Artigo – Vem aí a crise imobiliária norte-americana 2.0

Por Oswaldo Bezerra

Os EUA caminham para uma crise imobiliária ainda pior que a 2008. Naquela época, milhões de americanos perderam suas casas, mas desta serão dezenas de milhões. Esta afirmação pode parecer excessivamente dramática, mas o que será descrito a seguir fará você mudar de ideia.

Para fazer pagamentos de aluguel e hipoteca, os norte-americanos precisam de salários, e eles continuam sendo demitidos aos milhões. É um ritmo difícil de acreditar. Ontem, mais 1,3 milhões de norte-americanos entraram com novos pedidos de subsídio de desemprego, número que contabiliza a semana anterior na semana passada.

Isso foi pior que o esperado e representou a 17ª semana consecutiva em que o número de gringos com novos pedidos de subsídio de desemprego excedeu um milhão. É sempre bom lembrar que o recorde histórico semanal, antes dessa crise, foi de 695.000.

No geral, já foram mais de 51 milhões de americanos que entraram com novos pedidos de subsídio de desemprego. É de longe o maior aumento no desemprego da história dos EUA.

Em fevereiro deste ano, o número de americanos empregados atingiu o pico de 152 milhões. O número de pessoas que entraram com novos pedidos de desemprego desde aquela época representa mais de um terço desse total. Para piorar o USA Today está afirmando que o número de americanos que registram novos pedidos de subsídio de desemprego aumentará na próxima semana. É um verdadeiro “apocalipse econômico”.

O aumento no contágio do vírus desencadeará uma nova onda de demissões, especialmente nos estados mais afetados como Texas, Flórida, Arizona e Califórnia, o que elevará o total de reivindicações do auxílio desemprego.

O tsunami do desemprego resultou em muitas pessoas incapazes de pagar aluguel. O Census Bureau anunciou que 11,6 milhões de norte-americanos  vivem em famílias que não fizeram seus pagamentos mais recentes de aluguel. Nessa pesquisa é mostrado que 22 milhões de norte-americanos também não têm confiança de que serão capazes de pagar aluguel no próximo mês.

Um grande número de americanos também não está conseguindo pagar suas hipotecas. Em abril, a parcela de todas as hipotecas vencidas subiu 3,4%. É a maior alta desde 1999. Durante o colapso de pagamentos que gerou a crise de 2008 esta alta foi de apenas 2%.

Nos próximos meses, milhões de americanos ficarão tão atrasados ​​em seus pagamentos de aluguel que já enfrentarão despejos. E outros milhões ficarão tão atrasados ​​em suas hipotecas que correm o risco de perder suas casas. De acordo com Emily Benfer, poderíamos ver, nos próximos meses, um total de 20 a 28 milhões de pessoas sendo expulsas de suas casas .

“Nunca vimos essa extensão de despejo em um período de tempo tão truncado em nossa história”, disse Benfer, quando perguntado sobre como a atual crise dos sem-teto se compara à crise habitacional de 2008.

Ela disse também que “podemos esperar que isso aumente dramaticamente nas próximas semanas e meses, especialmente quando as medidas de apoio e intervenção em vigor começarem a expirar. Cerca de 10 milhões de pessoas, ao longo de um período de anos, foram desalojadas de suas casas após a crise de encerramento em 2008. Veremos de 20 a 28 milhões de pessoas, entre agora e setembro, enfrentando despejo”. Isso se nenhuma outra crise ocorrer.

Os pagamentos de bônus semanais de US$ 600, que mantêm os americanos desempregados à tona, serão encerrados no final de julho. Uma vez que esses pagamentos cessem, milhões e milhões de trabalhadores desempregados terão muito mais dificuldade em fazer pagamentos de aluguel e hipoteca.

Agora a crise imobiliária também atinge não só moradias, mas também aluguéis de negócios. Parece que os EUA enfrentarão uma crise imobiliária maior que o da última recessão. Ao menos que o Congresso norte-americano crie um milagre ou uma nova super guerra, não parece haver esperança de detê-la.

Esperemos que a nova crise norte-americana não nos afete, em efeito dominó, do mesmo jeito que não nos atingiu em 2008. Naquela época, o aumento do preço das commodities, e nosso incremento de comércio com a China, nos fizeram sentir a pior crise econômica mundial do século só como uma marolinha.

RG 15 / O Impacto

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