Artigo – O regulador europeu apoia a vacina Oxford/AstraZeneca, mas não exclui sua ligação com o coágulo sanguíneo

Por Oswaldo Bezerra

Há algumas semanas o Centro de Convenções em Fortaleza foi palco da vacinação de muitos idosos de 75 anos em diante. Estive no local e vi a alegria dos velhinhos ao tomarem suas doses. Para surpresa de todos, pouco tempo depois veio a notícia de mortes após uso desta vacina na Coreia do Sul.

Logo depois a má notícia veio também da Europa. De país a país hoje já são mais de 20 que suspenderam a aplicação da Oxfor/AstraZeneca.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) continua a estudar relatórios de eventos de coágulos sanguíneos potencialmente ligados à vacina AstraZeneca, mas disse na quinta-feira que a vacina é segura e eficaz na prevenção de Covid-19.

Após uma revisão da vacina e relatos de incidentes raros de coágulos sanguíneos entre os receptores, a EMA não encontrou uma ligação com um risco geral de coagulação sanguínea, mas continuará suas investigações.

As descobertas do regulador foram feitas só após 13 estados-membros da União Europeia interromperem a vacinação. Esta vacina foi desenvolvida pela empresa farmacêutica anglo-sueca junto com a Universidade de Oxford.

Em uma coletiva de imprensa para discutir a revisão da agência, o chefe da EMA, Emer Cooke, disse que o Comitê de Avaliação de Risco de Farmacovigilância do regulador chegou a uma conclusão científica clara após revisar relatórios de coagulação sanguínea.

O chefe da EMA acrescentou que, apesar da análise aprofundada de inúmeras evidências, ainda não pode descartar definitivamente uma ligação entre os casos de coagulação do sangue e a vacina.

O regulador recomendou destacar os possíveis riscos nas informações atualizadas do produto e iniciará investigações e estudos adicionais sobre a coagulação do sangue. Para a EMA esta é uma vacina segura e eficaz, seus benefícios em proteger as pessoas da Covid-19 com os riscos associados de morte e hospitalização superam os possíveis riscos.

O comitê também concluiu que a vacina não está associada a um aumento no risco geral de eventos tromboembólicos ou coágulos sanguíneos.

Cooke realçou que durante a investigação e revisão da EMA, os funcionários viram um pequeno número de casos de distúrbios de coagulação raros e incomuns, mas muito graves que levaram a uma revisão mais focada, que está em andamento.

Cerca de 2 milhões de pessoas receberam a vacina AstraZeneca no Brasil, e a vacina está sendo lançada em outros países. As preocupações com a vacina AstraZeneca surgiram primeiro na Áustria depois que uma pessoa que a recebeu morreu de trombose e outra foi hospitalizada com embolia pulmonar.

Na semana passada, outros países da UE suspenderam temporariamente o uso da vacina, com a Alemanha, França e Itália se tornando os últimos a pausar seus lançamentos nesta semana. A Espanha está entre os que suspenderam sua campanha de vacinação com a AstraZeneca, mas na quinta-feira seu conselho inter-regional para a resposta da Covid-19 deve se reunir e discutir a retomada do uso da vacina.

A Anvisa informou que vem monitorando cinco casos suspeitos de eventos tromboembólicos ocorridos no Brasil. Contudo, não há correlação estabelecida entre o uso da vacina Fiocruz/Astrazeneca com eventos adversos relacionados à coagulação sanguínea.

A Fiocruz aguarda a conclusão das investigações dos casos relatados e reforça os posicionamentos adotados pela Anvisa, EMA e OMS até o momento, bem como a importância da vacinação, reafirmando seu compromisso com a farmacovigilância da vacina no Brasil.

RG 15 / O Impacto

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