Pandemia pode virar o jogo a favor da ciência e da inovação tecnológica

Enquanto batia sucessivos recordes de mortes por covid-19 e via crescerem as filas por uma vaga de UTI, o Brasil recebeu duas notícias positivas na semana passada: o Instituto Butantan, pertencente ao governo de São Paulo, anunciou para este ano uma nova vacina, a Butanvac; e o governo federal prometeu recursos para permitir o andamento das pesquisas da Versamune, uma vacina desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, com grandes chances de início de produção em 2022.

O anúncio da Butanvac gerou uma onda de otimismo entre senadores, que foram às redes sociais comentar o assunto. Para Jarbas Vasconcelos (MDB-PE), por exemplo, a Butanvac “renova a esperança” do povo brasileiro.

“Mais uma prova da enorme importância dos investimentos em ciência e tecnologia para o Brasil! Vacina só se desenvolve com pesquisa, e pesquisa precisa de recursos. Nossa prioridade é a vacina”, escreveu o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), autor de projeto de lei complementar (PLP 135/2020) que liberou verbas para o principal fundo de apoio à ciência e à tecnologia (veja mais abaixo).

Àquela altura, a expressão “vacina 100% brasileira” rotulava o imunizante em desenvolvimento no Butantan, mas logo seria melhor calibrada, uma vez que o processo de criação do antígeno decorre de um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Medicina Icahn, ligada ao Hospital Mount Sinai, de Nova York. O Butantan faz parte de um consórcio para o desenvolvimento final da vacina por meio de licenciamento sem pagamento de royalties, no qual se incluem também instituições da Tailândia e do Vietnã. Os participantes atuam sob o compromisso de fabricação de uma vacina que possa ser entregue a países pobres.

O princípio do antígeno resulta de uma série de procedimentos que associam parte da proteína S (de spark) do novo coronavírus ao vírus da doença de Newcastle (NVD), uma modalidade de gripe aviária, para posterior reprodução em ovos de galinha, técnica amplamente dominada pelo Butantan na produção de vacinas contra a gripe. Os vírus recebem intervenções que os inativam, de modo a evitar a infecção por covid-19 e estimular as defesas dos indivíduos diante da presença de Sars-Cov-2 absorvidos nas interações sociais.

RG 15/ O Impacto Agência Senado

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