Fim do Auxílio Emergencial afeta quase 50% da população de Santarém

No início do ano de 2020 fomos pegos de surpresa com o aparecimento dos primeiros casos de infectados pelo novo coronavírus. Rapidamente a doença se espalhou e uma das medidas tomadas para refrear a sua propagação foram os chamados lockdowns, nos quais, por um período de tempo, somente os serviços essenciais como farmácias, postos de gasolina e locais de venda de alimentos poderiam continuar a funcionar. Embora necessário para a saúde pública, pois a movimentação de pessoas em centros comerciais e aglomerações poderiam trazer um aumento no número de contaminados nos hospitais, os fechamentos acabaram por ocasionar alguns problemas na economia. Trabalhadores da área de serviços e ambulantes foram muito afetados e, com a falta de circulação, muitos locais chegaram até mesmo a fecharem as portas e a demitirem seus funcionários.

Com a economia perdendo o fôlego, a saída surgiu através do chamado Auxílio Emergencial. Criado em meio ao isolamento para estabelecer medidas de proteção social, tinha o intuito de atenuar a crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus, e deveria ser destinado a todos aqueles que necessitassem de um suspiro para enfrentar o momento. Baseada em ações implementadas em vários países pelo mundo, a iniciativa original do Ministério da Economia propunha um valor de apenas R$ 200, 00. Porém, o Poder Legislativo ampliou o valor para R$ 600, 00 através da LEI Nº 13.982, DE 02 DE ABRIL DE 2020, que estabeleceu o auxílio para aqueles que se encaixassem nas regras de recebimento, como trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos, desempregados, e pertencentes a famílias cuja renda mensal por pessoa não ultrapassasse meio salário mínimo  (R$ 522,50), ou cuja renda familiar total fosse de até 03 (três) salários mínimos (R$ 3.135,00).

Em relação a Santarém, o que mais impressionou foi a quantidade de pessoas que se encaixaram nos termos que as caracterizam como vulneráveis socialmente. Segundo dados divulgados pela Controladoria Geral da União, através do portal da transparência, há no município 138.914 beneficiados pelo Auxílio Emergencial. Se levarmos em consideração que nos mesmos dados há a informação de que Santarém possui uma população de 294.580 pessoas, isso mostra que 47.16% dos moradores, ou seja, quase metade da população recebeu o auxílio.

Esse é um dado preocupante, pois mostra a fragilidade da economia santarena. Do total de recursos recebidos através do governo federal, R$ 396.257.400,00 foram gastos somente com o pagamento desse benefício, um valor até maior do que o município recebeu para se gerir, que foi de R$ 375.824.100,44. Isso mostra que os santarenos ainda necessitam muito de ajuda governamental, o que denuncia a pobreza que ronda nossa região.

Vimos então que esse valor foi uma grande injeção de recursos para a movimentação econômica da cidade, o que com certeza ajudou todos aqueles que o receberam a passar por esse momento tão difícil. Como 50% da movimentação financeira de Santarém é proveniente do comércio, setor que sofreu o maior impacto ocasionado por essa crise sanitária, manter o poder de compra dos santarenos através do Auxílio Emergencial foi o que segurou um pouco da economia no lugar. Além disso, possuímos muitos trabalhadores autônomos e pequenos agricultores que ficaram sem ter de onde tirar o seu sustento, sendo então os saques de R$600 e posteriormente R$300 reais as suas únicas fontes de renda.

No entanto, e agora? O que irá acontecer a todos esses santarenos, uma vez que os pagamentos infelizmente cessaram?

Já iniciamos o ano de 2021 com o corte do Auxílio Emergencial. O problema é que a economia ainda não está recuperada ao ponto de as pessoas não necessitarem mais dos pagamentos, e isso terá um impacto muito grande no desenvolvimento social de Santarém, uma cidade que, como vimos, se manteve funcionado graças a esse dinheiro que circulou entre as camadas menos favorecidas. E com o aumento no número de contaminados pela covid-19, além de toda a incerteza que há no momento em relação às vacinas, não sabemos qual serão os próximos passos do governo para refrear essa recessão.

Assim, muitas pessoas que dependiam exclusivamente dos saques para sobreviver já não sabem o que irão fazer para pagar as contas após o corte. Com as taxas de desemprego ainda elevadas e sem esse pequeno alívio, logo veremos um decrescimento nas relações de consumo. O acréscimo dessa renda extra não foi totalmente eficiente, mas diminuiu as perdas causadas pela crise pelo menos entre os mais pobres. E embora muitos acreditem que o programa Auxílio Emergencial seja agora dispensável, sabemos que os níveis de desigualdade que separam os brasileiros é enorme, desse modo os governantes precisam pensar, e rápido, em uma maneira de continuar a fornecer um meio para que os abismos não se tornem ainda maiores.

 

Por: Thays Cunha

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