Investigado por aplicar golpe usando nome do presidente Jair Bolsonaro, Paulo Oliveira estaria transitando em municípios da região

Investigado por suposto golpe utilizando o nome do presidente Jair Bolsonaro, Paulo Oliveira (foto), que se auto-intitula “Paulo Quilombola” está transitando em municípios da região oeste do Pará.

Em contato com nossa reportagem, leitores fazem o alerta para autoridades e políticos de Santarém e Região. O investigado sustenta ser Líder da Federação das Comunidades Quilombolas e Comunidades Tradicionais do Pará.

Envolto em polêmicas por onde passa, sua atuação fez com que as Entidades do Movimento Negro e Quilombola do Estado do Pará, elaborasse em 2018, nota de repúdio.

“AS ENTIDADES DO MOVIMENTO NEGRO E QUILOMBOLA DO ESTADO DO PARÁ, abaixo subscritas, vem a público REPUDIAR, veementemente, as atitudes do senhor conhecido pelo pseudônimo de PAULO “QUILOMBOLA”, nacional que desde sua chegada em solo paraense, intitulando-se quilombola e professor, diz ser presidente da associação denominada Federação das Comunidades Quilombolas e Populações Tradicionais do Estado do Pará (nome fantasia: Federação das Comunidades Quilombolas do Pará) e “defensor dos direitos humanos”. Esse cidadão que se diz “quilombola” e “professor” (seria importante ele comprovar essas credenciais para não incorrer no crime de falsidade ideológica, isto é, mencionar a que comunidade quilombola pertence, por exemplo) usa a “sua” associação para tentar enganar/caluniar lideranças quilombolas de algumas regiões desta unidade federativa. Aliás, é importante frisar que essa instituição foi criada sem qualquer articulação com as lideranças quilombolas e/ou do movimento negro deste estado”, diz parte da nota.

Desde 2018, Paulo Oliveira e a esposa Leocionara Silva dos Santos, identificada por Narha Oliveira Munduruku, são investigados pelas Polícias Federal e Civil de Minas Gerais.

O casal é acusado de utilizar os nomes do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), e da ministra da mulher, da família e dos direitos humanos, Damares Alves, para recolher dinheiro ilegalmente de moradores de Conceição do Mato Dentro, na Região Central do estado de Minas Gerais, com a promessa de construção de novas casas populares. A informação foi divulgada pelo O Globo e confirmada pelo Jornal Estado de Minas.

Acompanhe a matéria:

Polícia investiga casal acusado de dar golpe em nome do governo

Apresentado pelo então candidato Jair Bolsonaro como prova de que não tem preconceito contra comunidades quilombolas, o presidente da Federação das Comunidades Quilombolas e Populações Tradicionais do Pará, Paulo Oliveira, de 57 anos, está sendo acusado por um vereador e por integrantes do Executivo de dar um golpe usando nomes importantes no governo, como o próprio presidente e a ministra Damares Alves (Mulher, da Família e dos Direitos Humanos).
Ele e sua mulher teriam coletado dinheiro em uma cidade no interior de Minas Gerais com a promessa de que viabilizariam a construção de casas populares com verba do governo. A Polícia Federal e a Polícia Civil mineira foram acionadas, e o casal nega as acusações.

No ano passado, Paulo Quilombola ficou mais conhecido depois que Bolsonaro foi denunciado por racismo pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por ter se referido a uma comunidade quilombola com a frase “o afrodescendente mais leve lá tinha sete arrobas”. O caso foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro, e Bolsonaro costumava apresentar Paulo como seu amigo para mostrar que não era preconceituoso.

Um ano depois, Paulo e sua mulher, Leocionara Silva dos Santos, identificada como Narha Oliveira Munduruku, de 26 anos, são acusados de arrecadar dinheiro irregularmente prometendo a construção de moradias populares.

Fotografias

O casal, conforme relatos feitos ao GLOBO, apresenta fotos e vídeos ao lado de Bolsonaro, integrantes do Executivo e deputados para comprovar serem enviados do governo federal e terem o aval para implementar um projeto de moradias sustentáveis chamado por eles de “eco-casas”.

Foi assim que eles teriam se aproximado de comunidades quilombolas em Conceição do Mato Dentro (MG). Em um vídeo gravado em uma reunião no local, Narha agradece a Bolsonaro pelo projeto.

— Meus agradecimentos ao presidente Jair Messias Bolsonaro por disponibilizar esse projeto para a comunidade quilombola daqui do município de Conceição — diz a mulher, diante de moradores do local que levantam a mão para demonstrar que aceitam aderir ao projeto de moradias.

Para ter a garantia da casa, cada família deveria pagar R$ 180. De um total de cerca de 140 famílias, 81 delas teriam feito o pagamento na esperança de ter acesso à moradia. Em um documento obtido pela reportagem, Narha assina uma declaração que recebeu valores de R$ 10.940,00 e outro de R$ 2.520.00 da Associação Quilombolas em Três Barras, localizado no município mineiro. Os valores, segundo o recibo, seriam para “registro (taxas) cartório”. A data é de 19 de junho deste ano.

