Artigo – Centenas de milhares de empregos serão roubados na indústria de petróleo e gás até 2030

Por Oswaldo Bezerra

Trabalhar na indústria de petróleo e gás não é nada fácil. Primeiro, pois é difícil entrar por ser uma atividade bem fechada que exige treinamentos muito específicos. Segundo por que é uma atividade bem perigosa. Contudo, que entra na atividade tende a permanecer de bom grado. É que esta indústria tem um salário médio muito mais alto que outros tipos de indústrias.

É por isso que todas as guerras do mundo estão diretamente ligadas a esta indústria. Uma coisa vem mudando já há algum tempo e não é uma boa notícia para os trabalhadores.

Quando deixei de trabalhar na indústria de petróleo e gás a automação já reduzia equipes de 4 trabalhadores para apenas1,5. Hoje são os robôs que podem roubar os empregos de cerca de um em cada cinco trabalhadores de petróleo e gás em todo o mundo nos próximos 10 anos, conforme mais empresas se voltem para a automação para cortar custos, mostra uma nova análise da Rystad Energy.

Em um relatório publicado no início desta semana, a Rystad Energy projetou que 20% dos empregos em setores como perfuração, suporte operacional e manutenção poderiam ser automatizados até 2030. Isso afetaria mais de 400.000 empregos nos principais países produtores de energia.

Os cálculos da Rystad Energy mostram que os funcionários russos e americanos poderiam ser os mais atingidos pela adoção da robótica em toda a indústria do petróleo, com o desemprego de 350 mil pessoas. O estudo não analisou possível perda de empregos na Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, ou no Brasil que possui uma das maiores reservas de petróleo do planeta.

Robôs capazes de substituir estaleiradores estão sendo desenvolvidos pela Nabors, empreiteira de perfuração de petróleo e gás do Texas. O site da empresa oferece uma ampla gama de robôs capazes de trabalhar em plataformas de perfuração.

Por exemplo, seu Robô de piso de perfuração elétrico pode reduzir a necessidade de trabalho humano no piso de perfuração de uma plataforma, enquanto seu “estaleirador robótico elétrico” pode substituir a necessidade de equipes de revestimento.

A adoção da robótica na área de operações de inspeção, manutenção e reparo, especialmente para atividades submarinas, tem ganhado preferência entre os operadores nos últimos anos, de acordo com a Rystad Energy. Isso inclui veículos operados remotamente (ROVs) e os braços de robótica semelhantes a cobras, como os desenvolvidos pela Kongsberg Maritime em parceria com a empresa nacional de petróleo e gás, a norueguesa Equinor.

Embora nenhum trabalhador fique feliz em saber que está sendo substituídos por um robô, as empresas para as quais trabalham deverão se beneficiar com a transição. A Rystad Energy estima que sejam reduzidos custos de mão-de-obra de perfuração em vários bilhões de dólares em 10 anos. Cortes nas equipes de perfuração offshore e onshore poderiam economizar 35 bilhões de reais em salários apenas para as empresas americanas.

No entanto, essas economias poderiam ser parcialmente compensadas pelo investimento considerável necessário para introduzir essas soluções, de acordo com Sumit Yadav, analista de serviços de energia da Rystad Energy. Os benefícios das empresas também dependeriam da estrutura de custos e se os robôs são próprios ou alugados, acrescentou.

Pelo lado positivo, os especialistas em energia dizem que nem todas as soluções automatizadas levam a uma redução da mão-de-obra. Eles também observaram que a adoção em grande escala de robôs pode não ocorrer tão rapidamente. Primeiro mais testes ainda são necessários para ver o quão confiáveis ​​os robôs podem ser no complexo ambiente das sondas de petróleo.

As organizações trabalhistas provavelmente resistirão aos cortes de empregos induzidos por robôs, enquanto os processos de trabalho robotizados podem enfrentar o escrutínio regulatório, de acordo com os analistas. Contudo, este é o principal efeito do “Capitalismo Tardio”. Haverá produtos mais baratos devido à automação, mas os desempregados não os poderão comprar.

RG 15 / O Impacto

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