Artigo – Por que uma nova forma de liberação de metano na atmosfera, confirmado recentemente, preocupa tanto os cientistas?

Por Oswaldo Bezerra

As atividades humanas produzem maior parte de todas as emissões de metano. Derrames de operações com combustíveis fósseis são a grande fonte. Outra forma de emissão é advinda da pecuária, o gado libera este gás. O lixo apodrecido em aterros também produz metano.

E o que tem de tão ruim com este gás? Ele é um gás que contribui com 23% do efeito estufa e é 21 vezes mais ativo que o gás carbônico na retenção dos raios solares que aquecem o globo. Por sorte, há 200 vezes menos metano na atmosfera que gás carbônico. O problema é quando esta proporção tende a diminuir.

Pela primeira vez, os cientistas confirmaram a descoberta de um vazamento ativo de metano do fundo do mar na Antártica. As descobertas foram publicadas nesta terça-feira no periódico Proceedings of Royal Society B. De acordo com o relatório, o vazamento de metano no “Mar de Ross” foi detectado já em 2011. Contudo, os microorganismos, que geralmente consomem este gás do efeito estufa, se desenvolveram neste local.

Em 2011, uma esteira microbiana expansiva (70 m × 1 m) formada a 10 m de profundidade no “Mar de Ross”, na Antártica, foi identificada. Os micróbios consomem o metano destes vazamentos, impedindo que ele alcance a atmosfera. Segundo os pesquisadores, o metano passou a escapar do fundo do mar, apesar da existência dos micróbios no local.

Este defasagem no consumo de metano é uma descoberta muito importante. Não é uma boa notícia. Mesmo depois de 5 anos do aparecimento e crescimento da colônia de micróbios, mesmo assim há metano escapando rapidamente do fundo do mar. Apesar do vazamento do gás, no mar de Ross, ainda não se detectou aquecimento significativo nos últimos anos.

Os pesquisadores se preocupam com a liberação de metano de depósitos congelados subaquáticos e de regiões de permafrost (rochas permanentemente congeladas que aprisionavam o metano). Por isso o grande receio é que isso provoque uma rápida aceleração das mudanças climáticas.

Em 2018, a NASA alertou que a região do Ártico armazena um dos maiores reservatórios naturais de carbono orgânico do mundo, em seus solos congelados. Uma vez descongelados, outros tipos de micróbios do solo no permafrost possam transformar, esse carbono, nos gases de efeito estufa. São eles dióxido de carbono e metano, principais vilões que contribuem para o aquecimento climático.

RG 15 / O Impacto

 

 

 

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