Artigo – No ultimato de Trump o relógio faz Tik Tok

Por Oswaldo Bezerra

Foi em 2018 que Mark Zuckerberg, do Facebook, foi se explicar ao senado norte-americano. Ele não teve problema nenhum em enrolar a velha classe política, que nem sempre é bem informada sobre o real potencial das novas tecnologias. No final, ele fez um pedido de desculpas reconhecendo que cometeu um grande erro.

O Facebook vendeu os dados de 87 milhões de usuários para a Cambridge Analytica (CA). A criminosa empresa internacional, de consultoria política, que apoiou a campanha de Trump e de outros candidatos de extrema-direita pelo mundo.

Com os dados do Facebook, a CA direcionou conteúdos de maneira estratégica durante a campanha eleitora. Ficou tudo por isso mesmo com as desculpas do CEO da Facebook. Ninguém nunca nem cogitou de banir o Facebook.

Em outra história, nos últimos dias o presidente Donald Trump afirmou que baniria o Tik Tok dos EUA. O presidente norte-americano pressiona para que a Microsoft compre a marca da empresa chinesa ByteDance. Os EUA estão preocupados com os dados dos usuários norte-americanos. Myke Pompeu afirma que os dados coletados pela Tik Tok podem ser usados para manipular a eleição, por exemplo.

A imprensa norte-americana diz que não existe amparo legal pela atitude do seu presidente. O discurso liberal norte-americano some neste ato. Contudo, a eleição de Trump é uma prova de que realmente uma rede social tem poder decisivo em uma eleição.

Convenhamos, o Tik Tok não é apenas uma plataforma juvenil inofensiva. Trump detesta o Tik Tok também por outra razão. Tudo por causa de sua primeira campanha política para próxima eleição que foi na cidade de Tulsa.

Trump já comemorava um ginásio lotado com milhares de pessoas que mostraria a força da sua campanha. O ginásio estava vazio. Uma campanha pelo Tik Tok fez com que as pessoas reservassem locais e não aparecessem no dia do evento. O fiasco fez Trump ficar furioso e demitir assessores. Dias depois, Trump fez o comunicado do banimento do Tik Tok.

A ByteDance sabia que não seria bem recebida nos EUA por isso procurou um líder local de respeito. Kevin Mayer, chefe da Tik Tok nos EUA, afirma que o Facebook quer ver a empresa chinesa fora do país, e assumir seu lugar. Ao contrário do Facebook a Tik Tok não aceita publicidade política.

Quando a Microsoft confirmou no domingo que estava conversando com o proprietário da TikTok com o objetivo de adquirir o aplicativo nos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, Trump apoiou a aquisição, mas acrescentou que seria melhor comprar a coisa toda.

Trump disse que qualquer aquisição precisaria ser feita até 15 de setembro, quando sua proposta de proibição do aplicativo entraria em vigor. Caso o acordo não puder ser alcançado até então, disse ele, o TikTok estaria “fora do negócio” nos EUA.

Por pressão dos EUA, a Tik Tok foi banida na Índia e até o governo brasileira já cogita esta ação. Com o banimento da Tik Tok é improvável que os jovens queiram dividir o Facebook com seus pais, tios e avós.

Pequim afirma que a ação do governo Trump visa apenas remover um forte concorrente chinês do mercado dos EUA, em benefício de suas próprias empresas. A Tik Tok, recentemente, desafiou a todas as outras redes sociais a revelar seus algoritmos que definem a publicação de seus conteúdos.

RG 15 / O Impacto

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