Artigo – A maior fuga de capitais da história do Brasil não tem só a pandemia como vilã

Por Oswaldo Bezerra

A pandemia é uma das principais razões pelas quais o Brasil registrou uma saída recorde de investimento estrangeiro, no início do segundo semestre de 2020. No entanto, existem outros fatores que explicam uma fuga de capital tão grande.

Agora no fim de julho, o Banco Central do Brasil publicou as estatísticas. Elas mostram que a saída de investimentos do mercado de ações brasileiro e do mercado de títulos no início do segundo semestre do ano totalizou US$ 31,2 bilhões. Somente em março, os investidores estrangeiros sacaram US$ 22,2 bilhões, gerando a maior fuga de capital desde 1995, quando estas estatísticas foram criadas e pelo volume se pode dizer que foi o maior da história.

O Banco Central divulgou que a principal causa trouxe este resultado foi a incerteza na economia causada pela expansão da pandemia. Contudo, os economistas sabem que outros fatores foram determinantes como a crise política e a necessidade de reformas.

Apesar de ter sido uma força poderosa no mercado mundial, havia outros fatores. A crise política que estamos passando, especialmente nos últimos três meses, trouxe mais limitações para os investidores.

O Brasil entrou na crise da saúde já com as finanças muito desequilibradas. O nível de sua dívida já estava em 75% do PIB. E é possível que dívida, ao final da pandemia, se aproxime bastante dos 100% do PIB. É um valor alto demais para um país em desenvolvimento.

Por sorte o Brasil tem boa liquidez de seus ativos, que é mais fácil vendê-los por um preço próximo ao preço de mercado, e assim, retirando capital. Para poder atrair investidores novamente, o Brasil precisa urgentemente retomar um programa de reformas. Privatização pode ser uma delas, mas deve ser de caso muito bem pensando, pois o desenvolvimento do país pode ficar em risco. Uma saída é reduzir a participação do estado nas estatais. Outro grande entrave é que o governo brasileiro não assumiu compromissos ambientais. Isso funciona como um espantalho que afasta os investidores estrangeiros.

Existem muitas incertezas no Brasil em relação ao cenário pós-crise. Teremos que determinar exatamente quais reformas serão necessárias. Há reformas que serão aprovadas como a independência do banco central, a redução da participação do Estado, e privatização.

Perdemos o rumo durante os últimos anos, nós que sempre estivemos entre às cinco nações que mais atraiam investimento. Atraíamos investimento principalmente em petróleo. Também atraíamos por nossas altíssimas taxas de juros. Capital especulativo não ajuda muito no nosso desenvolvimento.

Precisamos equilibrar o câmbio, e as metas de inflação e fiscal. Um caminho diverso pode ser mais eficaz que ao invés de reformas econômicas mirabolantes e venda de nossas estatais, talvez o caminho mais rápido para atrair investimento seja a desburocratização, investimento em infra-estrutura, logístico e uma coisa que os políticos odeiam ouvir, diminuições de impostos.

Acima de tudo, a harmonia dos três ramos do Estado desempenha papel fundamental, não apenas para as mudanças, mas também para garantir a confiança e a “certeza jurídica” dos investimentos em ativos brasileiros com retorno a longo prazo.

RG 15 / O Impacto

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