ARTIGO – Vacina pouca? Minha “aldeia” primeiro. Cidadãos santarenos denunciam uma das maiores fraudes coletivas ao PNV no Brasil

Com coragem, bom humor e muita ironia cidadãos santarenos desafiam as imposições do politicamente correto, usam as redes sociais para protestar e publicam dezenas de posts memes e denúncias que questionam a legitimidade da autodeclaração étnica e a da reivindicação de reconhecimento da suposta “aldeia” de Alter do Chão dos autodeclarados “Borari”. Confira aqui as melhores e mais acertadas postagens coletadas na internet, bem como as críticas que algumas delas merecem receber.

NÃO ESQUEÇA O COCAR PARA FULAR A FILA DA VACINAÇÃO
Antes mesmo de se iniciar a campanha de vacinação em terras santarenas, memes criativos e irônicos já circulavam nas redes sociais desafiando com inteligência a imposição do politicamente correto que pretende impor direitos diferenciados para uma população igualmente mestiça e miscigenada. O meme que promete um kit para furar a fila da vacinação da covid merece críticas, comentários e análises que ultrapassam a capacidade deste post, merecendo um artigo à parte. Mas vão aí três verdades que precisam ser ditas sobre o caso: 1. A imensa maioria dos que furaram a fila da covid não usavam cocares. 2. Símbolos de poder, autoridade e até nobreza da liderança em diversos grupos ameríndios, cocares são importantes instrumentos da indumentária indígena merecendo por isto todo o nosso respeito e admiração quando usado por quem de direito e consideração. 3. Contudo, justamente por simbolizar tudo isto, os cocares tem sido os adereços mais banalizados por militantes e esquerdistas engajados que acreditam que trazer um deles à cabeça é salvo-conduto para reivindicar direitos diferenciados, sem passar pelo crivo do julgamento público e social. Neste sentido o meme, com ironia, traz à tona uma triste realidade: Há oportunistas que entendem que trazer à cabeça este adorno é um passaporte para direitos diferenciados que com custo asseguramos aos nossos irmãos ameríndios. Alguns dos fraudadores do PNV, que ousaram furar a fila da vacinação, portavam cocares na cabeça ou outros adereços típicos da identidade indígena numa tentativa apressada de revisionismo histórico cosmética, que pretende esconder nossa identidade mestiça, nosso legado misturado e nossa religião sincrética.

Mal chegou o primeiro lote da Coronavac no Brasil e tão logo iniciado o processo de vacinação em todo país, casos e mais casos de denúncias de fura-filas do PNV pulularam em todo país. Infelizmente, indivíduos guiados pelo oportunismo ou pela chance de serem vacinados primeiro furaram a fila da vacinação atropelando a ordem e ou a fase da vacinação. Desde namoradas e mulheres de prefeitos, até médicas recém formadas e contratadas um dia antes, denúncias pelo Brasil inteiro retumbaram denúncias de criativas fraudes ao PNV estouraram pelo Brasil afora.

Como antropólogo estudioso do fenômeno social da manipulação identitária, acompanhei ansiosamente para ver os primeiros casos de denúncias que certamente brotariam de grupos de militantes esquerdistas que adotaram a estratégia da manipulação identitária para, renegando um legado histórico mestiço e miscigenado, adotarem uma suposta e autodeclarada identidade indígena numa tentativa inglória de agregar legitimidade a um crítica ao processo colonial bem como transpondo assim um desagradável lugar de fala de um ser “mestiço” ou seja, fruto intrínseco de todos os longos processos históricos que, remontando a colonização portuguesa, desembocaram na construção da mestiça sociedade brasileira que hoje herdamos e vivemos.

Mal sabia eu que um dos casos mais estrondosos de Fraude Coletiva ao PNV da Covid 19 estouraria muito de perto de mim, na minha querida cidade de Santarém. Foi aqui, no nosso amado balneário de Alter do Chão que o caso dos autodeclarados “indígenas Borari”, alegando viverem numa suposta “Aldeia” Alter do Chão, promoveram este que entendo ser o mais escandaloso caso de fraude coletiva ao PNV. A fraude não passou desapercebida e tão logo noticiada passou a ser questionada por todos os cidadãos de bem mais corajosos que não se calaram e abriram a boca para denunciar e questionar a fraude. Abaixo seguem apenas alguns dos casos que encontrei nas redes sociais.
Incomodada com a avacalhação, a concidadã de nome Ana Silvia pergunta, não sem razão.

“O que vcs pensam disso?” e manifesta sua indignação ao dizer: “Queremos explicações das autoridades sobre estes “índios blogueiros” que tomaram vacinas na vila (e não aldeia) de Alter do Chão, referindo-se a uma postagem de dois blogueiros da região que alegam terem sido vacinados sem cumprirem dentre outros quesitos, o de serem “índios aldeados”. Autodeclaração étnica sem quaisquer critérios cria indignação porque é intrinsicamente injusta em diversos aspectos ainda não mensurados.

