Artigo – A inacreditável visão do aumento de preço nos supermercados

Por Oswaldo Bezerra

Uma das citações de áudio mais famosas no Tik Tok, no momento, é a do baiano Jotinha, quando ele diz: “Minha vó já me dizia, meu filho, meu filho, tu vais ver coisa, tu vais ver coisa, e eu pensava que nada, isso é mentira de Dindinha… Mentira era uma porra. Era tudo verdade”.

Esta frase do Jotinha não saiu da minha cabeça hoje, quando fui ao supermercado. Nunca pensei que veria arroz a R$ 23,80, óleo a R$ 7,50, leite a R$ 4,90, o preço do feijão dobrou este ano. Qual o motivo de tanta carestia?

Das 44 principais economias do mundo, desenvolvida e emergente, o Real brasileiro é a moeda que mais desvaloriza. O enfraquecimento da moeda brasileira fez o produto nacional ficar mais barato lá fora e aumentar a exportação, enquanto isso a demanda interna não caiu.

Resultado, os preços dos alimentos estão explodindo. Nós que havíamos saídos do mapa da fome estamos vendo as cores de nossa bandeira, serem repintadas, patrioticamente, no mapa outra vez. Para conter este desastre, o presidente Bolsonaro pede “patriotismo” para a rede de supermercados, para conter alta da cesta básica com a redução de suas margens de lucro.

Em respostas a este pedido a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) pediu ao governo para aliviar a situação, adotando medidas em relação ao imposto de importação de itens básicos, como o arroz, por exemplo.

O aumento de preço dos produtos alimentícios vai gerar uma insegurança alimentar ao povo. Já houve um momento em sua vida em que você não comeu o suficiente durante uma semana? Você nunca experimentou isso? Então você é um afortunado. Mesmo durante os melhores momentos da economia mundial, milhões lutaram contra a fome, e hoje, definitivamente, não são os melhores momentos da economia do planeta.

Por causa de todas as coisas malucas do ano de 2020, um grande número de pessoas será forçado a mudanças dramáticas no estilo de vida. A luta contra a fome não será uma exclusividade brasileira, neste ano.

Em muitos países, seus habitantes cortaram profundamente seus orçamentos alimentares, devido à falta de renda. No país mais rico do mundo as coisas não estão sendo diferentes. É o que mostra uma reportagem da Bloomberg. Nela está projetado que mais de 50 milhões de norte-americanos, até no final deste ano, estarão lutando contra a fome.

Os EUA têm uma população de 328 milhões de pessoas, portanto, esse número que Bloomberg citou representa uma parte considerável do país. Infelizmente, esperar até o fim do ano para ver este número catastrófico é ainda ser otimista. Uma pesquisa recente descobriu que um décimo de todas as famílias norte-americanas não se alimentou o suficiente, em pelo menos uma semana este ano.

É um quadro chocante para o país mais rico do mundo. É o número mais alto desde que os dados governamentais começam em 1995. O que mais entristece é o sofrimento de idosos e crianças que estão nestes milhões de pessoas. Sofrimento maior ainda para os pais quando ouvem de seus filhos que estão com fome.

E isso é só o começo. A previsão é que os preços dos alimentos vão continuar subindo vertiginosamente até mesmo no próximo ano, e isso vai apertar ainda mais os orçamentos familiares. Para piorar, os números do desemprego continuam subindo. Mais e mais pessoas usam os subempregos como boia de salvação.

A EMBRAER pretende eliminar 2.500 empregos bons, em um movimento de redução de custos. A Ricardo Eletro demitiu semana passada 3.500 pessoas. Nos EUA a Ford demitirá 1400 pessoas de do alto escalão, os empregos bons. A United Airline licenciará mais de 16 mil funcionários sem garantida de volta.

Muitas outras empresas lá e aqui demitirão. Como a maioria dos americanos e dos brasileiros vive de salário em salário, a perda do emprego coloca toda uma família em apuros, muito rapidamente. Nos EUA, pode se observar longas filas de pessoas dirigindo veículos de luxo, esperando por até seis horas para obter alimentos em bancos de alimentos locais, onde antes só víamos moradores de rua.

Vários norte-americanos estão respondendo às circunstâncias com descontrole. De acordo com o Daily Mail, o número de norte-americanos com sintomas de depressão triplicou só nos últimos oito meses. No Brasil, os quadros de depressão e ansiedade dobraram durante março e abril. E à medida que as coisas pioram muitas pessoas não serão capazes de lidar com o que está acontecendo.

Esta noite, milhões e milhões de famílias tanto aqui como nos EUA não têm comida suficiente para comer, e mais empregos estão sendo perdidos a cada dia que passa. Você pode pensar que seu emprego está seguro, e espero que seja verdade, mas milhões de outras pessoas também pensaram que seus empregos estavam seguros, logo antes de serem dispensados.

Antes de pensar em investir em metais preciosos ou ações, é bom se assegurar que há comida suficiente armazenada para você, sua família, seus amigos e seus vizinhos, porque ter comida suficiente será crítico para o período em que estamos nos movendo. Afinal de contas, Jotinha da Bahia já dizia em um dos seus áudios: “O bambu está gemendo”.

RG 15 / O Impacto

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