Artigo – Neoliberalismo, as pontas que não estão mais soltas (2)

Por Oswaldo Bezerra

Hoje tropecei minha visão neste triste depoimento no facebook, é de um trabalhador por aplicativo: “Mano, na moral, às vezes penso em desistir de trabalhar de aplicativo, eu rodo só na Uber e na Rappi de bike. Está difícil… Às vezes só ganho 50, a 100 por semana. Não sei o que faço pois, emprego de carteira assinada está difícil”.

Estes trabalhadores pedalam em Fortaleza cerca de 70km durante 13 horas por dia. Ganhar, quando se está com muita sorte, R$400 por mês é estar abaixo da linha de pobreza. Os trabalhadores por aplicativos exercem trabalho análogo à escravidão? Não, os escravos tinham direito a refeição. Com R$ 400 por mês o trabalhador não consegue nem alimentar sua família.

Todos os partidos ditos de centro do Brasil, ou de direita, ou conservadores querem conservar o nosso país como o fazendão do mundo. Querem os trabalhadores escravizados e sem direitos.

Todos estes partidos e, principalmente o Partido Novo, foram contra que estas empresas por aplicativos garantissem pelo menos alimentação para estes trabalhadores. O atual presidente já afirmou “Os brasileiros precisam escolher entre ter direito e não ter emprego, ou não ter direito e ter trabalho”.

Não faz muito tempo caminhávamos para sermos a 5.ª maior economia do mundo. Vivíamos o pleno emprego. Os desempregados eram pessoas que deixavam o trabalho e estavam negociando empregos com melhores salários .

Em todas as empresas multinacionais que trabalhei, quando chegavam novos gerentes gringos, a primeira coisa que eles perguntavam era: “qual a regra do jogo aqui, para que possamos segui-la?”. Nenhuma empresa assumiu um projeto por conta de mais, ou menos direitos trabalhistas. Eles buscam lucros. Mesmo com todos os Direitos trabalhistas que tínhamos, o Brasil era o quarto país do mundo a atrair investimentos.

Sem alterar uma vírgula na previdência, ou nos direitos trabalhistas, o governo Lula tornou o Brasil um dos principais destinos de investimentos estrangeiros. A entrada recorde de dólares aumentou nossas reservas internacionais de US$ 37,8 bilhões em 2002, para quase US$ 285 bilhões em 2010.

A mudança pela qual o país passou foi estéril e forçada por meios internacionais. O membro do STF já confirmou a participação internacional no direcionamento do golpe no Brasil, citando inclusive o nome inclusive do “testa de ferro” da CIA.

Também foi comprovado pela Operação Spoofing a participação da CIA no golpe de Estado de 2016.  Hoje o ministério Público quer prender Walter Delgatti, o hacker que vazou as conversas de procuradores e juízes da Lava jato que faziam conluio. Conversas estas já comprovadas pela PF como verídicas.

O Neoliberalismo instalado por força estrangeira no Brasil já ganhou tanta confiança que já bate de frente até contra o atual presidente. O entreguista Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, mas que trabalha para acionistas privados e para petroleiras internacionais, anunciou por meio da jornalista Míriam Leitão, do Globo, que não pretende deixar o comando da estatal, em direta ameaça a Jair Bolsonaro.

A Petrobras não precisa ser comandada por banqueiros, não precisa ser tutelada pelos EUA como obrigou a Operação Lava Jato, muito menos por petroleiras internacionais. A Petrobras sob gestão de uma funcionária de carreira ganhou, durante anos seguidos, o prêmio de operadora de petróleo de maior tecnologia do mundo.

Descobriu sozinha a maior reserva de petróleo dos últimos 30 anos. Proporcionava gasolina ao brasileiro por 2,6 reais e gás de cozinha a 25 reais o bujão. Mesmo assim, era lucrativa.

Hoje estamos assistindo um presidente da república sendo humilhado e desafiado pelo mercado financeiro internacional. O interesse internacional pela Petrobras é tanto que deveríamos dar basta e repetirmos Getúlio Vargas: “O petróleo é nosso e o bem-estar de nosso povo é também nosso maior interesse”. O cinismo do Neoliberalismo é tão grande que esta pessoa, que ganha 50 reais por semana, fazendo entregas de bicicleta é estatisticamente assinalada pelo governo como uma pessoa “empregada”.

RG 15 /O Impacto

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