Artigo – Mais de 100 mil pessoas deixaram de comparecer hoje no almoço do dia dos pais

Por Oswaldo Bezerra

Faz um ano da morte de Paulo Henrique Amorim (PHA). Em uma das suas várias obras, o livro “Plim Plim”, mostra sua participação na ação que desvendou uma fraude eleitoral que vitimaria Leonel Brizola. Em 1982, Brizola venceu as eleições no Rio de Janeiro pra governador. No entanto, o sistema de apuração do TRE em conluio com a Rede Globo alteraria o resultado da eleição. Caso a fraude fosse levada a frente, Brizola não tomaria posse como governador.

Anistiado depois de 15 anos de exílio, Brizola queria reconstruir o antigo PTB, criado por seu padrinho político Getúlio Vargas. O gabinete do então general-ministro da Casa Civil Golbery do Couto e Silva, em uma manobra, deu a sigla para Ivete Vargas, sobrinha de Getúlio, de perfil conservador.

Brizola fundou o PDT, em 1980, e foi à luta nas eleições de 1982, as primeiras diretas ao governo dos estados após o golpe militar. Entrou como azarão na disputa, na rabeira das pesquisas. Brizola brilhou na campanha.

Naquela eleição os votos eram dados em cédulas de papel que seriam apurados nas próprias mesas coletoras, sendo os resultados direcionados para as zonas eleitorais. No caso do Rio, a totalização geral era de responsabilidade da empresa “Proconsult”, que prometia agilidade, confiabilidade e tempo recorde.

A falsificação na contagem foi descoberta graças ao trabalho da imprensa, sobretudo de Paulo Henrique Amorim, e também pelo esquema de apuração paralela ao TRE-RJ, montado pela Rádio Jornal do Brasil, mais bem preparado que o aparato armado pelo conglomerado Proconsult das Organizações Globo. A Rede Globo de Televisão preparou um sofisticado conjunto de procedimentos para acompanhar a marcha da apuração no Rio.

A Rádio JB ganhou na agilidade diante da cobertura lenta da Rede Globo. E pôde revelar em primeira mão a fraude que se armava. Ficou claro, dada a discrepância entre os números anunciados nos boletins oficiais do TRE. A apuração foi interrompida e o esquema descoberto. Tudo foi desmontado às pressas. O resultado final mostrou Leonel Brizola eleito com 1.709.180 votos.

Armações da Rede Globo não terminaram aí. Em outro livro, “O Quarto Poder”, PHA demonstrou como a Rede Globo formatava a cultura e o pensamento do brasileiro. Esta estruturação possibilitava a concretização de negócios, elevação e derrubada de políticos. Pertencente a uma das famílias mais ricas do mundo, a Rede Globo, encontrou hoje um difícil oponente, a rede fakenews de Steve Bannon. Contudo, os interesses tanto, de Steve Bannon quanto o da família Marinho (dona do Globo), são os mesmos, entregar o patrimônio brasileiro ao sistema financeiro internacional, os bancos que são donos do FED.

Paulo Henrique Amorim (PHA), há três anos, indicava que a Globo e outras mídias associadas, estava criando um ambiente propício para o charlatanismo político. Segundo PHA, a demonizaão da política e dos políticos cria a oportunidade para surgimento de vigaristas. Em um de seus vídeos no seu canal ele afirmou: “quem pariu Bolsonaro foi a Globo, por que sem a Globo, Moro não existiria, foi a Globo quem desmoralizou a política e os políticos”. Foi exatamente com esta abordagem que a Globo deu plena vantagem para um candidato anti-político.

Em 1989, a Globo ajudou muito a eleger Collor como o homem anti-sistema. Foi através de um programa especial, de muita audiência, que se transformou em propaganda política com o especial “O Caçador de Marajás”. Collor se provou uma fraude. Isso se repetiu em 2018. No livro “Analfabeto Político” de Bertolt Brecht, demonstra que este tipo de direcionamento, ao estilo Globo, dá vantagens para aventureiros políticos. O exemplo do seu livro foi Hitler, na Alemanha.

Brecht escreveu: “o pior analfabeto é o analfabeto político; ele não ouve, não usa do pensamento crítico para participar dos acontecimentos políticos; ele não sabe que o custo de vida depende das decisões políticas; o analfabeto político é tão burro que estufa o peito pra dizer que odeia a política; ele não sabe que por causa de sua ignorância política aumenta o desemprego, a prostituição, a pobreza, o número de menores abandonados, a mortalidade e o pior de todos os políticos, o político vigarista, pilantra e corrupto”.

Infelizmente, nem Brecth nem PHA, com todo seu esforço em educar as pessoas no campo político livrou nosso país de cair em mais um conto do vigário. Na obra “Política” de Aristóteles aprendemos que os homens, queiram ou não, são seres políticos.

O afastamento das pessoas da realidade política, seja por desinteresse, ou por estimulação de mídias, ou redes sociais, nos levam a cenários bizarros.  Este ano, por conta da péssima condução política, mais de 100 mil pessoas não pôde comparecer ao almoço do dia dos pais.

RG 15 / O Impacto

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