Artigo – A via crucis do dólar americano

Por Oswaldo Bezerra

O bitcoin iniciou 2020 com um valor de 8 mil dólares e terminou com um valor de 33 mil dólares. Qual o motivo disso? Os economistas afirmam que no ritmo atual de destruição do dólar norte-americano a moeda valerá menos que o papel higiênico. Parece uma afirmação absurda, mas é verdade. Assim que a pandemia de COVID atingiu os Estados Unidos, aqueles que controlam a marcha do país resolveram ir cm força total e sem olhar para trás.

Como resultado, o tamanho da oferta monetária está aumentando a uma taxa inimaginável apenas alguns anos atrás. Para ilustrar basta ver o gráfico que foi postado no Twitter por James Turk. Como se pode ver, M1 aumentou mais de 50% em 2020.

Nunca houve um ano assim nos EUA. O que os gringos estão fazendo é insano, mas a maioria dos americanos parece não estar ciente do que está acontecendo, é que grande mídia não está falando sobre isso.

M1 é o suprimento de dinheiro que é composto de moeda física e moeda, depósitos à vista, cheques de viagem, outros depósitos verificáveis ​​e contas de ordem de saque negociável (AGORA).

M1 inclui as partes mais líquidas do suprimento de dinheiro, porque contém moeda e ativos que são ou podem ser rapidamente convertidos em dinheiro. No entanto, “quase dinheiro” e “quase, dinheiro próximo”, que se enquadra em M2 e M3, não podem ser convertidos em moeda tão rapidamente.

Quando dinheiro novo entra no sistema, cada dólar se torna menos valioso. Quando o salário não aumenta na mesma proporção que a oferta monetária, significa que ele também se tornará menos valioso. Podemos pensar no sistema monetário como uma pizza. Quando mais dólares são adicionados à pizza, sua fatia da pizza fica cada vez menor.

Então, quem se beneficia desta pizza? Os ultra-ricos são os beneficiados. Para entender isso, olhe o gráfico da Federal Reserve, que mostra como M1 tem subido em uma base absoluta.

Pelo gráfico, M1 tem literalmente subido quase a uma taxa vertical e faz com que toda a inflação anterior pareça sem sentido. É por isso que o mercado de ações continua batendo recorde após recorde.

As ações começaram a cair quando a COVID começou a se espalhar nos Estados Unidos, e o Federal Reserve decidiu fazer o que fosse necessário para resgatar os mercados. A resposta “sem precedentes” acabou sendo “um dos principais impulsionadores da riqueza dos bilionários”.

Um dos principais impulsionadores da concentração de riqueza bilionária foi a resposta da política monetária, sem precedentes, para estabilizar os mercados financeiros nos primeiros dias da pandemia, o que estimulou o aumento do mercado de ações que desafia até a gravidade.

Quando Wall Street estava à beira do pânico em março, o Federal Reserve interveio com a promessa de taxas baixas e uma torneira de liquidez aberta. Além disso, o Congresso continuou a aprovar “pacote de estímulo” após “pacote de estímulo” em uma tentativa desesperada de “resgatar” a economia.

No processo, eles pegaram empréstimos e gastaram trilhões de dólares que não havia, e isso também ajudou a alimentar a transição para a hiperinflação. A boa notícia é que, diferente do Brasil, a hiperinflação ainda não está apareceu nos supermercados norte-americanos.

Eventualmente isso vai acontecer, os preços ao consumidor já estão subindo em um ritmo mais rápido que o normal. Já há hiperinflação nos preços das ações, nos imóveis de alto padrão, nas áreas rurais e suburbanas e em outras áreas da economia nas quais os ultra-ricos têm despejado seu dinheiro. Apesar de ter acabado um dos piores anos econômicos da história dos EUA, 2020 foi realmente um ano excelente para os bilionários de lá.

Entre meados de março e dezembro, os Estados Unidos ganharam 56 novos bilionários, de acordo com o Institute for Policy Studies, elevando o total para 659. A riqueza mantida por aquele pequeno grupo de norte-americanos saltou em mais de US$ 1 trilhão desde o início da pandemia.

De acordo com um relatório emitido em conjunto por Americans for Tax Fairness e o Institute for Policy Studies usando dados compilados pela Forbes, os bilionários da América possuem cerca de US$ 4 trilhões em riqueza. É o dobro do que os 165 milhões de americanos mais pobres possuem coletivamente. Os 10 bilionários mais ricos têm um patrimônio líquido combinado de mais de US$ 1 trilhão. No ano passado, os ricos ficaram muito mais ricos e os pobres ficaram muito mais pobres.

O ano de 2020 foi um “desastre financeiro pessoal” para 55% de todos os norte-americanos. O ano terminou com cerca de 20 milhões de americanos ainda recebendo seguro-desemprego do governo, e a pobreza e a falta de moradia continuam explodindo no país.

Os shoppings estão indo à falência. Nomes como J.C. Penney, Neiman Marcus e J. Crew entraram com pedido de falência. Cada vez mais, as opções de compras dos americanos se resumirão a um punhado de Everything Stores na Internet. Os economistas afirmam que ainda é apenas a ponta do iceberg. Em torno de 100.000 unidades físicas de lojas de varejo fecharão até 2025, segundo um relatório de pesquisa do UBS.

Ao que parece, a cada nova crise as autoridades responderão imprimindo ainda mais dinheiro. Isso é o que foi feito na Venezuela, e agora quase todos na Venezuela são milionários, com dinheiro que não vale quase nada. É quando o dinheiro se torna inútil.

Não há dúvida que também estamos em uma depressão econômica global. O PIB global está cerca de 8% menor do que era antes do início da pandemia, e as perspectivas para 2021 não parecem promissoras. O gráfico da Reserva Federal nos lembra disso. Todas as outras vezes que isso foi tentado na história humana, a história terminou mal, como em Roma, ou na Alemanha, por exemplo. Tudo acabou em um triste cenário hiper inflacionário.

 

RG 15 / O Impacto

 

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