Artigo – Globalismo, Multilateralismo e Nova Ordem Mundial

Artigo: Por Oswaldo Bezerra

Quase todos os países do mundo anseiam por uma nova ordem mundial em que haja mais justiça e distribuição de renda. Os EUA e seus países satélites querem, a todo o custo, continuar usufruindo do poder do dólar, do sistema swift, que funciona como um sistema terrorista de sanções econômica e do poderio militar.

As grandes potências mundiais, fora os EUA, como Rússia, China e Índia também torcem para que o “multilateralismo”, em que todos os países participem dos temas mais importantes do mundo de maneira igualitária, vigore. Claro, os EUA ainda preferem continuar sendo a única potência hegemônica.

O Brasil, mesmo sendo uma potência mundial, assumiu uma postura de lacaio dos EUA acatando tudo o que Washington mandar sem questionar. É o chamado alinhamento automático. É um caminho que vai de encontro a tendência da atualidade. A era de um mundo unipolar já chegou ao fim.

Pelo menos, esta é a opinião do presidente russo, Vladimir Putin, falando no Fórum Econômico Mundial em Davos, que está sendo realizado remotamente este ano. Segundo Putin, houve na verdade só uma tentativa de consolidação de um mundo “unipolar”, mas isso já passou.

Este não usual monopólio, por natureza, vai contra a pluralidade cultural histórica de nossa civilização. É inaceitável que ações unilaterais sejam legitimadas em nível internacional. Em vez disso, as abordagens multilaterais como o Formato Astana funcionam bem para resolver conflitos, acrescentou o estadista russo.

“As abordagens multilaterais realmente funcionam, a prática mostra. Lembro que, por exemplo, dentro do Formato Astana, Rússia, Irã, Turquia fizeram muito para estabilizar a situação na Síria”, acrescentou Putin.

O presidente declarou ainda que é necessário desenvolver novos mecanismos multilaterais, para melhorar a cooperação entre os países. “É preciso adotar formatos adicionais de interação, conhecido como multilateralismo”, afirmou o presidente da Rússia.

Além disso, o dirigente russo destacou que agora no mundo existem diversos centros de desenvolvimento, com seus próprios modelos e sistemas políticos e instituições sociais. Ele destacou a necessidade de “criar mecanismos que ponham de acordo seus interesses para que a diversidade, competência absolutamente natural dos polos de desenvolvimento, não degenerem em anarquia e em uma série de conflitos prolongados.

Para atingir esse objetivo, é necessário fortalecer e desenvolver os institutos universais, responsáveis ​​por garantir a segurança e a estabilidade no mundo, bem como por elaborar normas de comportamento na economia e no comércio mundial.

A pandemia do coronavírus agravou os problemas de desequilíbrio que já existiam no mundo. Putin alertou que há riscos de um maior crescimento de contradições em quase todas as áreas. Em particular, continuou, “existe a possibilidade de enfrentar um verdadeiro colapso do desenvolvimento mundial, devido à luta de todos contra todos”.

A pandemia é um sério desafio para toda a humanidade, pois afetou a economia, a política e a esfera social, além de promover e acelerar mudanças estruturais.

Putin destacou que o mundo de hoje está, perigosamente, parecido ao dos anos 30, do século passado. Vivemos uma crise de desenvolvimento econômico e da crescente divisão da sociedade.

A forte polarização da opinião pública, que provoca o crescimento do populismo e do radicalismo. Por isso, é importante resolver o problema da desigualdade social e aproximar o nível econômico dos diferentes países e regiões. Assim findariam os problemas econômicos e as migrações.

A globalização provocou um aumento significativo nas receitas das empresas transnacionais, principalmente, americanas e europeias. Quando falamos da receita das empresas, quem a recebe? A resposta é óbvia: 1% da população. O custo dos serviços aumentou três vezes, enquanto a renda de mais da metade da população das economias desenvolvidas estagnou nas últimas três décadas.

Gobalismo e multilateralismo são as soluções para a coordenação de esforços internacionais. Por exemplo, para melhorar o acesso às vacinas contra o coronavírus. Só com união e coordenação de esforços, de todo o mundo, na disseminação e aumento da disponibilidade das vacinas, poderemos criar uma imunidade mundial.

RG 15 / O Impacto

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