Artigo – Um estranho no ninho: Brasil abre espaço para o México tomar o papel da liderança na América do Sul

Por Oswaldo Bezerra

Um grupo de legisladores exerceu pressão final, na última quarta-feira, para convencer o governo a não entregar nosso comércio do etanol para empresas dos Estados Unidos. Isso foi um pedido direto do governo de Donald Trump. Bolsonaro terá até o dia31 deste mês, para decidir se vai manter uma cota livre de impostos ao etanol norte-americano.

O governo trabalha sobremaneira para facilitar a entrada de empresas norte-americana no Brasil, em detrimento da nossa indústria nacional. Outro exemplo são as indústrias armamentistas. Bolsonaro quer comprar armas nos EUA, com isso, selou mal-estar com a indústria nacional. Esta forma do governo se deixar abandonar sua soberania e liderança deixa livre o cargo da liderança sul-americana em favor de outros países.

México e Argentina fizeram um anúncio que revolucionou a América Latina. Apresentaram à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), o projeto de vacina contra COVID-19 no qual trabalham em conjunto com a Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca.

Nesta ação ficou evidente uma estratégia para ressuscitar a Celac, organização que ficou de fora da discussão dos temas mais importantes da América Latina nos últimos anos, devido a divergências entre governos.

Mais do que ressuscitar a Celac, nota-se o esforço de dar legitimidade ao México do Cone sul da América, para preencher o vazio de liderança deixado pelo Brasil em vários organismos de integração, como o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

O Brasil negligenciou o Mercosul amplamente, e Bolsonaro teve atitudes rudes em relação ao México, Argentina e Venezuela. Essa falta de polidez e liderança do Brasil vai ser preenchida pelo México e pela Argentina.

Argentina tem problemas com os países vizinhos, por abrigar o ex-presidente boliviano Evo Morales (2006-2019), por isso tem “relações ruins” com a Bolívia, além de discrepâncias com o Peru e Colômbia. O apoio do México será muito importante para a Argentina.

Em 17 de agosto, os Governos da Argentina e do México apresentaram o projeto de vacina COVID-19 à Celac. O presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou que a participação na produção permitirá que a vacina esteja disponível no primeiro trimestre de 2021. A meta é fabricar entre 200 e 350 milhões de doses para serem distribuídas na América Latina, com exceção do Brasil, que mantém convênio próprio com a Universidade de Oxford.

O México, historicamente, não tem reconhecimento na região da América do Sul, porque é visto como um “pária” dos Estados Unidos. O que mais incomoda no Cone Sul é essa tradicional aliança. O México sempre esteve mais próximo dos Estados Unidos do que do resto dos países latino-americanos (que deu origem a frase: tão perto dos EUA e tão longe de Deus).

Por isso, se procurou integrar países latino-americanos sem o México. Foi o que aconteceu com a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (Alalc) em 1960, cujo desenvolvimento foi promovido pelo Brasil quee não convidou o país norte-americano (México). O México se convidou.

Depois o Alalc desapareceu e em seu lugar foi criada a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) em 1980. Lá, o México conseguiu entrar como um penetra. Sempre havia uma barreira tentando impedir. Hoje, o único país com o qual tem um acordo de livre comércio é o Uruguai.

Vai ser difícil reanimar a Celac. A situação da Celac é complicada porque abriga os países da América Latina e do Caribe, onde há fortes discrepâncias políticas. A mais importante sem dúvida é o do Brasil no que diz respeito a governos como o mexicano e o argentino.

Além disso, o Brasil não se volta para a região. É algo muito diferente do Peru com o presidente Vizcarra, que totalmente alinhado com os EUA, mas mantém colaboração com a Rússia e a China. As diferenças ideológicas não deveriam trabalhar contra o bem-estar da população.

A Celac é definida como “o mecanismo político latino-americano e caribenho por excelência”, no qual os países da região estabelecem posições regionais, em diferentes fóruns internacionais de âmbito global. Foi criado no México em 2010 e conta com a adesão de mais de 30 países da América Latina e do Caribe.

No dia 17 de janeiro deste ano, o chanceler do Brasil, considerado o pior diplomata do mundo segundo a Revista norte-americana Jacobi, Ernesto Araújo, confirmou a saída do país da Celac e criticou a entidade por dar espaço a regimes “não democráticos”.

RG 15 / O Impacto

Um comentário em “Artigo – Um estranho no ninho: Brasil abre espaço para o México tomar o papel da liderança na América do Sul

  • 29 de agosto de 2020 em 21:05
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    Quanta choradeira! Realmente, tendo os USA como vizinho e maior parceiro comercial, o México se lixa pro restante da América, onde ainda se dá ouvidos a marxistas oportunistas, padrão Carniça 51, ávidos por grana pública, sem esquecer da vice presidente da Argentina, cuja fortuna familiar aumentou 800 % durante o período em que foi presidente, assim como seu falecido marido ! Quanto ao diplomata Ernesto Araújo, ele fez o que tinha mesmo que se fazer, cortar as asas de figurinhas de países cucarachos, cujo objetivo maior é arrastar os incautos pro inferno padrão Venezuela; depois nem pisam lá, deixando pros vizinhos socorrerem os esfomeados e maltrapilhos que dali fogem , como ocorre em Boa Vista, onde até hoje as Forças Armadas acolhem, dão abrigo, alimentam e encaminham os incautos que acreditaram no engodo do H.Chaves e Maduro. Enquanto td transcorre, os marxistas tupiniquins se fazem de desentendidos, em nada socorrendo as vítimas diretas dos conchavos dos abutres golpistas do Foro de São Paulo !!!

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