Artigo – A era da vulgaridade e das ameaças de morte na política

Por Oswaldo Bezerra

Ameaças de morte foram o tom da política desta semana. Começamos a segunda-feira lendo no “Jornal O impacto” a notícia que o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, recebeu no domingo último uma ameaça de morte . Não importa a causa. O que importa saber é que o Brasil está entrando numa onda fascista que pretende resolver tudo na bala.

Para facilitar o uso da bala e o espalhamento do fascismo no Brasil, o Governo Federal criou um decreto para facilitar o armamento e fim de fiscalização. Vai facilitar também o armamento dos grupos de narcotráficos.

O decreto de Bolsonaro permitirá que atiradores possam comprar até 60 armas de uso exclusivo das Forças Armadas. Caçadores poderão comprar até 30. Tudo isso poderá ser feito sem autorização ou rastreamento do Exército. Quando 10 atiradores se juntarem poderão comprar 600 armas e armar toda uma milícia.

Estamos na contramão do mundo. Até os EUA que é um país armamentista quer rever suas Leis de acesso ao armamento. O presidente norte-americano Biden se orgulha em dizer o quanto já lutou para limitar a compra de armas. Foi ele quem conduziu no Congresso a Lei Brady de Prevenção de Violência por Arma de Fogo, que estabeleceu um sistema de checagem de antecedente mais rigoroso.

Biden destacou as cerca de 40 mil mortes anuais por armas de fogo nos Estados Unidos. O presidente afirmou que está ao alcance dos norte-americanos acabarem com a epidemia de mortes característica deles.

É nossa epidemia também. O Brasil é o país com mais mortes por armas de fogo do mundo. Mortes por arma de fogo atingiram nesta década o maior patamar na história do Brasil. Só na última década meio milhão de pessoas foram assassinadas no Brasil com armas de fogo, segundo o Ministério da Saúde.

O momento difícil do Brasil merece foco total ao combate a pandemia e aquisição de vacinas. Marcelo Freixo gerou um comunicado de todo o retrocesso que o Decreto das armas trará. Freixo também afirmou que entrou com medidas no STF para que este Decreto seja anulado.

Após isso, como o prefeito de Santarém, Marcelo Freixo também recebeu ameaça de morte de um deputado federal Bolsonarista. O Deputado Federal Marcio Labre (PSL), além da ameaça de morte ao Freixo, indicou que se eles perderem a eleição de 2022 para presidente haverá “Golpe de Estado”.

Outras reações ocorreram. Para que a população seja conduzida a uma opinião favorável ao Decreto de Bolsonaro, o famoso grupo do “Gabinete do ódio” já disparou grande quantidade de fake news sobre o assunto.

Ao mesmo tempo, a Milícia carioca agora responsável por 70% de todo narcotráfico do Rio de Janeiro também já ameaçou de morte deputado Marcelo Freixo. O barramento do Decreto de Bolsonaro vai dificultar a aquisição de armas para as Milícias.

Talvez, a intenção de Bolsonaro e seu clã político não seja armar milícias, ou dar um golpe em 2022. Provavelmente, há apenas o compromisso com a indústria internacional de armas que financiou a carreira política de Bolsonaro e sua família. Contudo, vai ser difícil convencer os quase 11 mil militares, que fazem uma boquinha nos escalões do governo, deixar seus cargos e salários extras, caso haja uma derrota de Bolsonaro em 2022. Isso incentiva as baixarias e as ameaças de morte na nova política nacional.

RG 15 / O Impacto

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