Artigo – E o dólar parou de sorrir na Pérsia

Por Oswaldo Bezerra

O Irã foi notícia esta semana devido a uma imensa explosão ocorrida perto de sua capital. Foi um cyber ataque terrorista que causou explosão em uma de suas instalações de pesquisas de mísseis. O Irã já havia sido alvo de cyber ataque anteriormente em suas instalações de energia nuclear. A explosão foi intensa e muito parecida com a que ocorreu em Alcântara, que vitimou toda uma geração de cientistas brasileiros.

O histórico de sanções unilaterais contra o Irã pelos EUA vem de longa data. O cyber ataque teria sido uma represália ao envio de combustíveis à Venezuela. A outra represália acabou sendo um tiro no pé dos EUA.

Em 2018, depois de se retirar do Plano de Ação Conjunto Conjunto (JCPOA) os EUA passaram a prejudicar a capacidade de Teerã de vender seu petróleo. Finalmente o país norte-americano cortou a conexão dos bancos iranianos com o sistema SWIFT global, complicando as transações com instituições financeiras estrangeiras.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, elogiou os esforços da “desdolarização” do país, argumentando que permitiu a Teerã aliviar a pressão sofrida pelas sanções norte-americanas. A recusa em usar dólares em transações internacionais foi, em grande parte, alcançada através do amplo uso de “troca”, acrescentou o ministro.

“Uma das questões que reduz a pressão das sanções é a eliminação do dólar das transações, que temos buscado através do uso do sistema de troca e muitos países aderiram”, disse Zarif.

Zarif atacou os EUA por travar uma “guerra total” contra o Irã, tentando descrever o país como uma “ameaça à segurança” ao mundo e pressionando os aliados da República Islâmica. O ministro argumentou que Washington tenta usar sua influência no Conselho de Segurança da ONU para “prejudicar” o Irã porque os EUA o veem como uma “potência emergente”.

O Irã é o país com maior tecnologia de mísseis do mundo. Durante seu ataque a base americana em Bagdá seus mísseis atingiram alvos enquanto o sistema de defesa os “Patriots” passaram em branco. O Irã também já lança de forma independente seus próprios satélites. Isso tudo devido a sansões que fez nascer no Irã um vale do silício próprio.

A pressão das sanções econômicas dos EUA aumentou depois de sua retirada do acordo nuclear do Irã (JCPOA) em 2018. Citando alegações de que Teerã ainda estava trabalhando no desenvolvimento de armas nucleares, algo repetidamente rejeitado pelos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica.

Os EUA abandonaram o acordo multilateral e ameaçou impor sanções contra outros países, se eles continuassem fazendo negócios com a República Islâmica. O principal alvo dos EUA é a indústria de petróleo iraniana para beneficiar, é claro, sua própria indústria.

Washington impôs sanções ao comércio de petróleo do Irã, uma de suas principais fontes de receita, e aos bancos do país, resultando em sua desconexão do sistema SWIFT global. Em resposta, o Irã prometeu interromper completamente as operações financeiras usando a moeda americana. Segundo alegações dos EUA, Teerã usou o ouro como método de pagamento, quando entregou combustível e recursos para refinarias na Venezuela, por meio de navios-tanque no final de abril.

Para o norte-americanos, fazer negócio de petróleo sem usar o dólar é um crime imperdoável. Em contrapartida, o Irã tirou o sorriso do rosto da moeda norte-americana em terras da antiga Pérsia.

RG15/O Impacto

 

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