Ao final do papel escrito à mão, consta um carimbo de que Nahra é “gerente de Projetos Habitacional Eco-Casas Sustentáveis” e, abaixo, a sigla “PNHR/Caixa Econômica”, em referência ao Programa Nacional de Habitação Rural do banco estatal. Em nota, a Caixa informou que não existe projeto apresentado no âmbito do PNHR e/ou selecionado pelo Ministério de Desenvolvimento Regional junto ao banco no município de Conceição do Mato Dentro, e que não há empregado autorizado a fazer esse tipo de cobrança.

O primeiro contato teria sido feito via telefone com Paulo Quilombola pelo vereador Sidnei Seabra Silva (PCdoB), de 31 anos, no dia 17 de maio. Silva afirma ter recebido a indicação de que ele poderia resolver a questão de obras do “Minha Casa, Minha Vida” paralisadas no município.

“Almoços” frequentes

Em junho, segundo o parlamentar, Narha esteve pessoalmente na comunidade afirmando que tinha obtido a garantia do governo federal de verbas para 350 casas e cartões para a reforma de residências. Na cidade, conforme registros em fotos, ela também esteve na prefeitura, na delegacia e no Ministério Público para se apresentar. Em mensagens a que o GLOBO teve acesso, a mulher promete o início do projeto de moradia em três meses ou quatro meses.

Na ocasião, Narha teria afirmado que trabalhava com a ministra Damares Alves. Ela também alegou ter o aval do Secretário Especial de Assuntos Fundiários, Luiz Nabhan Garcia, e do presidente da Fundação Palmares, Vanderlei Lourenço. Todos negam terem autorizado o casal a falar em seus nomes. Também foram exibidos vídeos e fotos de encontros com os deputados federais Joice Hasselmann (PSL-SP) e Marcos Feliciano (PSC-SP).

— Ela falou que trabalhava com Damares, que almoçava com ela com frequência. Narha contava ainda que após o contato com a comunidade ia ao gabinete do presidente Bolsonaro, que queria saber como estavam as comunidades. Pelas fotos e vídeos que mostrou, todos acreditamos — contou o vereador.

O próprio parlamentar afirma ter pago a quantia para cinco famílias, mas, ao descobrir que eles não representavam o governo, fez um boletim de ocorrência, registrado no dia 26 de junho. O vereador também acionou o Ministério Público. Silva chegou a enviar mensagens para que Narha pedindo o dinheiro da comunidade de volta. A mulher se compromete a devolver R$ 9 mil. “As minhas diárias eu vou tirar porque não trabalho de graça para ninguém”, escreveu. O valor não foi devolvido às famílias.

O fato foi relatado à ministra Damares, que acionou a Polícia Federal para investigar Paulo Quilombola e Narha. Ainda não há inquérito instaurado. Citado pelo casal, o secretário de Assuntos Fundiários também promete levar o caso à polícia.

— Eu os recebi como recebo as pessoas que vêm ao meu gabinete. Jamais dei autorização para falarem em meu nome. É falsidade ideológica — disse Nabhan.

O Palácio do Planalto informou que “o presidente nunca recebeu o casal embora haja pedidos e acrescentou que Bolsonaro NÃO mantém relação de amizade com Paulo e sua mulher”. Na nota, a Secretaria de Comunicação (Secom) informa que os dois não ocupam cargos no Executivo. Entretanto, não respondeu ao questionamento se o presidente deu procuração ao casal para falar em nome dele: “O Planalto não irá comentar”.

Ao GLOBO, Narha disse que é vítima de perseguição política por parte da ministra Damares e atacou o vereador por ser do PCdoB. Segundo ela, o recebido com carimbo da Caixa é “falsificado” e nunca foi pedido para que devolvesse o valor arrecado na comunidade. Nahra justificou que os mais de R$ 14 mil recolhidos das famílias foram usado para “xerox, digitalização e registro” de documentos em cartório. A mulher prometeu enviar os comprovantes dos gastos, mas não o fez até o fechamento da reportagem.

— Em nenhum momento prometi isso (a construção das 350 casas). Eu não posso devolver. Esse recurso não é meu, é de despesa da própria comunidade — justificou.

Paulo Quilombola foi procurado, mas sua mulher falou pelo casal.

 

RG 15 / O Impacto

2 comentários em “Investigado por aplicar golpe usando nome do presidente Jair Bolsonaro, Paulo Oliveira estaria transitando em municípios da região

  • 7 de maio de 2021 em 02:51
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    Em Viana o estrago foi grande..Os movimentos negros realmente desconhecem esse criminoso como representante..Eles são estelionatários profissionais

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  • 3 de maio de 2021 em 07:23
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    Os fatos expostos não representam a realidade, e sim crimes contra a honra e dignidade, antes de publicarem matéria pagas por políticos corruptos deveriam averiguar os fatos reais, o Ministério público Federal de Castanhal será notificado como também estamos acionando a polícia federal de Santarém Pará, cadê os documentos que comprovam as acusações??? Onde é que fomos processados ??? Só para lembrar que divulgar notícias falsas é Crime Previsto em lei… E vocês serão processados criminalmente Professor Paulo Oliveira Diretor Presidente da Federação das Comunidades Quilombolas e Populações Tradicionais do Estado do Pará

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