Artigo – Facebook elimina contas norte-americanas por interferir na política latino-americana

Por Oswaldo Bezerra

Acabar com a influência criminosa em campanhas eleitorais, por redes sociais, se tornou algo fundamental no mundo moderno. Quando esta ação vem do Facebook e versa acabar com a influência estrangeira, claro, é a Rússia que será pintada como a vilã. Faz parte apenas de uma propaganda estatal dos EUA.

Contudo, este gigante da mídia social, nos últimos meses, eliminou realmente uma série de páginas que interferiam na política latino-americana que vinham de Washington, várias delas com dinheiro estatal brasileiro.

A CLS Strategies é um dos muitos grupos de relações públicas e lobby que são apadrinhados por Washington. De acordo com o próprio site da empresa, ele serve de ajuda aos clientes para ganhar onde mais importa, no mercado e no tribunal da opinião pública.

Por trás do discurso corporativo do site, a CLS Strategies faz lobby junto aos legisladores em nome de políticos e corporações estrangeiras e executa operações de desinformação sob medida. No Brasil é comum observarmos sites de fakenews e de desinformação. O seu financiamento vem de empresas do governo, disfarçado de propagandas. Recentemente, o TCU obrigou o Banco do Brasil a retirar propagandas destes sites.

Foram criadas agências para desmascarar estes sites. Uma delas é chamada Sleep Giant que denuncia sites, para que empresas desavisadas não financiam, sem querer, os sites de ódio e desinformação. No Brasil as coisas andam na contramão. Em vez da Polícia Federal do Brasil investigar os sites de notícias falsas, eles abriram investigação contra a Sleep Giants, numa jogada de intimidação.

Por contas destas agências, a CLS Strategies foi pega na semana passada operando 55 contas do Facebook, 42 ​​páginas e 36 contas do Instagram na Venezuela, México, Argentina, Brasil e Bolívia. Juntas, essas páginas tiveram milhões de seguidores e procuraram manipular a política nesses países. O custo seria, oficialmente, de US$ 3,6 milhões para os clientes do CLS. O Facebook anunciou na sexta-feira que havia fechado todas suas páginas e contas.

Na Bolívia, o CLS criou páginas falsas em apoio à ditadora do país, Jeanine Anez. As páginas espalham histórias negativas sobre o ex-presidente Evo Morales, um socialista que foi afastado do cargo no ano passado por militares e fugiu para o México. Falsos “verificadores de fatos” dão um ar de falsidade as histórias prejudiciais sobre Anez, enquanto a equipe do CLS criava perfis falsos. Em alguns casos, apenas usava seus perfis reais para divulgar seus próprios relatórios.

Na Venezuela, a empresa criou perfis e páginas para atacar o presidente, Nicolas Maduro que sofreu repetidas tentativas de golpe, desde que o líder da oposição Juan Guaido se auto declarou presidente interino. Guaido é reconhecido pelos Estados Unidos e cerca de 50 outros países como o líder legítimo da Venezuela, mas o CLS também incentivou as figuras da oposição Henrique Capriles e Maria Corina Machado.

Além disso, um relatório da Universidade de Stanford revelou que vários funcionários do CLS já haviam trabalhado em campanhas políticas para a oposição venezuelana. O relatório não revelou a extensão da suposta campanha de influência no México.

Embora suas metas estivessem alinhadas com as do governo do presidente Donald Trump dos EUA, o CLS Strategies não funcionava como o braço de interferência eleitoral do governo. Em vez disso, seus funcionários eram robôs políticos baseados nos Estados Unidos, obtendo um lucro considerável em nome dos políticos latino-americanos. Apesar de estar sediada em Washington, a empresa insiste que não dirigia uma operação de influência estrangeira, já que seus clientes eram direcionados dentro dos países.

No entanto, existem ligações entre o CLS e o governo norte-americano. O conselheiro sênior Mark Feierstein, cujo nome foi apagado do site da empresa nos últimos dias, também foi conselheiro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

O “think tank” baseado em Washington se reuniu com oficiais militares dos EUA e militares traidores da América Latina, para planejar uma possível invasão da Venezuela. Antes disso, ele foi assistente do presidente Obama, serviu no Departamento de Estado de Bill Clinton e trabalhou para a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional como administrador assistente para a América Latina.

Com o Facebook regularmente alegando ter descoberto a interferência russa, chinesa ou iraniana na política dos Estados Unidos, a remoção das contas do CLS é notável. É a primeira vez que uma empresa norte-americana foi pega em flagrante interferindo nos assuntos estrangeiros, através da mídia social. Nos EUA, entretanto, tais operações foram bem documentadas. Mais notavelmente, uma empresa chamada New Knowledge foi pega criando um exército de falsos “bots russos”, em 2017 (Link 6).

A empresa também usou táticas semelhantes ao CLS, criando páginas projetadas para afastar os eleitores republicanos de um candidato para outro. Do mesmo modo que muitas páginas no Brasil como as de Allan dos Santos, que viajou para o México para, supostamente, fugir do inquérito do STF sobre fakenews.

RG 15 / O Impacto

 

 

 

Um comentário em “Artigo – Facebook elimina contas norte-americanas por interferir na política latino-americana

  • 8 de setembro de 2020 em 07:00
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    KKKKKKKKKKK….impressionante a choradeira dos comunistas com a súbita tomada de consciência da população em vários países latinos, quanto ao verdadeiro sentido e natureza do marxismo, como se ninguém estivesse observando o desastre econômico e social que promoveu até hoje. Tentam desviar a atenção da Venezuela, por exemplo, pintando o inferno ali instalado por Hugo Chaves e perpetuado pelo ditador Maduro, com pinceladas de azul ! O que é desmentido pelas levas de famintos, doentes e desesperançados venezuelanos que dali fogem, em direção às fronteiras dos países vizinhos, onde preferem viver mendigando nos cruzamentos de trânsito a sobreviver naquele “”paraíso socialista””, disputando com os cães restos de comida em lixeiras. Agora vem o articulista em tela querer culpar meios de comunicação norte americanos por “”interferências em países e assuntos estrangeiros””, como se os comunistas não fossem mestres na arte de meter o bedelho nas políticas alheias, contra o que temos que nos prevenir, quando descaradamente os vermelhos chineses mantém o sonho de conquistar o mundo, agora com o auxílio da fortuna colossal de capital acumulada, proporcionada pelo neoliberalismo econômico que adotaram como antídoto pra economia chinesa, até então falida pelo marxismo ! Xôôôôô…demagogos, acordamos !

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