Artigo – Um governo voltado para grandes realizações

Por Oswaldo Bezerra

O estado precisa acima de tudo de impactos positivos para poder avançar seu desenvolvimento. Qualquer um que assuma um estado, depois de ter sido governado por figuras como Lauro Sodré e Paes de Carvalho, símbolos do bom governo, terá uma missão dificílima para também deixar seu nome na história. O seguinte governador precisará se esforçar e muito e tentar superá-los. É uma tarefa nada fácil, mas o sucessor deles conseguiu. Ele foi Augusto Montenegro, um político e advogado que governou o Pará por oito anos de 1901 a 1909.

No final do século XIX, no período imperial, foi iniciada uma obra que faria a ligação da cidade de Belém com a região Bragantina. Era a Estrada de Ferro de Bragança. Ela começou a ser construída em 1883. Anexada ao tronco principal, existiam ramais. Os principais eram Ramal de Pinheiro, Ramal de Benfica e Ramal de Prata que ligava a atual Santa Maria do Pará. O Ramal de Pinheiro ia até Icoaraci percorrendo o que corresponde hoje à rodovia Augusto Montenegro. O Percurso tinha 4 paradas: Tapanã, Sumauma, Tenoné e Pinheiro. Em outra parada vivia uma família de estrangeiros que colocou uma placa com o nome de seus dois filhos. Eles iam de trem para a escola, se chamavam Ben e Gui, o que deu nome ao bairro do Benguí.

A estrada de ferro trouxe um impacto econômico extraordinário a todo o nordeste do Pará até Belém. Sua construção foi bem difícil e demorada. Em 1885, depois de chegar até Castanhal, as obras da Estrada de Bragança foram paralisadas. Apenas em 1901, já no período republicano, foi retomado pelo então governador Augusto Montenegro, que a concluiu em 1908.

Em 1957, uma parte da ferrovia foi desativada. O Ramal de Pinheiro deu lugar a Rodovia Augusto Montenegro. Seu batismo foi homenagem ao governador que concluiu a Estrada de Ferro de Bragança, uma das obras mais importantes de mobilidade e escoamento de produção do Estado na primeira metade do século XX.

Montenegro também era inovador. Ele conseguiu regularizar as finanças do estado. Também inovou na administração e assim deixou o serviço de águas de consumo de forma adequada para a população. Em uma obra maravilhosa, que nos faz voltar no tempo Augusto Montenegro criou o ÁLBUM DE BELÉM-PARÁ com riquíssimas fotos datadas de 15 de novembro de 1902. AS fotos mostram uma cidade belíssima e muito bem cuidada, como forma de mostrar como era seu governo. Infelizmente, Belém não é mais assim, tão bela e bem cuidada.

Um dos feitos mais importantes, realizado por Augusto Montenegro, foi resolver uma secular pendência das terras do Amapá, ganhando dos franceses que haviam invadido o território e tomado 260 mil quilômetros quadrados. Em sua homenagem, foi dada a rodovia que margeava o ramal Pinheiro da ferrovia que ele finalizou, hoje a (rodovia) Augusto Montenegro é uma das mais movimentadas do município de Belém.

Residiu no Palacete Augusto Montenegro, construído em 1903, para ser residência particular do Governador, posteriormente abrigou a elite política e social local. O governador, no entanto tinha opinião definida do que era ou não supérfluo. Por isso, extinguiu o Conservatório de Música Instituto Carlos Gomes, por decreto, demitindo o diretor e todos os professores, em 1908, dizendo ter que cortar gastos.

O governador Augusto Montenegro fez jus aos seus antecessores. Ele teve papel importante para a mobilidade e para a economia de cidades e do Estado no começo do século XX. Afinal, hoje o entorno da rodovia é considerado o novo polo econômico de Belém. Além disso, abriga a maior obra de mobilidade urbana da atualidade, o BRT. O impacto do seu governo ainda é sentido com mais de um século depois do seu fim. Montenegro talvez tenha sido o governo que mais promoveu o crescimento econômico do Estado no início do século passado. Contudo, crescimento econômico sem sustentabilidade não é nada.

RG 15 / O Impacto

 

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