no período.

As consequências econômicas.

Os fundos de investimento que gerenciam ativos que somam US$ 4 trilhões (mais de R$ 20 trilhões) pediram ao Brasil que suspenda o desmatamento na Amazônia em uma carta aberta na qual alertaram que a perda da biodiversidade e as emissões de carbono representam um “risco sistêmico” aos seus portfólios. Os maiores grupos varejistas da União Europeia passaram a retirar de suas prateleiras produtos brasileiros, em represália ao desmatamento.

As consequências globais

Uma nova pesquisa publicada ontem na revista Nature Climate Change descobriu que o Polo Sul está se aquecendo três vezes mais rapidamente que o resto do mundo, graças a uma combinação de mudanças climáticas induzidas pelo homem e variabilidade da temperatura do oceano no Pacífico tropical.

A análise dos dados revelou que, entre 1989 e 2018, o Polo Sul aqueceu 1,8 graus Celsius ou 0,6 graus Celsius por década. Mudanças mais rápidas de temperatura foram registradas a partir dos anos 2000. O estudo observa que 20% das mudanças de temperatura no Pólo Sul estavam ligadas às temperaturas dos oceanos no oeste do Oceano Pacífico tropical.

Para determinar os efeitos das mudanças climáticas induzidas pelo homem, os pesquisadores analisaram mais de 200 simulações de modelos climáticos usando concentrações de gases de efeito estufa entre 1989 e 2018. Os modelos indicaram que as mudanças climáticas induzidas pelo homem são responsáveis ​​por cerca de 1 grau dos 1,8 graus Celsius de aquecimento no Polo Sul nas últimas três décadas.

RG 15 / O Impacto

 

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