O grande herói “chupa osso” da literatura: o escritor que idealizou a Academia Brasileira de Letras

Por Oswaldo Bezerra

Desde o século XIX o Pará já demonstrava ser um berçário de heróis. Em 1857, o estado viu nascer um paraense que marcaria a história nacional e se tornaria um imortal. Na época de seu nascimento toda a região amazônica brasileira era chamada de Província do Grão Pará. Quase que no centro da província ficava a cidade de Óbidos. Foi justamente “na mais portuguesa das cidades paraenses” que veio ao mundo José Veríssimo Dias de Matos.

O ilustre “chupa osso” foi um entusiasmado estudante de Letras. Logo passou a exercer uma vida dedicada ao ensino, ao jornalismo e claro às letras. Tomou tanto gosto pela Literatura que participou na Europa do Congresso Literário Internacional de 1880. Não demorou muito e foi convidado a palestrar por todo o velho continente para falar das riquezas amazônicas.

José Veríssimo foi um gênio, por isso assumiu vários cargos importantes. Entre eles, o que seria hoje a Secretária de Educação do Estado do Pará e por fim se tornou diretor do Instituto de Educação Superior da capital brasileira na época, o Rio de Janeiro.

Acima de tudo era um nacionalista. A sua obra “História da Literatura Brasileira” se tornou um marco e na sua crítica dá especial atenção em se definir um caráter tipicamente nacional dos escritores do país.

Além de fundador, Veríssimo foi o idealizador do que é hoje a Academia Brasileira de Letras. Sua doutrina era que a Academia se voltasse exclusivamente à literatura e aos escritores. Por isso, em 1912, quando a academia nomeou como imortal um político, Lauro Müller, ele se afastou de forma definitiva da Casa que ele criou.

Suas obras são leituras obrigatórias para estudantes de Letras. Elas se tornaram clássicos da literatura brasileira: “A Amazônia”, “História da Literatura Brasileira” e “Cenas da Vida Amazônica”. Destacam-se em sua obra os estudos sociológicos, históricos e econômicos sobre a Amazônia e as suas séries de história e crítica literárias.

Após a proclamação da República, o primeiro-ministro, Benjamin Constant, procedeu à reforma do sistema geral de ensino público. José Veríssimo discutiu no Jornal do Brasil as reformas introduzidas com uma crítica magistral. Ele conhecia como ninguém as enormes insuficiências da educação de seu tempo, pois viveu na pele as dificuldades no Pará.

A crítica e a análise de José Veríssimo destacavam-se pelo espírito de sobriedade e equilíbrio. Era seguido por um pensamento filosófico, moral e educador.

Diante de tanto “enteguismo” guiando nossa política atual, nosso ilustre obidense estaria hoje vermelho de vergonha alheia. Pois, acima de tudo José Veríssimo era um nacionalista, que procurou definir desde o início a literatura brasileira, na obra de escritores com sentimento de brasilidade.

José Veríssimo foi embora muito cedo. Deixou este mundo aos 59 anos de idade, em 1916. Contudo, deixou uma mensagem clara aos paraenses. Não importa onde se nasce, não importa as dificuldades que se tenha para estudar, a assembleia de heróis também é formada por pessoas que passaram por muitas dificuldades.

RG 15 / O Impacto

2 comentários em “O grande herói “chupa osso” da literatura: o escritor que idealizou a Academia Brasileira de Letras

  • 27 de março de 2021 em 16:26
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    Já ouvi dizer que “espoca bode”, são chamados os que nascem em Oriximiná, quem nasce em Óbidos são chamados “chupa osso”.

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    • 27 de março de 2021 em 19:41
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      Corrigido, obrigado!

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