Artigo – A ética, a retidão e o respeito

Por Oswaldo Bezerra

Estou longe do Pará há 23 anos. São muitas as boas lembranças de lá. Uma delas era ver os jogos do Paysandu que fazia clássicos inesquecíveis contra a Tuna. Jogar contra o Remo era como se fosse a última guerra mundial. Nada melhor que assistir aos clássicos do futebol paraenses no maior estádio do Pará. Na época ele era chamado de Estádio Estadual Alacid Nunes.

O estádio foi um sonho do então Governador do Pará, Alacid Nunes. Ele queria criar uma praça de esportiva para 120 mil pessoas. Sua construção iniciou em 1971 sendo concluído em 1978, com capacidade para 45.007 pessoas.

Os jornalistas deram uma rasteira na história e conseguiram rebatizar o Estádio com o nome de um jornalista. Na prática, tentou-se apagar um pouco do legado de um dos maiores governadores que o Estado já teve.

Não é possível apagar o legado de Alacid Nunes, pois se u maior exemplo foi imaterial. Quando faleceu em Soure-PA, no ano de 2015, era unânime as opiniões de que Alacid Nunes deixou exemplo de respeito e ética na política paraense.

Nascido em 1924 em Belém do Pará, Alacid optou pela carreira militar. Por tanto, precisou seguir para o Rio de Janeiro onde frequentou a Escola Militar do Realengo, a Academia Militar das Agulhas Negras, a Escola de Educação Física do Exército e a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Após formatura presidiu a Comissão de Concorrência da Diretoria-Geral do Material Bélico do Exército.

Foi ainda ajudante de Ordens do General Cordeiro de Farias e comandante da Zona Militar Norte em Recife, foi Secretário de Segurança e chefe de polícia do Território Federal do Amapá antes de retornar a Belém onde se graduou em Economia pela Universidade Federal do Pará.

Na sua cidade natal foi presidente da Comissão de Abastecimento Regional do Pará e do Círculo Militar de Belém. Entre 1961 e 1964 foi chefe da 28ª Circunscrição de Recrutamento e delegado do Comando Militar da Amazônia e da VIII Região Militar como presidente da Comissão de Abastecimento Regional. Por ocasião do 31 de março de 1964 chefiou os inquéritos policiais-militares para investigar adversários da Ditadura Militar.

Quando o governador Aurélio do Carmo foi deposto e em seu lugar assumindo Jarbas Passarinho, Alacid Nunes foi nomeado Prefeito de Belém. Renunciou ao cargo para concorrer às eleições de 1965 quando foi eleito governador do Pará pela UDN. Ele conseguiu dar fim ao predomínio do PSD.

Tanto Jarbas Passarinho quanto Alacid Nunes ingressaram na ARENA após o bipartidarismo. A amizade política terminou aís com Jarbas Passarinho. Precisou vir um puxão de orelha de Brasília para que os dois deixassem de lados as diferenças.
No fim do seu primeiro mandato de governador foi a Capanema dirigir a Fábrica de Cimento do Brasil S/A. Por decisão do presidente Ernesto Geisel, em 1978, o governo do estado foi de novo entregue a Alacid Nunes, sendo que com a reforma partidária ele e Passarinho ingressaram no PDS.

Mudou de presidente e o apoioA volta de Alacid Nunes ao poder tornou irremediável o rompimento entre as correntes partidárias e nesse ínterim Jarbas Passarinho logo recebeu o apoio do presidente João Figueiredo[3] ao passo que os alacidistas apoiaram a candidatura do deputado federal Jader Barbalho, que mesmo sendo do PMDB foi eleito governador do Pará em 1982 ao derrotar o empresário Oziel Carneiro, do PDS.

O político belenense era prático e objetivo. Por isdso, Alacid foi um governador atuante e fez uma quantidade de obras impressionante durante seus mandatos. Mesmo com tantas obras, em todas suas reuniões com suas equipes alertava para a importância de uma gestão íntegra, correta. Sua retidão o colocoou como o governador mais honesto da história do Para.

Hoje a política encontrou seu mais baixo nível na história do Brasil. Na atualidade são eleitos bravateiros, mentirosos compulsivos, caluniadores e mau-caráter. Nem sempre foi assim. Alacid Nunes dexou o “legado do respeito” que todo governo do Pará deve se espelhar.

Um ex-diretor do extinto hospital Juliano Moreira testemunhou que ele foi o único governador que visitavar os pacientes no dia de Natal. Alacid era um homem de muito caráter. Mostrou que a política pode ser feita com princípios e respeito às regras de éticas. A história do vale-tudo não é um bom caminho pra nada. Alacid combinava sua determinação coma ética e a retidão.

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