Artigo – Uma briga em que o Brasil não deve se meter

Por Oswaldo Bezerra

Boris Johnson, o primeiro-ministro do Reino Unido, foi o grande responsável por jogar as relações anglo-russas para o mesmo patamar de 100 anos atrás. Agora o “grande estadista” inglês acaba de declarar uma guerra econômica contra a China. O que poderia dar errado?

A economia britânica caiu 20% no último trimestre, foi anunciada no mesmo momento em que o governo britânico anunciou uma série de medidas que só podem ser descritos como uma declaração de guerra econômica contra a China, um país de 1,4 bilhões de pessoas e a segunda maior economia do mundo. Certamente será a maior até 2025.

O motivo usado como desculpa é de que a Huawei com seu 5G é um “risco de segurança”. Sabemos que é falso e que foi apenas pressão dos EUA para não ficarem para trás mais cedo. Caso a insegurança fosse verdade para a 5G, seria verdade para 3 e a 4G. Caso fosse verdade, a empresa teria que ser banida agora, não em 2027.

Não há uma centelha de evidência de que a Huawei tenha feito algo errado durante sua penetração de grande sucesso no mercado britânico, e do qual a Grã-Bretanha se beneficiou economicamente de maneira enorme.

O investimento chinês em 5G não é desejado então o que falar da participação poderosa da China no setor de energia da Grã-Bretanha? O que acontece se a China puxar os plugues de suas usinas nucleares? Todas as luzes de Londres se apagariam.

Hoje a pequena Grã-Bretanha despachou seus poderosos navios de guerra pelo rio Yangtze, onde foram derrotados pelos chineses em 1949. Também enviaram o porta-aviões Queen Elizabeth para a fronteira marítima da China em um ato da “diplomacia” com sérios perigos. Os atos de hostilidade direta à China seguem a diretriz das potências ocidentais na desestabilização em andamento de Hong Kong.

O principal objetivo do Brexit foi terminar com a imigração em massa da União Européia e agora os ingleses estão convidando para uma imigração em massa três milhões de chineses de Hong Kong.

Durante os 150 anos do domínio colonial britânico no território, nenhum chinês de Hong Kong recebeu viagens sem visto para o Reino Unido, como um exemplo claro de colonização. Agora, milhões deles são convidados, só para causar desgosto da China.

Os ingleses esqueceram que a China é um adversário muito mais rico e poderoso do que era quando o Reino Unido extorquiu Hong Kong deles em punição por sua tentativa de deter a inundação de ópio britânico na China, o que causou o vício de 90 milhões de chineses. As sanções econômicas impostas à China no caso da Huawei serão devolvidas e várias vezes por Pequim. Caso a rainha Elizabeth for longe demais não será necessária nem a Marinha chinesa para afundá-la.

E quando os três milhões de chineses chegarem de Hong Kong em Londres, onde eles serão alojados ou onde trabalharão na economia quebrada da Grã-Bretanha. Talvez o plano de vingança mais astuto seja a China abrir as comportas de Hong Kong e forçar Londres a respeitar suas promessas.

E o Brasil como fica nisso? Declarado o alinhamento automático a Trump, pelo nosso presidente, é a receita do caos econômico para o Brasil. Apesar dos ataques de Mike Pompeo contra os chineses, afirmando que eles estão apoiando os Democratas, não importa o que isso seja absurdo, o Partido Comunista Chinês deixou claro que o círculo interno de Xi está interessado mesmo é em mais quatro anos de Trump. Ninguém em Pequim gosta da guerra comercial, mas quanto mais Trump destrói o poder dos EUA, mais espaço há para a China se posicionar como uma alternativa. Essa é uma boa hora para o Brasil ficar em cima do muro, mas aproveitar ao máximo o momento para também se firmar como potência dominante.

RG 15 / O Impacto

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