Artigo – O que Jesus faria se aparecesse nas ruas da Palestina?

Por Oswaldo Bezerra

As forças armadas de Israel continuam arrasando Gaza com foguetes. Aumentam a cada minuto o sofrimento dos palestinos. O que aconteceria se Jesus aparecesse nas ruas sitiadas? O que o Messias faria? De que lado ele estaria? Em Jerusalém, o sofrimento palestino está fora de qualquer medida. Casas confiscadas, pessoas alvejadas e suas igrejas são incendiadas. Esta sendo promovida uma limpeza étnica.

Está muito claro que são os agressores. São os soldados israelenses, menos nas manchetes dos jornais patrocinados. Jesus então iria desencadear sua fúria justa contra eles? Complicado porque, não se esqueça, ele não era árabe, mas judeu. Esse lado de sua identidade histórica é fundamental. E os israelenses são judeus. O que Jesus faria então? Ele poderia consertar isso?

Lembre-se, esta não é a Segunda Vinda profetizada pelas Escrituras. Ele não aparece na glória com escoltas de anjos com espadas flamejantes. Jesus visitaria a Palestina apenas por um dia. E todos o reconhecem enquanto ele anda pelas ruas bombardeadas.

Ajude-nos, filho de Deus! Gritariam os cristãos. Profeta Jesus, Filho de Maria! Derrubar nossos opressores! Clamariam os muçulmanos, já que Jesus é um dos principais profetas da religião de Maomé. Enormes multidões se juntariam ao redor dele.

“Prenda o falso profeta lunático!” Deveria ser a fala de um oficial israelense. Assim o Messias seria capturado e colocado na prisão pelo exército judeu, mais uma vez. Claro, mais uma vez Israel estaria sob a tutela de um grande império. Não é mais Roma, e sim os EUA.

Os israelenses pressionariam Jesus dizendo: “Você é um de nós, estranho. Um hebreu como nós”. A pressão deveria ser feita por um musculoso interrogador das forças armadas Israelense (IDF). Por que você está causando problemas? Por que você se importa com essa raça de árabes? Provavelmente, Jesus ficaria em silêncio, como da última vez que ficou de frente a um inquisidor.

Não traria nenhum resultado conversar com um militar de mente fechada. Enquanto isso, seu sagrado coração arderia de amor pelos palestinos e por seu próprio povo. Durante séculos a igreja ignorou o caráter judaico de Jesus, ou tentou minimizá-lo. Ele é o Messias, o Cristo do Judaísmo. Alguns judeus realmente o reconhecem como tal. Muitos o rejeitam, mas isso fazia parte do plano divino.

Então, o que Jesus faria? Convocaria legiões de anjos do céu para dar uma lição à IDF? Ele não agiu assim no Jardim do Getsêmani. Ele poderia de forma sobrenatural fazer com que os israelenses se convertessem? Para se tornar cristão? Na verdade, existem alguns “Judeus para Jesus” por aí, é possível. Contudo, isso seria uma ação coercitiva. Goste ou não, os judeus são avessos a cruz.

A Inquisição tentou forçar os judeus espanhóis (e mouros também) tornarem-se cristãos, mas a maioria deles resistiu. Ou praticavam um falso cristianismo em público enquanto mantinham sua religião ancestral no particular. Algo na consciência judaica se esquiva do batismo. Os sacramentos são estranhos para eles. Eles não os terão. As razões são complexas, mas é um fato.

E o dilema do Messias? Ele quer acabar com a violência contra os palestinos, dar-lhes o que lhes é devido, embora, ao mesmo tempo como judeu, não possa prejudicar seu próprio povo.

Ele sabe o quanto eles também sofreram. Perseguições, pogroms, torturas, Holocausto. Jesus está ciente de todos eles. Ele se entristece que os judeus tenham se tornado injustos com outros povos. O que ele faria para resolver o dilema?

Há judeus que são ferozmente anti-sionistas, os judeus do Neturei Karta. Eles até se manifestam ao lado dos palestinos e pedem o fim do Estado de Israel, embora de forma pacífica. Com base na Torá e no rabino, eles consideram o estado sionista como uma aberração contra Deus, porque foi estabelecido pela força. Os judeus irão para a Terra Santa quando as nações e os nativos também os pedirem livremente. Claro, eles também ainda aguardam a chegada de seu Messias.

Talvez o inquisidor observasse que Ele é inofensivo e então o soltaria nos becos da cidade arrasada. O Messias desapareceria silencioso e ineficaz. Seria uma ação que Jesus faria para direcionar os soldados israelenses para que permaneçam judeus, mas adotem uma forma melhor, espiritual e libertadora de Judaísmo, o do Neturei Karta. As armas poderiam cair de suas mãos, e finalmente reconheceriam os direitos dos palestinos. Aceitariam ficar na Terra Santa, não como governantes, mas como convidados.

Existe uma gangue imensamente imbecil, principalmente nos EUA. São os chamados “sionistas cristãos” que detestariam este desfecho. São eles quem financiam a guerra. Muitos muçulmanos também torceriam o nariz para isto. Para estes, o caminho a seguir é através da “jihad”, a guerra santa que leva à vitória, ou a própria destruição. A sabedoria de Jesus, o Messias judeu, supera a sabedoria da violência dos sábios. Jesus poderia consertar isso sem fazer nada. Lembrem do Sermão da Montanha.

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RG 15 / O Impacto

Um comentário em “Artigo – O que Jesus faria se aparecesse nas ruas da Palestina?

  • 17 de maio de 2021 em 09:18
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    Muito bom esse artigo, mas só lembrando que apesar de Jesus o filho de Deus ter nascido em uma família de judeus, ele foi enviado para salvar o seu povo, contudo foi rejeitado por eles, aí Deus o enviou a salvar todas as raças do Mundo. Quanto ao questionamento se ele poderia acabar com o conflito, creio que sim. Ele certamente diria novamente “Quem não tiver pecados, que atire a primeira pedra (no caso Bomba, foguetes, etc.)”. Olhando por outra ótica eu vejo a dona ONU, muito muitíssimo COVARDE e OMISSA nessa questão, Israel parece aos grileiros, latifundiários, madeireiros e garimpeiros que estão USURPANDO as terras indígenas e reservas florestais do Brasil.

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