Artigo – O maior duto do mundo vai de São Paulo até Berna

Por Oswaldo Bezerra

O senador José Serra (PSDB), quando governador de São Paulo, tomou as rédeas de uma dessa obras gigantes, que sempre sofrem atrasos. O então governador passou a ter controle de orçamentos bilionários. O maior deles era o do rodoanel. Um dos lotes da obra ficou a cargo da Odebrecht. Esta empresa cumpriu a tradição brasileira de pagar propina para lideranças políticas.

 

O senador pelo visto, continua relativamente blindado pela mídia corporativa nacional. Serra e sua filha não mereceram manchete em nenhum dos grandes jornais do sudeste, após serem denunciados por lavagem internacional de propinas, pagas por empreiteiras em contas no exterior.

 

Serra teria recebido propinas vultosas entre 2006 e 2007.  Só depois de 10 anos, quando executivos receberam as vantagens das delações premiadas, é que ele foi denunciado em abril de 2017. 

 

Você deve se perguntar, por quê apenas 3 anos depois Serra foi denunciado? Segundo o jornalista Brian Mier, Serra foi amplamente protegido por Sérgio Moro. O ex-juiz teria blindado as movimentações do senador. Recentes  revelações da Vasa a Jato demonstraram que além do FBI, a operação Lava Jato teria sido apoiada pelo PSDB.

 

Para completar a blindagem de Serra, em agosto de 2018 o STF decidiu que crimes cometidos por Serra, até 2010, seriam todos considerados prescritos. O relator do STF foi Gilmar Mendes que assim o determinou pela idade avançada do senador. 

 

O sono tranquilo de Serra teve fim na manhã de 3 de julho deste ano. Oito mandos de busca e apreensão foram executados em São Paulo e no Rio de Janeiro. Um dos endereços foi o do hoje senador José Serra. A notícia foi recebida com surpresa pela imprensa devido a blindagem ao senador.

 

Para simplificar, a denúncia era que, para executar obras no rodoanel, a Odebrecht teria que repassar parte do lucro para o grupo político de José Serra. A complicação disso era que uma série de operações seriam necessárias para que o dinheiro parecesse limpo. Estas operações foram realizadas por Paulo Vieira de Sousa, conhecido como Paulo Preto, o operador financeiro do PSDB. Outra importante operadora do esquema era justamente Verônica Serra, a própria filha do hoje senador.

 

O ministério público denunciou que a dupla, Paulo Preto e Verônica Serra, realizaram diversas transferências para dissimular a origem dos valores. Todos estes valores foram de uma conta offshore para conta de titularidade oculta na Suíça. Estas operações permitiram que o real beneficiário não fosse detectado pelos órgãos de controle.

 

Todo este dinheiro saiu da DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S/A). A DERSA é uma estatal paulista criada em 1969, responsável pela imensa e qualificada malha rodoviária de São Paulo. Em 1998, um dos lotes do Rodoanel foi para a Odebrecht. Um dos diretores da DERSA foi o engenheiro Manfred Albert Von Richthofen, aquele mesmo que foi assassinado pela filha.

 

O ministério público descobriu que Manfred, após seu assassinato, tinha contas na Suíça com valores em Euros incompatíveis com sua renda. Isso levou a descoberta de que a diretoria da DERSA era a própria base do propinoduto de empreiteiras do rodoanel. Foi uma parceria público privado. Segundo o ministério público, a propina abastecia o caixa 2 do PSDB, e hoje se sabe que contas pessoais também.

 

Dois anos depois de matar os pais, Suzane Richthofen foi investigada pelo ministério público por duas contas abertas na Suíça em nome dela e de sua mãe. Dinheiro desviado do rodoanel. Suzane desistiu da herança antes mesmo que a Justiça a proibisse pois o montante em sua conta já era enorme.

 

As obras do rodoanel sempre sofreram atrasos para que se mantivesse o propinoduto ativo. Hoje a obra tem previsão para encerramento só em 2022. Contudo, não se sabe quando realmente terminará. Só sabemos que no final da obra a DERSA não existirá mais. 

 

O governo do PSDB de São Paulo, na gestão Dória, prometeu extinguir a estatal. A extinção foi endossada pela Assembleia legislativa em 2019. A extinção da DERSA é o apagar dos rastros de décadas de lavagem internacional de dinheiro. No discurso do governo do PSDB a extinção da estatal é apenas a modernidade do neoliberalismo.

RG15/O Impacto

 

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