Artigo – O grande derrotado na eleição boliviana

Por Oswaldo Bezerra

Nas eleições gerais da Bolívia houve um claro ganhador. Foi o partido “MAS” (Movimento ao Socialismo), o partido de Evo Morales, que ganhou a presidência e ampla maioria das duas câmaras. Como em todo processo eleitoral, também há os derrotados.

Neste caso houve um grande derrotado, não estamos falando dos outros candidatos, Carlos Mesa e o golpista Luis Fernando Camacho, que também perderam. Estamos falando de Luis Almagro e a organização que ele representa.

Tanto o desenvolvimento, como o resultado das eleições, foi uma bofetada nas teses e estratégias da Organização dos Estados Americano (OEA) em respeito a Bolívia em todo o último ano.

A eleição boliviana foi vencida já no primeiro turno pelo candidato Arce. As projeções já apontavam uma vitória esmagadora com mais de 52% dos votos. Mais do que isso o partido de Arce terá total controle da câmara dos deputados e do senado. A auto declarada presidente Jeanine Añes, bem antes do resultado final, reconheceu a vitória de Arce e Choquehuanca. No dia seguinte, Mesa e Camacho também reconheceram e felicitaram os eleitos.

A Bolívia tinha uma presidência cada vez mais em dúvida quanto sua legitimidade. Também se vivia a expectativa do papel que teria a OEA, em vista ao seu protagonismo nas eleições de 2019. A OEA acusou sobre uma suposta fraude eleitoral, em um informe muitíssimo questionável.

Nesta última eleição, a OEA, nos dias e horas anteriores a votação, caracterizou-se por sua inação. Exemplo disso foi o total silêncio quando um grupo de acompanhantes eleitorais argentinos, encabeçado pelo deputado Frederico Fagioli, foi preso ao chegar ao país. Os militares que executaram a prisão tiveram total apoio do poder judiciário. Só foram liberados após o protesto da chancelaria argentina, e puderam cumprir suas funções eleitorais.

Fagiolo afirmou que houve aval da OEA para as prisões. Alamgro rebateu a acusação e afirmou que não teve participação na prisão. A OEA tamém não se pronunciou sobre a militarização das ruas das cidades bolivianas no dia da votação. Algo que não acontecia na Bolívia há décadas.

Há 24 horas do início da contagem dos votos, o TSE anunciou que a contagem rápida não seria feita. Foi aí que a OEA resolveu se manifestar e dizer que a medida garantiria a transparência do pleito. Foi uma postura totalmente oposta ao que havia feito no ano passado, quando a contagem lenta seria, aos olhos da OEA uma prova de fraude.

A crise econômica, política e os massacres ocorridos durante o catastrófico governo, instaurado após o golpe, já têm seus participantes trabalhando para se eximira de qualquer culpa. Caro que o troféu do “Não Fui Eu” irá para a OEA.

O mais difícil será a OEA explicar como, que em outubro de 2019, com uma mega fraude o partido MAS obteve 47% dos votos, e em menos de um ano depois, sem fraude, o partido conquistou 51%. Em 2019, a OEA anunciava que houve uma mudança inexplicável no rumo das votações.

Como explicar que esta mesma mudança aconteceu de novo? É fácil explicar, quando a contagem é feita nas localidades rurais do país os votos são todos para o partido “MAS”, pois é o partido que os representa, também são os votos mais lentos para computar. Com a contagem mais rápida nas áreas urbanas a eleição segue favorável ao partido opositor, mas quando se chega as áreas rurais o montante, do partido de Arce, dá uma virada e se distancia.

O secretário-geral da OEA convalidou os resultados em sinal de transparência. Foi como dizer que, se ganha o MAS com fraudes denunciamos, mas se ganha o MAS e não detectamos fraude o convalidamos. Almagro ficou ofendido pela falta de aplausos após seu pronunciamento.

Em seu perfil do Twitter, Almagro felicitou os ganhadores na Bolívia. Mensagem esta que foi recebida com uma descomunal avalanche de pedidos de renúncia, como respostas. Almagro não reconhecerá que teve vital participação no golpe de Estado na Bolívia, que trouxe um ano de ingovernabilidade, caos, violência e perdas de vidas humanas.

RG 15 / O Impacto

4 comentários em “Artigo – O grande derrotado na eleição boliviana

  • 22 de outubro de 2020 em 04:55
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    Logo começarão as fugas de bandos de bolivianos em direção à fronteira com o Brasil, esfomeados e doentes, dizendo que o comunismo é uma porcaria, tal e qual ocorre com os venezuelanos e já começa a acontecer com os argentinos. É quando os entusiasmados marxistas tupiniquins desaparecem, nenhum vai socorrer os miseráveis nos postos de fronteira, deixando todo o trabalho nas mãos dos nossos militares. Inclusive o colunista deste artigo, exultando a vitória dos comunas na Bolívia, nunca pisou na fronteira com a Venezuela para doar um pão ou remédio para os estropiados !

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  • 21 de outubro de 2020 em 19:03
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    E se o Trump não ganhar só vai restar só China e Rússia que ainda suportam o Brasil por causa do BRICS e em consideração povo brasileiro que é gente boa, Por que se dependesse só do baba ovo do Trump o Brasil tava era corroído.

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  • 21 de outubro de 2020 em 11:34
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    Pelo visto o cheira peido e ventríloquo do Trump o palhaço Bozo, vai ficar ilhado politicamente na América do Sul.

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  • 21 de outubro de 2020 em 08:01
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    INFELIZMENTE GANHOU O COMUNISMO NOVAMENTE. COITADO DO JÁ SOFRIDO POVO BOLIVIANO, COMO A VENEZUELA E AGORA A ARGENTINA, ELES VAI PADECER POR SEU ERRO ELEITORAL.
    MAS CADA POVO TEM O PRESIDENTE QUE MERECE.

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