Parte da indignação do caso provém do fato de ter o Ministro da Saúde Eduardo Pazuello deixado bem claro que, nesta primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação da covid-19, além dos trabalhadores de saúde, das pessoas de 60 anos ou mais e dos indivíduos com deficiência que vivem em instituições de longa permanência, apenas os “indígenas aldeados” seriam vacinados. Pazuello ainda repetiu com ênfase que apenas “indígenas aldeados” aparentando confiança nesta decisão acertada.Bem, salvo melhor informação, para todos e quaisquer efeitos administrativos, Alter do Chão não é uma “aldeia indígena”, não podendo e não devendo ser tratada como tal na aplicação de políticas públicas que afetem o restante da população regional. Mas aparentemente, existe um grupo de pessoas dispostas a afirmar com todas as forças que “Alter do chão é uma aldeia”. É o caso de uma pessoa que se identifica como Leila e Jaciara Borari que fizeram questão de deixar esta opinião registrada numa conversa no grupo “Todos juntos por Alter”. Indo na contramão do que pensa a maioria da população regional, ambas as integrantes do movimento identitário indigenista pareciam não estarem “juntas” por Alter, mas unidas em torno no seu projeto de transformar a Vila de Alter do Chão numa aldeia, ainda que de forma quase secreta da via administrativa silenciosa, por meio de laudos e pareceres “antropológicos” enviesados promovidos por antropólogos igualmente comprometidos com o movimento indígena regional.

O fato é que NÃO!! Para todos os efeitos, Alter do Chão NÃO é mais, nem ainda voltou a ser uma aldeia.Fundada em 6 de março de 1626, pelo português Pedro Teixeira, Alter foi elevada à categoria de vila por quase um século e meio depois, em 6 de março de 1758, quando Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do primeiro-ministro marquês de Pombal e do Cardeal e inquisidor-mor Paulo António de Carvalho e Mendonça, era também governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão, durante o Brasil Colônia.

Então sim, a localidade foi outrora habitada por grupo de ameríndios Boraris há mais de três séculos, mas a história brasileira demonstra e nos ensina que graças a todo louvável empenho colonial e progressista de centenas de pessoas, Alter do Chão não é mais uma aldeia indígena. Graças ao constante trabalho missionário a localidade recebeu durante os séculos XVII e XVIII diversas levas de missionários, geralmente comandados pelos jesuítas da ordem Companhia de Jesus que estabeleceram o culto de Nossa Senhora da Saúde, tornando-se esta a santa padroeira do local.

Graças ao contínuo trabalho missionário de centenas de religiosos que revezaram-se na localidade, e comandados pelos jesuítas que integravam e obedeciam a ordem Companhia de Jesus, lá estabeleceram o culto de Nossa Senhora da Saúde, tornando-se esta a santa padroeira do local. Igualmente importante neste sentido foi o longo e bem sucedido acordo e contrato social que vigorou entre os colonizadores europeus e seus parceiros de colonização que por meio deste pacto construíram ali uma sociedade mestiça e miscigenada. É por isto que Alter não é mais uma aldeia indígena, ou seja, uma comunidade etnicamente diferenciada. Porque prevalece ali diversos acordos de parcerias históricas que nos tornam todos igualmente herdeiros de uma mesma tradição mestiça e miscigenada.

MPPA PROMETE INVESTIGAR GRAVE DENÚNCIA DE FURA-FILA NA COVID.
Uma postagem divulgada pelo facebook, feita por um cidadão que não quis revelar sua identidade emerge uma das mais denúncias de um dos casos mais polêmicos de“fura-fila”. Trata-se do cidadão,Dorisson Lobato de Sousa, filho do Sr. Mingote, proprietário de uma pousada em Alter do Chão,que se autodeclarando indígena “Borari” também foi vacinado. Foi enorme a confusão e questionamentos causados pela imagem. Com inúmeras perguntas disparadas nos grupos. Eis algumas das mais significativas:

“Como assim o filho do Mingote que nem é digno! Ou só está tomando pq mora vila? Qual foi o critério q adotaram pra ele já tomar a vacina?.

A avalanche de perguntas e questionamentos acerca dos critérios tem deixado claro que a Autodeclaração étnica sem critérios sérios e objetivos,além de muita confusão, também gera e indignação entre o povo.

