Artigo – Quem luta pela população esquecida do Brasil?

Por Oswaldo Bezerra

O problema de moradores de rua dificilmente será encarado por nossos políticos, com políticas robustas e abrangentes. Por isso, é característica a atuação da sociedade civil com suas organizações combatendo este problema. Neste campo, destaca-se o papel do MTST. Como surgiu e o que faz o MTST?

Tudo começou em 1997. Naquele ano ocorreu a grande marcha dos trabalhadores rurais sem terra, organizada pelo MST. Camponeses de todo o Brasil foram se reunindo no caminho e se dirigiram à Brasília. A data foi dia 17 de abril, aniversário do massacre de camponeses de Eldorado do Carajás, quando 19 de seus militantes foram assassinados pela PM do Pará.

Foi durante esta marcha que surgiu o MTST. O motivo foi que a marcha dos camponeses passou por diversas cidades, com vários problemas. Um dos mais desumanos foi constatar que existiam mais casas vazias no Brasil do que gente sem casa.

Assim foi criado o Movimento dos Trabalhadores Sem teto. Era uma versão urbana do MST. A luta no campo é dura e perigosa. Na cidade, a luta é diferente, mas não menos complicada. Uma explicação de como se dá este movimento você pode ver em detalhes no livro “Por que ocupamos? Uma introdução a luta dos sem teto” de Guilherme Boulos.

Por mais que se tente dar dignidade ao povo, a nossa sociedade vê os integrantes deste Movimento como vagabundos, terroristas e invasores. Falta o conhecimento de que grande parte dos sem tetos são, na verdade, trabalhadores de baixa renda.

O maior líder do Movimento é Guilherme Boulos. Filho de um médico famoso em São Paulo, Guilherme decidiu morar em uma ocupação do MTST em São Paulo. Depois de um período de desavenças com o MST e com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, o Movimento pela moradia urbana entrou em crise. Depois de 2 anos de crise, em 2005 o MTST ganhou força e passou a ser alvo da mídia.

Em 2014, o MTST ocupou um terreno próximo ao estádio do Corinthians. Um total de 4 mil famílias ocupou terreno ao lado do Estádio onde haveria abertura da Copa e por isso ganhou destaque da mídia. Foi defendido que a Copa do Mundo não deixou legados positivos quanto à moradia. Ao contrário, contribuiu com despejos.

Líderes do movimento foram recebidos pelo governo federal. Pela primeira vez se ouviu falar no Brasil de reforma urbana. Os itens básicos desta reforma foram conter a especulação imobiliária, conter a propagação de lotes ociosos, garantir acesso para além da área nobre.

Ao contrário do que muita gente pensa, a luta por moradia não se resume a ocupação de imóveis ociosos. A luta por moradia passa por um re-ordenamento das cidades.

Os líderes do Movimento dos Sem Teto tentam tirar o estigma de que eles invadem propriedades privadas. Os líderes garantem que quem invade propriedades são os bancos. Desde o início do Movimento, em 2014, os bancos já tomaram mais de 70 mil casas por falta de pagamentos.

O trabalho do Movimento ganhou força política ao longo dos anos. Já conseguiram lançar projetos habitacionais e fazer o poder executivo rever posições sobre diversas áreas.

Em 2013 o MTST invadiu o triplex atribuído a Lula. Foi descoberto que a reforma da cozinha e as instalações de um elevador panorâmico, tão badalado pela mídia, foram fantasias.

A propriedade precisa cumprir uma função social. No Brasil são mais de 6 milhões de imóveis vazios. O “Movimento Teto Sem Trabalhador” composta por bancos, construtoras e especuladores imobiliários é que deveria ser discriminado pela sociedade.

As ações do MTST já proporcionaram que milhares de pessoas, em todo o Brasil, realizassem o sonho da casa própria. No entanto, o quadro atual crescente de moradores de rua, por causa da crise econômica do país que teima em não acabar, continua a crescer.

RG 15 / O Impacto

Um comentário em “Artigo – Quem luta pela população esquecida do Brasil?

  • 18 de outubro de 2020 em 17:50
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    O objetivo dos comunistas não é resolver o problema de moradia, mas arregimentar a massa de sem teto e sem terra para usar como massa de manobra, visando a implantação do marxismo, simples !

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