De acordo com a promotoria de Justiça, “a conduta do cidadão que Fura Fila da vacinação e do agente público que que o auxilia a obter seu intento, além de imoral, também é ilegal, podendo configurar crimes contra a administração pública e, ainda, que o ato ilícito gera ao beneficiado o dever de pagamento de indenização pelos danos morais causados à coletividade e, a conduta do agente público que auxilia o cidadão na prática do ilícito, além de imoral, também é ilegal, podendo configurar crimes contra administração pública, nos artigos 3 e 12 do Código Penal.Conforme matéria do Jornal O Impacto, o Ministério Público do Estado do Pará MPPA instaurou procedimento para investigar o caso do proprietário de uma pousada de Alter do Chão, Dorisson Lobato de Sousa, que segundo a denúncia não se enquadraria em nenhum dos públicos-alvo desta etapa da vacinação. Com critérios rígidos de prioridade, na primeira fase apenas deveriam ser vacinados trabalhadores de saúde que atuam na linha de frente, idosos a partir de 60 anos que vivem em asilos ou casa de repouso e indígenas aldeados. Resta saber como fica o caso deste empresário e de todo o restante dos autodeclarados “Borari” que não são aldeados, mas já receberam a primeira dose da vacina no final de janeiro.

MANIPULAÇÃO E PICARETAGEM TÊM HORA E LIMITES.
Mas até a manipulação tem limites. Aqui no oeste do Pará, a avacalhação da vacinação da “aldeia” Alter do Chão foi tão grande, tão escandalosa e questionável, que até o blogueiro Ednei Ferreira se sentiu ofendido e “prejudicado” por não ter sido ainda vacinado em Alter.

Devidamente aparamentado então de cocar, colar e tacape, o digital influencer sapecou um #PartiuAlterDoChão. Receber a vacina Coronavac. Se índio branco morando em uma expansão urbana pode, então pode tudo” concluiu o já autoproclamado “indígena” ou talvez Tuxaua Edinei Ferreira.O ato é extremamente significativo, criativo e inteligente

A reivindicando para si do habitual direito que só os membros da esquerda identitária tem ao monopólio da manipulação identitária oportunista ocasionada pela falta de qualquer critérios para a validação autodeclaração “étnica ” impossibilitando na prática a identificação entre aqueles casos de pessoas que ou grupos que realmente merecem o reconhecimento e aqueles que o fazem por mesmo oportunismo. Ou seja, virou bagunça avacalhada..

Entendi que a postagem do Blogueiro Ednei Ferreira foi uma crítica bem humorada, sacana e super válida para desmascarar e denunciar a fraude que os autodeclarados “índios Borari” impuseram na vacinação da “aldeia” Alter do Chão, que virou uma verdadeira bagunça. Foi no mínimo curioso ver um blogueiro esquerdista, mas igualmente mestiço e tapajoara fazendo aquilo que nenhum ou qualquer outro “branco” teria jamais coragem de fazer: expor quão fácil é fraudar o sistema da autodeclaração étnica que a esquerda identitária montou aqui no Baixo Tapajós. Ri muito e continuo rindo da forma tão genuinamente despreocupada que o blogueiro trolou os “antropólogos” e “intelectuais” do identitarismo expondo de forma tão genuína e verdadeira as limitações, falhas e aberturas do sistema da autodeclaração étnica sem crivos nem critérios.

Aqui na região do baixo Tapajós tais falhas foram exploradas de forma sistemática gerando uma situação onde as fraudes da autodeclaração étnica explodem de forma tão descarada, tão generalizada.

Tão“avacalhada”, para utilizar um termo paraense, que até um blogueiro que não só representa, mas se identifica e é identificado com a esquerda tradicional, se viu na obrigação de alertar o movimento indígena que a picaretagem está atingindo níveis insuportáveis. Com inteligência e ironia protestou com os instrumentos que tinha à seu alcance e como quem quer pedir ordem na casa. Fosse Edineimais prolixo, ou desenvolvesse com mais palavras o seu protesto tão resumido numa imagem, diria:“Hey? Que avacalhação virou esta aldeia de Alter do Chão aí, heim?

Que negócio é este aí de “branco” se dizer borari se vacinar como indígena aldeado é este, cara-pálida? Só nós, mestiços mais morenos temos o direito de usar a autodeclaração étnica para auferirmos benefícios. Não tem graça quando os “brancos” passam a perna em nós, parente?”.

Pois é, quando o assunto é atenção e cuidados estatais às minorias étnicas o padrão ainda é o mesmo: Vacina pouca? Minha “aldeia” primeiro! E ai de quem ousar discordar ou denunciar. Será que o direito à discordar e denunciar ainda é válido para estes que denunciaram toda esta avacalhação autodeclaratória? Só o tempo dirá. Aguardemos pois o próximo capítulo destes eventos sociais auspiciosos de 2021.


Por: Edward Luz

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